Judiciário

Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 09h:00 | Atualizado: 23/08/2019, 13h:16

COVERAGE

Conversas no Whats apontam que tenente fraudou inquérito para inocentar Ferreira

tenente cleber

Segundo-tenente PM Cleber de Souza Ferreira (na foto) e Satiro são alvos da Coverage

Apesar de responsável por conduzir um inquérito policial militar (IPM) contra o segundo-tenente Cleber de Souza Ferreira, o tenente Thiago Satiro Albino tinha uma relação próxima com o investigado. Conforme conversas do aplicativo Whatsapp obtidas pelo Gaeco, e que embasam a Operação Coverage, deflagrada nesta quarta (21), Satiro teria atuado para fraudar os autos da investigação, para inocentar o colega militar.

Satiro e Ferreira foram presos preventivamente na manhã desta quarta (21), por crimes de organização criminosa armada, obstrução de justiça, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informação. Eles são ligados a organização criminosa desmantelada pela Operação Mercenários, integrando o “núcleo de proteção”, criado com o propósito de esconder ou embaraçar investigações criminais. Além deles, tal grupo era composto pelo tenente-coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola e o tenente Sada Ribeiro Parreira – que também foi preso.

Conforme o Gaeco, Ferreira era investigado em IPM ligad ao suposto sumiço de armas apreendidas pela Rotam, em Várzea Grande, em 29 de setembro de 2017. Para se livrar de tal acusação, o segundo-tenente contou com a ajuda de Paccola, que teria fraudado a data de registro de uma arma Glock, 9mm, de propriedade de Ferreira. Tal armamento teria sido utilizado em três homicídios consumados e quatro tentativas de homicídios, ocorridos entre os anos de 2015 e 2016, pela organização criminosa investigada na Operação Mercenários.

Além de forjar que a arma havia sido adquirida em 1º de setembro de 2017 e não em 2015, Paccola teria mudado da data em que Ferreira conseguiu a Autorização de Carga Pessoal para 12 de setembro de 2017. A intenção seria a de fazer crer que a arma em questão não estava em posse de Ferreira no dia do suposto sumiço das armas apreendidas pela Rotam, e muito menos nos crimes ligados ao grupo investigado na Mercenários.

As descobertas sobre as fraudes para inocentar Ferreira foram feitas após um aparelho celular do tenente ser apreendido na Operação Assepsia, em 15 de junho, na qual o militar foi preso preventivamente - conseguiu reverter a prisão na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, ontem. Ele é suspeito de ter ajudado na entrada de um freezer recheado com 86 celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Conversa com Satiro

A documentação adulterada, conforme a investigação, precisa ser incluída nos autos do IPM conduzido por Satiro. Conforme as conversas de Whastapp, em 5 de junho deste ano, o segundo-tenente pergunta ao tenente se o inquérito já havia sido encaminhado ao Ministério Público. O responsável pela investigação diz, então, que ainda não, dando a entender que estaria em posse dos autos.

Em 10 de junho, quando o documento em questão já teria sido fraudado por Paccola, Satiro pergunta a Ferreira qual seria o horário em que ele iria encontrar o tenente-coronel para possivelmente tratar dos detalhes da “troca” do documento.

“No mesmo dia, ao final da tarde, o investigado Ferreira encaminha fotografia do ‘novo’ documento (com os dados falsos) que deveria ser trocado nos autos do IPM. Na mesma oportunidade comunica Satiro que Paccola faria contato no dia seguinte”, diz trecho da investigação.

Em 11 de junho, Ferreira, por meio de áudio enviado pelo Whatsapp, pede que Satiro providencie a “troca” das páginas do procedimento, “ou seja, desentranhar o registro verdadeiro e, em seguida promover a juntada do ‘novo’ registro de consulta que contêm a inserção dos dados falsos”.

Reprodução

Conversa Satiro e Ferreira

Fac-símile da transcrição da conversa feita pelo Gaeco entre o tenente Thiago Satiro Albino e segundo-tenente Cleber de Souza Ferreira sobre IPM

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Comentários (7)

  • Luis | Sábado, 24 de Agosto de 2019, 09h57
    8
    1

    Mas o que eu não entendo é essa vontade da Policia Civil expor a PM assim. Nunca vi PC prender o seus próprios policiais, e quando dizem que fazem, não expõem assim na mídia. Não to defendendo quem faz coisa errada, mas esses PC não tem moral nenhuma pra querer prejudicar uma instituição inteira por causa de alguns que erraram.

  • Justiça | Sábado, 24 de Agosto de 2019, 09h41
    4
    3

    Comandante geral da polícia militar do estado de Mato Grosso, a sociedade confia no senhor. Não deixe que esse tenente que mal saiu da academia suje a imagem dessa brilhante instituição. O que homens de bens constituíram arduamente por mais de 100 anos não pode ser manchado por esse tipo de gente,

  • samuel | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 14h12
    6
    10

    Policial que comete crime, criminoso é, e precisa responder criminalmente por isso. Não dá para generalizar que todo policial é heroi. Povo tem que entender isso, antes de sair defendendo policial que comete erro

  • carlos | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 13h38
    12
    0

    Oremos para que Deus nos defenda porque a polícia, coitada, vai ficar acuada..... E há de se reconhecer que não seria sem razão, quem vai continuar sendo massacrado dia e noite??? A violência é absurda, os policiais são heróis.....

  • Valdo Correa | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 13h35
    9
    1

    Vamos orar para que a polícia continue enfrentando os bandidos, como heróis porque em número menor e com muitoooo menos estrutura.... nem vou falar da falta de respaldo, isso tá escancarado"

  • Carla marine | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 10h20
    15
    1

    Engraçado, quando se trata de queimar a polícia a exposição é avassaladora..... se fosse bandido haveria a preservação total, no máximo as iniciais e olhe lá.... parecem gostar de expor a polícia né?.... isso não é justo, pq a quem interessa????

  • Crítico | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 09h51
    0
    2

    Crítico, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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