Judiciário

Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 07h:45 | Atualizado: 13/08/2019, 14h:26

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Líder do CV "entrega" militares e diz que tinha 14h para tirar celulares de freezer

Geladeira estava recheada com 86 celulares, um presente por repasse de informações sobre facção

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Apontado como uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho, Paulo César da Silva, o "Petróleo", revelou em depoimento à Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), dia 24 de junho deste ano, que recebeu um prazo, do ex-subdiretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), Reginaldo Alves dos Santos, o Peixe, para receber um freezer e retirar 86 celulares e outros itens afins escamoteados nele. O presente seria em troca de informações sobre a facção que já haviam sido repassadas a investigadores.

De acordo com Petróleo, em reunião sobre a entrada ilegal dos aparelhos, o ex-subdiretor explicou que o freezer seria entregue logo após a tranca e que mandaria buscá-lo logo pela manhã. Com isso, o preso teria das 18h do dia 6 de junho até às 8h da manhã do dia 7 para abrir a geladeira e fechá-la.

Petróleo frisa, no depoimento, que jamais negociou diretamente com os policiais Ricardo, Denizel e Cleber e nem com os diretores da unidade. Garantiu também que não sabe informar quanto cada um receberia ou recebeu com o esquema.

As informações constam em documentos obtidos com exclusividade pelo e divulgados na série “Ligações Perigosas”.

Petróleo está entre os presos na Operação Assepsia, uma investigação da GCCO. O Ministério Público Estadual (MPE) o denunciou, assim como o tenente Cleber de Souza Ferreira e o cabo Denizel Moreira dos Santos Junior, os ex-diretores da PCE Revétrio Francisco, o próprio Peixe, além do Luciano Mariano da Silva, vulgo “Marreta”. Este também é apontado como membro do Comando Vermelho.

Rodinei Crescêncio/Montagem

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Acima, trecho do depoimento em que Petróleo detalha como se deu o acordo para que o freezer "recheado" com aparelhos celulares chegasse até a sua cela

Ele detalha que toda essa engenharia seria necessária porque já tem um freezer na cela dele e não poderia ficar com dois, o que certamente gerariam desconfiança.

Petróleo relata que todo esquema começou a ser arquitetado dois meses antes por um ex-detento, chamado "João", a quem ele conheceu em 2006, na PCE, dividindo uma cela. João é quem conseguiria os aparelhos. Essa conversa foi feita via WhatsApp. Em depoimento Petróleo destaca que o freezer seria entregue ainda naquele mês, mas, como o GCCO já havia interceptado outro freezer no raio dele, o 5, ficaram com medo de promover a entrada. Porém, uns dias antes do dia 6 de junho, o tal João fez novo contato com Petróleo pela rede dizendo que conseguiria mandar os celulares, mas não falou como o faria. Ele apenas pediu um carro para o translado.

Como ele sabia que o colega Luciano Mariano da Silva, o Marreta, tinha uma caminhonete Ranger utilizada pelo sogro dele, pediu o mesmo que emprestasse o veículo apenas para o transporte. Assim Petróleo passou as informações para João ir buscar o carro, que transportou o freezer até a PCE no dia 6 de junho.

Quando chegou a data, na parte da tarde, Petróleo narra que estava que estava na cela, quando foi “sacado” por um agente prisional e levado até a sala dos diretores da PCE.

No local estavam, além do Peixe, o ex-diretor da penitenciária, Revétrio, e três policiais, os quais ele disse não conhecer e nem sabia até então que eram policiais. Tratavam-se do subtenente Ricardo de Souza Carvalhes e o cabo Denizel Moreira, ambos da Rotam, e o tenente Cleber de Souza Ferreira, lotado no 3º Batalhão.

Os três PMs disseram que estavam ali a mando de “João” para promover a entradas dos aparelhos. Os policiais então iniciaram as orientações de como poderiam proceder com o material. Mas ele teria lembrado aos servidores do Estado que em sua cela já havia um freezer, como é que ele ficaria com dois. Foi quando “Peixe” explicou.

Rodinei Crescêncio/Montagem

PETROLEOINTERNA2

Acima, trecho em que o membro da facção revela os valores de cada item e conta como se daria o seu lucro. Teor também consta em investigação do caso

Consta ainda no depoimento dele, que Revétrio ficou todo tempo dentro da sala, mas não participou da conversa. Durante pouco mais de 1h de reunião Petróleo disse que trataram também sobre valores. Que foi combinado com “João” que era para ser entregue a ele R$ 1,5 mil por cada aparelho vendido dentro da unidade.

Além dos aparelhos também estavam diversos chips, fones de ouvidos e carregadores, dos quais a maior parte dos lucros seria de Petróleo. Ele ainda passaria os valores do lucro dos aparelhos aos poucos na medida em que fosse vendendo os celulares. Afirmou ainda que a reunião foi para combinar a entrada dos celulares e destacou que todos sabiam.

Outro detalhe que Petróleo lembrou foi que as sacolas que estavam com os policiais militares foram enviadas por "João" com roupas para uso interno.

Por volta das 19h, “João” entrou em contato e disse que havia deixado o freezer na porta, mas que haviam descobertos os celulares antes da entrada. Petróleo afirma que não entendeu o porquê de não ter dado certo, uma vez que estava tudo “certo”.

O integrante do CV nega que passava informações aos policiais e que muito menos sabia da existência de aplicativos espiões nos celulares.

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Comentários (1)

  • Ricardo | Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 11h12
    0
    0

    Ricardo , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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