Judiciário

Quinta-Feira, 27 de Março de 2014, 07h:30 | Atualizado: 27/03/2014, 08h:06

OPERAÇÃO APRENDIZ

Filho teria enganado própria mãe em esquema de Emanuel - entenda caso

Júlio Cruz/RDTV

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Ex-presidente da Câmara de Cuiabá João Emanuel foi preso ontem pelo Gaeco

As investigações do Ministério Público no caso que culminou na prisão do vereador João Emanuel (PSD), nesta quarta (26), mostram que um dos sete denunciados, Pablo Norberto Dutra Caires, tentou enganar a própria mãe, Ruth Hércia da Silva Dutra, para viabilizar a transferência de dois terrenos de propriedade da família para o nome de Caio César Vieira de Freitas, em tese proprietário de uma factoring em Cuiabá e que emprestava dinheiro frequentemente pra João Emanuel.

De acordo com a denúncia do MP, nos primeiros meses de 2013, Pablo Caires e Evandro Vianna Stábile, filho do desembargador afastado Evandro Stábile, constituíram a empresa "Imprimais" para atuar no ramo gráfico. No entanto, Pablo não teria a quantia de R$ 100 mil necessária para integralizar a sua parte no negócio e, para resolver o impasse, revelou ter dois terrenos na Capital e o interesse em vendê-los, mas acrescentou que sua mãe não consentia com o fato.

Stábile, então, apresentou Pablo a Marcelo de Almeida Ribeiro por saber que este último era envolvido em crimes de falsificação, conforme consta na denúncia do MP, e ainda sugeriu que Caio César, conhecido por agiotar em Cuiabá, pudesse ser a pessoa a adquirir os imóveis. A partir disso, Marcelo, juntamente com João Emanuel, Amarildo dos Santos, que é braço-direito do vereador, e Mário Borges Junqueira, apontado como membro do grupo, ficaram responsáveis por viabilizar o esquema.

O grupo falsificou o documento de identidade de Ruth e registrou no Cartório do 2º Ofício de Várzea Grande uma autorização de alienação dos terrenos, passando a responsabilidade de transferência dos imóveis para um outro membro da "quadrilha", André Luis Guerra dos Santos, com o consentimento de Pablo. Para isso, a ex-mulher e mãe de um filho de André, Érica Patrícia Cunha da Silva Rigotti, emprestou uma foto sua para ser anexada à identidade falsa que continha o nome de Ruth e falsificou a assinatura desta última. Assim, após constatar o interesse de Caio em adquirir as propriedades, o negócio foi fechado. A confecção da escritura de compra e venda fora de responsabilidade de Amarildo.

Caio, segundo o Gaeco, não sabia que se tratava de documentação falsa. Ele pagou a quantia de R$ 250 mil em espécie a Amarildo, que foi ao estabelecimento comercial do agiota acompanhado de Pablo e Marcelo. O dinheiro teria ficado em parte com Pablo e o restante teria sido dividido entre o grupo. "Ocorre que, cerca de quinze dias após o pagamento, a vítima Caio César foi visitar os terrenos adquiridos e, para sua surpresa, no local havia sido edificado um muro e, em conversa com uma pessoa que ali se encontrava, de nome Zílio, este lhe disse que aqueles imóveis foram por ele locados e pertenciam à sra. Ruth Hércia", diz trecho da denúncia dos promotores.

Percebendo que havia entrado em um negócio "furado", Caio procurou o grupo. Evandro Stábile foi quem encontrou Pablo na empresa Neox Visual, de sua família, em 4 de outubro de 2013, para onde se dirigiram os denunciados. Na presença de seu pai Norberto Gercílio, Pablo negou qualquer transação, sob a argumentação de que não assinara escritura de compra e venda, mas sim um “contrato de prestação de serviços”. Após visita ao Cartório do 2º Ofício, porém, a escritura de compra e venda, mesmo que falsificada, fora encontrada.

Posteriormente, Ruth Hérica, já tendo conhecimento dos fatos mas ainda acreditando na inocência de seu filho Pablo, no sentido de que o mesmo fora ludibriado ao assinar um suposto contrato de prestação de serviços gráficos, decidiu gravar um dos encontros com membros da quadrilha. A gravação em que João Emanuel aparece negociando o pagamento de R$ 500 mil pelos dois terrenos, temendo se "indispor" com Caio César, em troca de garantias de vantagens em licitações da Câmara de Cuiabá, já que Ruth é dona de gráfica, é a prova mais importante do processo.

Denunciados

O MP pediu a prisão preventiva de Mário Borges Junqueira, Érica Patrícia Cunha da Silva Rigotti, Pablo Noberto Dutra Caires e Evandro Vianna Stábile, mas a Justiça não deferiu a solicitação. Foram decretadas as prisões somente de João Emanuel, Amarildo dos Santos, ambos já presos, e de Marcelo de Almeida Ribeiro e André Luiz Guerra Santos, até o momento foragidos. Todos são acusados pela denúncia do Gaeco de praticarem crimes de falsidade, estelionato, corrupção passiva, grilagem de terras e adulteração de documentos de veículos, tendo em vista que as ilicitudes foram identificadas em diversas "modalidades" no decorrer do inquérito.

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Comentários (5)

  • Ariosvaldez Rodrigues de Lima | Sexta-Feira, 28 de Março de 2014, 07h41
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    Carlos Lira, não tente inocentar o cara, ele e a família têm recursos para contratar bons advogados, tenho certeza que, se nada dever, vai dar a volta por cima... SE NADA DEVER!

  • Carlos Lira | Quinta-Feira, 27 de Março de 2014, 22h12
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    Absurdo julgar uma pessoa sem prova e muito mais quando a denunciante faz gravação inocentando, gente tá um abuso de poder dizem a boca miúda que senador Blairo já se arrependeu de ter criado gaeco, que agora decide quem eles vão matar no ninho para nnão alçar voo na política. É como diz os estudiosos como Call Max (o capital) pelo poder vale tudo até julgar antes de provar coisa feiz heim MP tem que colocar as barbas de molho vem fazendo uma burrada atrás da outra agora quer mandar definir o jogo dentro de um poder que é a camara ludibriando a população e jogando com o holofote

  • manoela | Quinta-Feira, 27 de Março de 2014, 10h26
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    é tem um psicopata em cuiaba, ja denunciado ao ministerio publico que anda fazendo arruaças por cuiaba e baixada cuiabana, agora lembrei do gaeco, e se fizerem uma varredura nessa denuncia vai desmascarar esse cidadão perigo para a sociedade, o ministerio publico ja sabe desse cidadão que é outro caso e a policia tbém...

  • Ariosvaldez Rodrigues de Lima | Quinta-Feira, 27 de Março de 2014, 09h32
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    "falsidade, estelionato, corrupção passiva, grilagem de terras e adulteração de documentos de veículos" Se todos forem condenados por todos estes crimes (sem mencionar formação de quadrilha) podem pegar de 06 de 32 anos de reclusão! Será que vai dar cadeia mesmo?

  • Dornele$ | Quinta-Feira, 27 de Março de 2014, 07h46
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    Só gente boa. Essa é a verdadeira essência, dessa elite cabocla!

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