Judiciário

Sábado, 09 de Junho de 2012, 17h:00 | Atualizado: 09/06/2012, 21h:16

OPERAÇÃO ASAFE

Como falar na venda de sentença sem dinheiro?, reage Tadeu Cury

Como falar em venda de sentenças sem dinheiro?, reage Tadeu Cury

-- Desembargador Tadeu Cury   Dois anos após ser aposentado de forma compulsória, numa espécie de “pena de gala”, e ver a esposa Célia Cury ser detida na Operação Asafe por suposto envolvimento num esquema de venda de sentenças, o desembargador José Tadeu Cury não demonstra constrangimento em falar sobre o assunto, nega as denúncias e classifica de exagerada a decisão do CNJ, que, em 23 fevereiro de 2010, determinou a aposentaria compulsória dele e de mais nove magistrados pelo “rombo” de R$ 1,5 milhão nos cofres do TJ na gestão de José Ferreira Leite. 

   Demonstrando tranquilidade, Tadeu Cury questiona os critérios do julgamento do CNJ. “Não houve um peso, como posso ser aposentado só porque recebi o que me era devido? O TJ me devia, eu recebi e me aposentaram. Acho que todo mundo tem direito de batalhar para receber o que é de direito, seja de particular ou no Tribunal, acho que foi um exagero a pena”, diz.

Juízas seriam usadas como "laranjas" em desvios, diz relator

   Em tom em otimista, ele diz aguardar a apreciação do mérito do processo, relatado pelo ministro Celso de Mello, que deferiu liminar, em agosto de 2010, para que os magistrados retornassem aos respectivos cargos. “Não há temor, pelo contrário, o que existe é o entendimento de que houve excesso de pena”, avalia.  Além dele, foram aposentados os desembargadores Ferreira Leite e Mariano Travassos, e os juízes Antônio Horácio da Silva Neto, Marcelo Souza de Barros, Irênio Lima Fernandes, Marco Aurélio dos Reis Ferreira, Juanita Clait Duarte, Maria Cristina de Oliveira Simões e Graciema Ribeiro de Caravellas. Todos foram denunciados em 2008 pelo ex-corregedor do TJ, Orlando Perri, por supostos desvios de verbas e de materiais na construção do Fórum de Cuiabá, além de favorecimento em licitação e tráfico de influência.

Juízes obtêm liminar no STF

   Da mesma forma com que nega ter embolsado valores indevidos, Tadeu Cury garante não ter participação no suposto esquema de venda de sentenças investigado pelo STJ e que levou a PF a deflagrar, em 18 de maio de 2010, a Operação Asafe. Foram cumpridos nove mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em residências e escritórios de advogados, desembargadores e juízes. “Não há prova alguma. Como se pode falar em venda de sentenças sem dinheiro?”, contrapõe o magistrado.

Lobistas citam comissão por sentença de R$ 100 mil de Cury

-- Advogada Célia Cury   À época, Célia Cury foi presa por cinco dias. Ela aparece em dezenas de gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, e, segundo a PF, teria estreita relação com Ivone Reis de Siqueira, considerada uma das principais lobista nas negociações de sentença com magistrados. Após o cumprimento das prisões temporárias, as duas foram liberadas. “A única mulher grafada falando, falando, falando, veio em juízo e disse que era tudo mentira, é a dona Ivone, se não me engano”, diz Tadeu Cury.

   Ele também afirma que o clima de tranquilidade paira na corte mato-grossense, mesmo com as investigações do STJ. “Não temos problema algum, são casos particulares. Os dois desembargadores também foram afastados, o Tribunal tem que ficar alheio a isso, eu acho”.

   Tadeu Cury lembra que o processo foi desmembrado, em 2 de março deste ano. Em decorrência do foro privilegiado, o STJ vai apreciar apenas as denúncias contra os desembargadores Evandro Stábile e José Luiz de Carvalho. Outras 34 pessoas respondem à ação no próprio TJ, entre elas Eduardo Jacob, à época no TRE, e o juiz Círio Miotto.

Em voto, Nancy detalha o envolvimento de magistrados em MT

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Comentários (9)

  • Tulio | Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012, 12h45
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    Esse é o exemplo que este cidadão dá para quem quer ser Juiz um dia, metendo a mão e ainda dando ordens. Cúpula do TJ sei não heim, mtos suspeitos, vc tenta chegar lá e quando chega vira farinha do mesmo saco. MAFIA

  • Souza | Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012, 12h43
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    Tadinho dele e da Célia, nunca pegaram num dinheirinho por uma sentença. Tão honestos que dá dó. O tribunal ainda é que deve a ele. Toma vergonha rapá.

  • Ricardo | Quarta-Feira, 27 de Junho de 2012, 12h42
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    Ricardo , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • oten ranch | Domingo, 10 de Junho de 2012, 15h33
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    Paaaaaaaaaaaaara Turcão!!! Quem não tem conhece que te compre !

  • Gean Carlo | Domingo, 10 de Junho de 2012, 14h45
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    Quanta inocência, como se nós matogrossenses não sabemos o quanto é perverso as entranhas da "Justiça" do nosso estado, como se não repercute quando se vendem, quando compram mansões as escondidas, iates super luxuosos, carros importados, tudo que NÃO DARIA com o provento mensal, uma verdadeira lavanderia pública que temos de engolir, somente o CNJ para acabar com esta vergonha para nós como sociedade e os que pagam em impostos para ver estes desfalques milionários e descabidos.

  • Dornele$ | Domingo, 10 de Junho de 2012, 11h22
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    Retrato fiel da aristocracia cabocla. Se fosse nos EUA, era jega para toda vida!

  • rufino | Domingo, 10 de Junho de 2012, 09h36
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    so tem santo ai , santa celia, são tadeu.....

  • Ireni | Sábado, 09 de Junho de 2012, 19h52
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    Vcs ficam atras de suas mesas lindas! Recebendo dinheiro para dilapidar o patrimônio de pessoas que trabalharam a vida inteira para construir! Aproveitem enquanto vcs tem a toga para fazer isso! Mais um dia um cidadão prejudicado pode encontrar vcs na rua

  • José Ricardo | Sábado, 09 de Junho de 2012, 18h26
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    Perfeitas as palavras do Sr. Dr. Desembargador, porem gostaria muito de saber como fica a FAMILIA de um magistrado aposentado que teve um pedido de guarda de menor aceito pelo TJ-MT e jamais assim os familiares de direito os receberam ? Isso mesmo, pra surpresa de todos os familiares, o pedido foi aceito e deferido pelo próprio TJ-MT conforme Holerite fornecido pelo mesmo e jamais foi constatado o CREDITO em conta corrente dos valores pelo mesmo. Fica a credito de resposta o próprio TJ-MT.

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