Judiciário

Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2018, 09h:15 | Atualizado: 26/02/2018, 17h:03

Investigação de esquema iniciou há seis anos com denúncia contra Savi e Dóia

selo detran

As investigações que resultaram na deflagração da Operação Bereré, que investiga esquema de fraude em licitação e cobrança de propina no Detran-MT, tiveram início há quase seis anos, quando a Defaz instaurou inquérito policial para apurar denúncia da existência de crimes contra a administração pública na autarquia.

De acordo com documentos obtidos pelo , a abertura do inquérito pela delegada Liliane de Souza Santos Murata Costa atendeu ao pedido do então coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) do Ministério Público Estadual, procurador de Justiça Hélio Fredolino Faust, que começou a cuidar do caso, por conta do envolvimento do deputado estadual Mauro Savi (PSB), que tem foro por prerrogativa de função.

A denúncia, de acordo com a portaria, aponta irregularidades cometidas pelo então presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o Dóia, que, em conluio com Savi, estaria cometendo diversas irregularidades, dentre elas advocacia administrativa, corrupção passiva, tráfico de influência e peculato.

Conforme os documentos, na época, empresários interessados em abrir Centros de Formação de Condutores (CFC) eram obrigados a pagar a Dóia e a Savi quantias em dinheiro, de acordo com os valores referentes às categorias da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) – A, A/B, B.

Além disso, segundo a denúncia, todas as verbas destinadas à reforma anual das Ciretrans eram apropriadas por Dóia. A acusação que estava começando a ser investigada ainda apontava que a empresa fornecedora de água potável ao Detran pertencia a Dóia, Savi e Eumar Novack (hoje secretário executivo do Ministério da Agricultura). Tal empresa, no entanto, estaria em nome de laranjas.

A denúncia, conforme a portaria, ainda levantava suspeita quanto ao esquema de compras de CNHs, em que a banca examinadora das provas receberia cerca de R$ 5 mil para fraudar os laudos e aprovar candidatos.

A acusação também declarava que a empresa que realizava vistorias na autarquia era de propriedade dos denunciados e que ela realizava adulterações de chassi, liberação de documento e transferência sem a presença do condutor, sendo carros vistoriados pela empresa liberados em péssimas condições.

Reprodução

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 Acima, documento da portaria da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários para abertura do inquérito policial pela delegada Liliane de Souza Murata

Empresa FDL

A denúncia que começou a ser investigada em 2012 também citou o nome da empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda. - atual EIG Mercados Ltda., ponto chave da operação deflagrada na última segunda (19).

Segundo a Defaz, a acusação era de que as licitações realizadas na autarquia eram fraudadas para beneficiar as empresas em nome de “laranjas”, mas pertencentes a Dóia e Savi, a exemplo da FDL – contratada desde 2009 para prestar serviços de gravames de veículos do Detran -, que teria financiado campanha de Savi a deputado, em 2010.

Após anos de investigação, o ex-presidente do Detran acabou firmando acordo de colaboração premiada (delação) com o MPE, confirmando, pelo o que foi divulgado até então, o esquema envolvendo a FDL.

Conforme as investigações da Bereré, a FDL foi contratada em 2009, após reunião no gabinete de Savi, em que ficou definido o pagamento de propina para que o contrato com o Detran fosse mantido.

Com o certame direcionado, a FDL venceu a licitação. Para operar o esquema de lavagem de dinheiro, segundo o MPE, a FDL contratou a empresa de fachada Santos Treinamento, que teve como sócio o presidente da Assembleia Eduardo Botelho (PSB).

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Comentários (2)

  • Ricardo Ramos | Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2018, 12h44
    1
    0

    O que se nota aqui é a baixa velocidade de investigação do MPE, em 2012 a denuncia começou a ser investigada, levando seis anos até o resultado atual. Mas, segundo informações de uma assessora especial, desde 2010 já existia uma investigação em curso, ou seja, foram na verdade oito longos anos. Presume-se então que a máquina do MPE precisa ter as suas peças lubrificadas, pois a burocracia está em passos de tartaruga. Os componestes do MPE estão precisando de um banho de gestão, de modernidade gerencial e de reciclagem. Um bom antídoto contra este marasmo seria visita aos doutores Sergio Moro, Walisney, Bretas e mesmo Selma aqui perto deles.

  • Prof. | Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2018, 12h32
    2
    1

    Aonde vamos parar com tantas falcatruas? Coitado de nós. O Brasil precisa de mais MORO urgente.

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