Judiciário

Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 08h:24 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:27

JUDICIÁRIO

Em "manobra", magistrados contratam filha de ministro

Em "manobra", magistrados contratam filha e genro de ministro

Ministro Carlos Ayres Britto   Numa suposta manobra para que o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Brito, se declare impedido de participar do julgamento dos agravos regimentais interpostos pela Advocacia-Geral da União contra a volta de 10 magistrados aposentados compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em fevereiro deste ano, 2 desembargadores e 3 juízes contrataram a advogada Adriele Pinheiro Reis Ayres de Britto, filha de Ayres Britto, para defendê-los. Esta seria uma tentativa de deixar o ministro "fora" da apreciação do recurso, já que ele é conhecido justamente por ter um perfil moralista e técnico.

   Os desembargadores José Ferreira Leite e José Tadeu Cury e os juízes Irênio Lima Fernandes, Marcelo Souza Barros e Marcos Aurélio Reis Ferreira contrataram Adriele e o marido, advogado Adriano José Borges Silva, que já têm procurações em mãos, para livrá-los da possibilidade de deixar novamente os cargos, reconquistados por meio de liminares concedidas pelo ministro Celso de Mello em agosto deste ano, após uma saída nada "honrosa" da magistratura.

   Agora, quase dois meses depois de conseguirem retornar ao Judiciário, os magistrados correm o risco de perder mais uma "batalha". Caso o STF defira os agravos interpostos pela AGU, os magistrados terão que "limpar as gavetas" novamente.

   Eles foram denunciados em 2008 pelo então corregedor de Justiça, desembargador Orlando Perri, pelo desvio de cerca de R$ 1,5 milhão dos cofres do Judiciário mato-grossense. Ferreira Leite era o Grão-Mestre da entidade maçonica em 2003, período em que também era o presidente do TJ. Naquele ano, a maçonaria montou uma cooperativa de crédito em parceria com a Cooperativa de Crédito Rural do Pantanal Sicoob Pantanal. A Cooperativa quebrou em novembro de 2004, quando teria surgido o esquema. Os créditos eram concedidos aos juízes, que os repassavam à Grande Oriente.

   Para desqualificar a denúncia, o grupo de Ferreira Leite questionou, entre outros itens, a forma de contratação da empresa Velloso e Bertollini Auditoria e Consultoria. O serviço teria sido prestado com dispensa de licitação. O ex-presidente do Tribunal de Justiça, Paulo Lessa, e Perri defenderam que a disputa licitatória prejudicaria o caráter sigiloso, investigatório e de urgência dos serviços.

   As liminares concedidas por Celso de Mello e impugnadas pela AGU, foram deferidas no sentido de suspender, cautelarmente, até o final do julgamento das ações, a eficácia da decisão proferidas pelo CNJ nos processos administrativos disciplinares, sob o argumento de uma suposta subsidiariedade de atuação do CNJ. Ou seja, somente seria possível sua atuação, no caso de inércia ou ineficiência dos demais órgãos de controle, como as corregedorias locais. A AGU explicou que a alegação da defesa dos magistrados e aceita por Celso de Mello sobre a ausência de uma sindicância local para que, só depois, o caso fosse levado ao CNJ não procede. Assim, segundo a AGU, verifica-se a incapacidade local de se promover, com independência, procedimentos administrativos destinados a tornar efetiva a responsabilidade funcional dos magistrados, consoante a própria ressalva feita pelo relator do mandado de segurança.

   Além dos cinco magistrados, foram condenados também à aposentadoria pelo CNJ o desembargador Mariano Travassos e os juízes Antônio Horácio da Silva Neto, ex-presidente da Associação de Magistrados do Estado (Amam-MT), Juanita Cruz Clait Duarte (filha do ex-presidente do TJ, desembargador Wandir Clait Duarte - já falecido), Maria Cristina de Oliveira Simões e Graciema Caravellas.

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Clique no link abaixo e confira a íntegra das procurações

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Comentários (11)

  • Iva Alves | Sexta-Feira, 01 de Outubro de 2010, 22h24
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    Olá! Estou me sentindo desiludida,nesse país!...As negociatas são absurdas e criminosas!

  • Heródoto | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 12h37
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    Isto não é nada mais que o reflexo de um país cujos mandatários chegaram ao poder através de greves, invasões, grilos, tomando o que é dos outros, dando enormes prejuizos ao erário, sequestrando, assaltando, muitos se relacinando homossexualmente, e ainda terem aprovação de governos pela população em altos percentuais. E deverá continuar, pelo andar da carruagem.

  • Silva | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 12h34
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    Essa é a maçonaria que tantos elogiam...

  • SOUZA | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 12h07
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    Tenho 36 anos de idade,acabou meu sonho que conhecer o Brasil, O Brasil Independente de Portugal,Um pais onde nao se mostra a sua cara, pq infelizmente nao posso aceitar, que esta é a cara de meu País...que tristeza, Executivo,Legislativo e Judiciario,nada funciona nesse País, o que mais queremos?

  • Deusa | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 11h14
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    Imaginem povo matogrossense, se estes magistrados que sempre primaram pela ética, pela decência, e tudo mais que é justo iriam contratar essa advogada só por que ela é filha de um Ministro do STF. Tenho certeza que, conhecendo o Judiciário de MT(trabalho nele há 24 anos), o qual tem uma reputação ilibada, estes magistrados só contrataram a filha do Ministro por que ela é a melhor advogada do País. O fato de ser filha do Ministro Carlos Brito é mera coincidência, não acham? KKKKKKK. Este é o nosso Brasil....

  • NETO | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 10h35
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    Procurem entender o que se passa para poder criticar a midia manobrando e distorcendo a verdade, cadê a imparcialidade e o profissionalismo destes profissionais? O recomendado é pensar bem antes de publicar ou postar algo..

  • Antonio Carlos Cuyiabanos | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 09h37
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    Infelismente esta é a cara do judiciário brasileiro - uma "corte" da epoca do império numa pseuda democracia do século XXI. Favorecimento, manobras, trafico de influencias e outros mais... recentemente o então prefeito de Cuiabá WS contratou um ex ministro do STJ para derrubar várias liminares de servidores da prefeitura de cuiabá contra os desgovernos administrativos... e vcs já sabem do resultado????!!!!! os servidores perderam.

  • Frederico Leoncio | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 09h29
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    Isso é um absurdo! É a verdadeira falência do sistema Judiciário brasileiro. Espero que o STF julgue o caso com rigor e faça cumprir o julgamento do CNJ. Não podemos mais viver num país do "faz de conta", onde sempre os "poderosos" conseguem arrumar um "jeitinho" de se safarem... Isso é muito vergonho para Mato Grosso.

  • CARLÃO | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 09h05
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    ESSAS CAMBADAS DO JUDICIÁRIO DEVERIAM ESTAR NA CADEIA, POIS ESTÃO SABENDO DAR MAIS NÓ DO QUE OS PRESOS. ROUBAM E FICA POR ISSO MESMO. ESSE MINISTRO DO STF DEVE TER RECEBIDO UMA BOA BOLADA POR TER MANDADO DE VOLTA ESSAS CAMBADAS DESSES MAGISTRADOS.

  • ROBERTO RUAS | Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2010, 08h59
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    Isso prova que a advogada filha do ministro tá se lixando para oque é ético e correto , para a justiça e para o bem do país , pois seria digno da filha de um ministro do supremo , ela recusar ser contratado por esse mercadores de sentenças. Indecente tal manobra , como indecente é tudo isso desde o início.

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