Judiciário

Quinta-Feira, 19 de Dezembro de 2019, 14h:44 | Atualizado: 19/12/2019, 15h:16

OPERAÇÃO COVERAGE

Justiça autoriza tenente-coronel a acessar novamente sistemas fraudados na PM

O juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, autorizou o tenente-coronel PM Sadá Ribeiro Parreira a ter acesso ao sistema de computadores da Polícia Militar, “incluindo os sistemas de inteligência, informação e logístico” como DACI, ARI, ALI, SALP e TI. Sadá Ribeiro foi alvo da Operação Coverage, que identificou um esquema de fraude em registros de armas na PM.

Tony Ribeiro

JUIZ MARCOS FALEIROS (22)

O juiz Marcos Faleiros autorizou o tenente-coronel Sadá Ribeiro a acessar diversos sistemas da PM, incluindo o SALP

O tenente-coronel foi preso em 21 de agosto na operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). A acusação envolve, principalmente, fraude ao sistema da Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio (SALP).

Sadá Ribeiro foi solto em 17 de setembro, por ordem do Tribunal de Justiça. Em 13 de novembro, o Conselho Especial de Justiça, formado por quatro militares e pelo juiz da 11ª Vara Criminal, determinou as medidas cautelares, entre as quais estava a proibição de acesso aos sistemas informatizados que foram utilizados na suposta fraude. Na votação, Faleiros foi voto vencido em relação ao acesso aos sistemas.

No pedido ao juiz, a defesa do militar informou que ele foi nomeado chefe de gabinete do subchefe do Estado Maior Geral da PM e, por isso, precisa ter acesso à rede interna da corporação. A defesa, contudo, pediu acesso por meio de uma senha que não desse ao tenente-coronel a possibilidade de acessar os sistemas DACI, ARI, ALI, SALP e TI. Nesses termos, o Ministério Público Estadual (MPE) concordou com o pedido.

Entre as atribuições do chefe de gabinete estão o controle de assuntos pendentes e em andamento, a fim de fazer as cobranças para dar respostas aos solicitantes, receber e manter documentos de outros setores a serem despachados com assinaturas do subchefe da PM, coordenar e fiscalizar o serviço da coordenaria do gabinete do subchefe, entre outras.

“Assim, ainda que não exerça diretamente típicas de inteligência, é inegável que para o desempenho de seu mister o requerente necessita de acesso à rede corporativa do Gabinete, que por possuir privilégios e níveis de acesso restritos, além de ter acesso às informações do setor, também terá acesso aos sistemas de inteligência, informação e logístico da PMMT (DACI, ARI, ALI, SALP E TI), de modo que a manutenção das cautelares fixadas dificultaria e até mesmo impossibilitaria suas atividades”, opinou o magistrado.

Ao juiz, o coordenador de Tecnologia da Informação da PM, tenente-coronel Edison Carvalho Junior, declarou que os sistemas podem ser auditados, “de modo que eventual inobservância ou utilização indevida dos sistemas poderão ser rastreados”.

“De outro lado, não passa despercebido aos olhos deste juízo, que diante da individualização da conduta atribuída ao requerente na denúncia, aliada ao comparecimento em juízo todas as vezes que foi intimado, não evidenciam que o requerente pretenda obstruir ou atentar contra a instrução criminal, até porque, como salientado, o sistema poderá ser auditado a qualquer tempo”, avaliou Faleiros.

Também são réus no mesmo processo os tenentes Cleber de Souza Ferreira e Thiago Satiro Albino, o tenente-coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola e o sargento Berison Costa e Silva.

O grupo teria fraudado os registros de armas, fazendo que armamentos ilegais fossem “esquentados” pelo sistema da PM. Uma Glock 9mm que pertenceria ao tenente Ferreira teria sido beneficiada no esquema. A arma estaria ligada a crimes investigados na Operação Mercenários, que apura assassinatos “comprados” em Várzea Grande.

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Matéria(s) relacionada(s):

Cotado à cadeira de desembargador

francisco faiad 400 curtinha   É forte o movimento nos bastidores entre os juristas, dentro e fora da OAB/MT, pela indicação do nome de Francisco Faiad (foto) pela classe Quinto Constitucional à cadeira de desembargador. Bem articulado e com bom conceito no meio jurídico, Faiad foi presidente da OAB/MT por dois...

Pivetta promete permanecer no PDT

allan kardec 400 curtinha   O empresário Otaviano Pivetta, que se tornou o mais badalado nesta fase de pré-campanha ao Senado por causa da grande logística em torno do seu nome, se encontra numa saia-justa. Para líderes do Podemos com os quais passou a ter afinidade política, como os senadores Álvaro Dias e...

Ao Senado, 2 partidos e apoio para EP

elizeu nascimento 400 curtinha   Elizeu Nascimento (foto), terceiro-sargento PM licenciado, não é nada bobo. Ex-vereador pela Capital e no mandato de deputado estadual, Elizeu hoje controla o DC-MT e ainda levou aliados de confiança para o PSL-MT, partido que ainda está ligado ao presidente Bolsonaro e que só de...

Digital de Selma no apoio para Pivetta

olga lustosa curtinha 400   Mesmo com laços antigos de amizade com Otaviano Pivetta, Olga Lustosa, que está se desligando do cargo de assessora do gabinete da senadora cassada Selma Arruda em Brasília, causou aquele climão dentro do Podemos quando apareceu no encontro do PDT, neste sábado. O ato marcou o...

Fritado ao Senado, Galvan deixará PDT

antonio galvan 400 curtinha   Como já esperado, o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan (foto), foi mesmo patrolado dentro do PDT estadual na tentativa de concorrer ao Senado na suplementar de abril. Com a decisão oficial do partido de lançar o vice-governador Otaviano Pivetta à disputa, Galvan agora pensa em sair da...

Contratos suspensos de 7 prefeituras

domingos neto 400 curtinha   O conselheiro do TCE-MT, Domingos Neto, determinou, até julgamento do mérito, a suspensão de pagamento por sete prefeituras à Oscip Tupã. Ele é relator de uma representação feita pelo Ministério Público de Contas contra as prefeituras de Vera,...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Na sua opinião, como está indo o Governo Bolsonaro...

excelente

bom

razoável

ruim

péssimo

não sei

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.