Judiciário

Quinta-Feira, 12 de Março de 2020, 17h:52 | Atualizado: 12/03/2020, 18h:48

CASO RODRIGO CLARO

Ledur imputa desequilíbrio a Rodrigo; mãe rebate e cita excessos da tenente

Rodinei Crescêncio

Tenente Ledur em audi�ncia

Tenente Isadora Ledur confere documentos com ar impassivo durante audiência, no Fórum de Cuiabá;  Jane, mãe de Rodrigo, chorou na saída do depoimento

Tenente Isadora Ledur, em audiência de instrução nesta tarde (12), no Fórum de Cuiabá, insistiu em imputar ao aluno Rodrigo Claro a pecha de desequilibrado diante da água. Ela afirmou que um bombeiro não pode vacilar na hora de fazer o salvamento e que ele vinha demonstrando essa dificuldade, por isso focou no treino dele. Já a mãe de Rodrigo, Jane Claro, na saída da audiência, rebateu que a desequilibrada é a tenente, já que, com caldos e humilhaões, levou Rodrigo à morte e chorou ao dar entrevista.

“O descontrole emocional não era do meu filho”, afirma a mãe sobre depoimento da tenente bombeira Izadora Ledur, na 11º Vara Militar, no Fórum de Cuiabá, na tarde desta quinta (12). O aluno bombeiro Rodrigo Claro morreu de AVC relacionado a esforço físico causado pela suposta tortura ou maus tratos em treinamento aquático dado pela tenente, em novembro de 2016, na Lagoa Trevisan.

Em depoimento, porém, Ledur nega excessos e pontua que Rodrigo "era alguém que tinha um descontrole com a água". Também nega intenção de castigá-lo, pois cobrou desempenho dos demais alunos e queria entregar um bom bombeiro à sociedade. Sobre os “caldos” (sessões que simulam afogamentos), ela alega que tem caráter pedagógico, pois simula situações reais de salvamento em água.

Após a audiência, Jane disse ao @rdnews que o filho Rodrigo tinha insegurança na água, mas não pânico. “O pavor era com ela. Por várias vezes, ele falou o que ela poderia fazer com ele dentro d’água”. Segundo a mãe, a perseguição por meio de treinamento aquático já ocorreu outras vezes e não só na Lagoa Trevisan, mas em piscinas também.

Você não ajuda alguém salvar uma vida matando essa pessoa. Houve um tratamento, no meu ver, exagerado

Advogado de acusação Júlio Cesar Lopes

Ouvir Ledur em depoimento gerou sentimento de revolta, conta a mãe. Disse que a versão da tortura é corroborada por diversas outras testemunhas. “Ela (Ledur) e o coronel Rovelis obrigaram que ele (Rodrigo) voltasse para água, passando mal”. Entre lágrimas, ela clama por Justiça: “eu confio muito na justiça de Deus. E preciso confiar na do homem. Espero que seja feito justiça. De coração, como mãe, eu espero que sim”.

O advogado Júlio César Lopes, que atua a favor dos pais de Rodrigo Claro e como assistente de acusação no processo, aponta que a defesa veio preparada para audiência. Critica o argumento de Ledur de que todos os procedimentos foram normais. “Totalmente sem nexo”, pontua.

Com experiência de soldado, Julio disse que não se deve passar por isso no treinamento. “Você não ajuda alguém salvar uma vida matando essa pessoa. Houve um tratamento, no meu ver, exagerado”. Na mesma toada que Jane, o advogado que as testemunhas demonstram que Ledur tinha intenção de castigar Rodrigo. “Ela queria mostrar autoridade”.

Pontua que os autos são consistentes e provas do crime da tenente bombeira e que os depoimentos garantem a versão de tortura. O próximo passo é do Ministério Público para requerer ou não diligências. Após isso, serão dados prazos de cinco dias para alegações finais da defesa e, enfim, marcar o julgamento para condenar ou absolver Ledur pelo crime e tortura.

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Comentários (2)

  • alexandre | Quinta-Feira, 12 de Março de 2020, 19h41
    3
    0

    A culpa e´da vitima ?

  • Jorge kurassaki | Quinta-Feira, 12 de Março de 2020, 19h20
    1
    1

    Jorge kurassaki, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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