Judiciário

Sábado, 01 de Junho de 2019, 15h:50 | Atualizado: 02/06/2019, 14h:31

OPERAÇÃO MANTUS

Diálogo, dados da tornozeleira e remessas de dinheiro são provas contra Arcanjo

Reprodução

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Acima, conversa entre João Arcanjo e o genro Giovanni Zem. Diálogo é uma das provas contra o ex-comendador

As provas utilizadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para pedir a prisão do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro incluem uma ligação interceptada entre ele e seu genro, Giovanni Zem, a localização da tornozeleira eletrônica e remessas de dinheiro feitas por integrantes do grupo a familiares dele.

Arcanjo foi preso na quarta (29), na Operação Mantus, acusado de chefiar o jogo do bicho liderando o grupo Colibri ao lado de Giovanni.

Citações feitas por membros do grupo Ello/FMC, do rival de Arcanjo no jogo ilegal Frederico Muller Coutinho, também fizeram os policiais chegarem à conclusão de que o ex-comendador seguia ativo depois de sair da cadeia, em fevereiro do ano passado.

Arcanjo ficou preso por quase 15 anos em razão de condenações por lavagem de dinheiro, homicídios, associação criminosa e pelo próprio jogo do bicho.

"É de conhecimento público e notório o seu envolvimento na contravenção penal do jogo do bicho, bem assim, que ele fez uso da logomarca Colibri para difundi-lo, no Estado de Mato Grosso", diz trecho da decisão do juiz Jorge Luiz Tadeu, que determinou a prisão do bicheiro.

Arcanjo é proprietário do prédio onde funciona a RR Pago Eirelle ME, atual Granito Muito Mais, que fornece máquinas de cartão de crédito. A empresa está registrada em nome de Barba Zem Rodrigues de Araújo Costa, sobrinha de Giovanni que mora em Campo Grande (MS). A empreitada, de acordo com a polícia, é administrada pelo genro do ex-comendador.

No mesmo local também funciona a sede da Estacione Parking Serviço de Estacionamento Ltda, registrada em nome de Giovanni e na qual Arcanjo passou a trabalhar depois de ir para o regime semiaberto.

Um celular de Marcelo Gomes Honorato, apontado como responsável por recolher dinheiro e dar suporte técnico às máquinas da Colibri, foi apreendido durante flagrante por envolvimento no jogo do bicho em 10 de julho de 2018. No aparelho havia a foto de um recibo do estacionamento em que trabalhava o ex-comendador no valor de R$ 20 mil. A tornozeleira eletrônica de Arcanjo revelou aos policiais que ele estava no local no horário do pagamento.

A polícia afirma que as empresas registradas no imóvel são utilizadas para lavagem de recursos oriundos do jogo ilegal, com uso de técnicas como smurfing e mescla, que consistem na divisão de grandes quantias em transferências menores e juntadas a valores lícitos.

Conversas interceptadas entre Laender dos Santos Andrade e Edson Nobuo Ybumoto, do grupo Ello/FMC, mostram que quando Arcanjo saiu da prisão houve movimentação no jogo do mercado ilegal. Laender faria captação de clientes da Ello em Rondonópolis e Edson seria o gerente de Tangará. Na conversa, eles citam uma mulher de nome Keli "que gerencia tudo aqui do Arcanjo, e aí repassa pro Giovanni",  em Rondonópolis.

Rodinei Crescêncio

Giovanni Zem

Genro de João Arcanjo, Giovani é considerado "braço-direito" do bicheiros nos negócios

Uma conversa gravada entre Giovanni e Arcanjo revela o arranjo para mandar um "negócio" para "Toninho", gerente da RR Pago. No final da conversa, o ex-comendador afirma que foi ao médico e que "ele pediu uma máquina de cartão de crédito da RR Pago"- veja o diálogo acima

"Deste diálogo, conclui-se, especialmente, que a gerência é realizada conjuntamente pelos investigados Arcanjo e Giovanni, com destaque para o fato de que a empresa funciona no mesmo prédio em que Arcanjo declarou prestar atividade lícita, como condição para cumprimento de pena no regime semiaberto", lê-se na decisão.

A quebra do sigilo bancário mostra ainda que a RR Pago recebeu R$ 108 mil em 17 de abril de 2018 pulverizados em 27 depósito de R$ 4 mil, não identificados. A estratégia se encaixaria na lavagem de dinheiro do jogo do bicho.

No mesmo dia, a empresa também recebeu quatro depósitos totalizando R$ 16 mil de Mariano Oliveira da Silva, e outros sete depósitos que totalizaram R$ 28 mil da empresa M.O. da Silva ME, de propriedade de Mariano. Ele seria o braço da organização em Sinop e em todo o Norte de Mato Grosso.

Em diversas operações, a GCCO apreendeu materiais que vinculariam Arcanjo ao jogo ilegal. Entre as provas estão um recibo de R$ 1,1 mil da Fazenda São João da Cachoeira, que tem Arcanjo como dono, blocos de papel da Estacione Parking, anotações com nome do ex-bicheiro, de Giovanni e também de João Arcanjo Ribeiro Filho e Silvia Chirata Arcanjo Ribeiro, ex-mulher dele.

Os nomes de Agnaldo Gomes de Azevedo e Marcelo Gomes Honorato, supostos funcionários de Arcanjo no jogo do bicho, também estavam em anotações. Além disso, foram encontrados comprovantes de transferência bancária, entre outras provas.

O filho e a ex-esposa do bicheiro moram atualmente no Uruguai, onde ele foi preso pela primeira vez em 2003. Entre 2014 e 2018 eles receberam remessas de dinheiro da Agnaldo, Paulo Cesar Martins e Marcelo, apontados como integrantes do grupo criminoso. Foram enviados R$ 42,5 mil e R$ 65,6 mil por meio da casa de câmbio Western Union.

"Desta informação, conclui-se que, de forma induvidosa, o investigado Arcanjo utiliza os demais integrantes de sua organização criminosa para remeter dinheiro aos seus familiares, no exterior, dinheiro obtido ilicitamente com o jogo do bicho", afirmam os policiais.

O nome do ex-comendados também vem à tona no boletim de ocorrência registrado por Alberto Jorge Toniasso, membro do grupo Ello/FMC, rival de Arcanjo. Ele teria sido ameaçado e extorquido por membros da Colibri. Ele foi conduzido ao prédio da Estacione Park, onde estariam Giovanni e Noriel, em dezembro de 2017. No local, Giovanni teria tomado e quebrado uma máquina de jogo do bicho de Alberto.

"Que em seguida e de forma bem rude foi advertido que não poderia continuar vendendo as apostas, devido a área ser do grupo do Arcanjo, que tomou tapas no rosto e socos na altura do fígado por alguns dos presentes no local", diz o boletim de ocorrência.

Fábio Pilz de Oliveira, que teria sido ameaçado por membros do grupo Colibri em Juara em julho de 2018, também revelou que o jogo do bicho "tinha dono", se referindo a Arcanjo.

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