Judiciário

Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 14h:04 | Atualizado: 21/07/2019, 08h:19

GAECO NA MIRA

Cabo afirma que "verba secreta" chegou a bancar compra de cães por promotor veja

Rodinei Crescêncio

Gerson Correa

Cabo Gerson Correa durante depoimento ao juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, no Fórum da Capital, nesta 4ª

O cabo Gerson Correa é ouvido nesta quarta (17) na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar no caso conhecido como Grampolândia Pantaneira. O militar teve um acordo de colaboração premiada negado pelo Ministério Público Estadual (MPE) sob argumento de que não haviam novas informações.

Gerson afirma que o ex-governador Pedro Taques e o ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques sabiam e coordenavam as escutas ilegais. Ele ainda indicou a possibilidade de que a tática chamada de “barriga de aluguel”, que consiste em inserir números de telefones em pedidos judiciais com os quais os donos dos terminais não têm relação, teria sido utilizada em investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

Na terça (16), foram reinterrogados os coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco. Também são réus neste processo o coronel Ronelson Jorge de Barros e o tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista.

A audiência

O militar narrou fatos envolvendo diretamente a Grampolândia Pantaneira, que é apurada no processo em relação aos militares, e também contou casos de suposta barriga de aluguel envolvendo membros do Ministério Público Estadual (MPE).

Gerson começou acusando a suposta ocorrência de desvios na verba secreta do Gaeco. De acordo com o militar, a prestação de contas seria feita sem a devida fiscalização, permitindo que membros do MPE gastassem valores com compra de cachorros, compra de equipamentos de monitoramento, pagassem convênios que deveriam ser licitados, entre outros itens de maneira não prevista por lei.

De acordo com Gerson, em diversas ocasiões ele participou de pedidos de interceptação telefônica feitos pelo Gaeco que acabaram por grampear pessoas que não eram alvo direto da investigação. Esse teria sido o caso da deputada estadual Janaina Riva. O grampo feito no telefone da parlamentar teria ocorrido a pedido do promotor Marco Aurélio de Castro para, supostamente, averiguar se os crimes cometidos pelo pai dela, o ex-deputado José Riva, cotinuariam a acontecer na Assembleia. O Gaeco não tinha foro paras investigar uma deputada estadual.

O ex-governador Silval Barbosa e seus familiares também teriam sido interceptados por meio da inserção de seus números de telefone em investigações com as quais não tinham relação pelo Gaeco.

Ele indicou que no caso de outros políticos, jornalistas, médicos, e outros profissionais, os grampos teriam sido feitos a pedido do ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques e do ex-governador Pedro Taques (PSDB). O cabo voltou a afirmar que os dois seriam os "donos" dos grampos apurados na Justiça militar.

O juiz Marcos Faleiros marcou para os dias 5, 6 e 7 de novembro o julgamento, que estava marcado anteriormente para agosto. Foi aberto prazo de 10 dias para que as defesas dos três militares que tentam colaboração unilateral enviem depoimentos e documentos que comprovem os crimes delatados por eles.

 

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  • 18h:56

    A audiência é encerrada. O juiz Marcos Faleiros abriu prazo de 10 dias para que as defesas dos coronéis Lesco e Zaqueu encaminhem documentos com as informações da colaboração que eles pretendem fazer.

  • 18h:53

    "A única questão falada aqui que eu não tenho provas concretas, notas fiscais e prestações de contas, é o caso da verba secreta. E mesmo nesse caso, eu dei o caminho passo-a-passo para se chegar a isso. Em todos os outros casos eu entreguei provas", indicou.

     

  • 18h:48

    Ao responder perguntas de seus próprios advogados, o cabo Gerson inocenta o tenente-coronel Januário Edwiges Batista. "O coronel Januário foi denunciado não sei por qual motivo. Ele não tinha qualquer conhecimento. Em que pese ele ser meu coordenador militar em 2015 no Gaeco, ele não tinha qualquer conhecimento em relação a isso", declarou.

  • 18h:38

    "A instituição é maior que as pessoas. Tenho certeza que o órgão Gaeco é maior que promotor x ou y. A minha instituição, a Polícia Militar, que está nos quatro cantos do Estado, ela foi jogada na lama. Nenhuma instituição sofreu tanto quanto a PM. Vamos respeitar as instituições. Eu citei pessoas aqui. O Gaeco vai continuar a existir. A PM ficou dois anos passando por uma turbulência, mas sobreviveu", disse Gerson ao quebrar o silêncio.

  • 18h:29

    Gahyva pergunta se o cabo Gerson tem consciência de que poderia estar sendo usado para pedidos de anulação de operações conduzidas pelo Gaeco. Gerson fica em silêncio. O promotor insiste. "Eu até queria responder, mas não vou, não", diz Gerson. Em seguida ele revela que está anotando as perguntas no papel.

  • 18h:24

    O promotor segue fazendo perguntas sobre as placas Wytron utilizadas nos grampos, sobre participação dos demais militares nas escutas, e outros assuntos relacionados ao caso. Gerson silencia e faz anotações em um dos diversos papéis sobre a mesa.

  • 18h:09

    Depois de uma discussão acalorada entre o promotor Vinícius Gahyva e o cabo Gerson, o réu passa a ficar em silêncio em relação às perguntas do Ministério Público.

  • 18h:08

    O promotor responde: "Em momento nenhum eu fiz defesa de qualquer pessoa. Eu fiz defesa da lei e de instituições. Apontar que isso é praticado pelo Ministério Público, pela Polícia Militar, ou qualquer outra instituição... não. São pessoas que cometem crimes".

     

  • 17h:31

    O promotor Vinícius Gahyva questiona Gerson em relação a uma "manobra jurídica" citada por ele, supostamente realizada pelo ex-governador Pedro Taques, para tirar de Mato Grosso as investigações, em 2017. Após alguma insistência do membro do MPE, o cabo rebate: "O quê é isso doutor? Estou estranhando o senhor defendendo o ex-governador Pedro Taques".

  • 16h:49

    O cabo tenta justificar o porquê de participar do esquema, mesmo sabendo da ilegalidade. "Lealdade, lealdade, lealdade. Não tem outra palavra. Eu não ganhei nada, nenhum centavo, eu tirava do meu bolso, pagava estacionamento para a Andrea e o Dorileo lá no escritório. Eu tinha a maior lealdade ao coronel Lesco, para mim eu estava bem acobertado, sempre vou ser leal à amizade dele. Tanto é que eu segurei a onda dele nos dois outros interrogatórios", argumentou.

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Comentários (2)

  • Alderi | Quinta-Feira, 18 de Julho de 2019, 11h55
    1
    0

    Esses marajás, apesar de altíssimas remunerações, até papel higiênico se tiverem oportunidade, levam para casa.

  • joao | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 21h52
    1
    5

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