Judiciário

Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 09h:20 | Atualizado: 11/07/2019, 11h:04

GRAMPOLÂNDIA

Ministério Público nega fechar delação de militares envolvidos em grampos, diz OAB

O Ministério Público Estadual (MPE) teria negado fechar acordos de colaboração premiada com os militares que são réus no caso conhecido como Grampolândia Pantaneira. A decisão teria sido do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco).

Rodinei Crescêncio

Leonardo Campos

Presidente Leonardo Campos ressalta que novos depoimentos devem trazer fatos novos

A informação foi divulgada pelo presidente da seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Leonardo Campos, em entrevista à Capital FM na manhã desta quinta (11).

A Ordem acompanha uma notícia-crime encaminhada ao Tribunal de Justiça de grampos feitos por membros do MPE e também juízes. O caso é relatado pelo desembargador Orlando Perri.

“Ninguém sabia que os militares tinham tentado fechar delação e o Naco negou. Precisou a Ordem provocar. É verdade que os militares tentaram fazer delação? Então, porque não foram aceitas? Queremos saber. É direito da sociedade saber o que o delator falou”, disse Leonardo, destacando a necessidade de a OAB-MT seguir acompanhando o andamento das investigações.

Na terça e na quarta da próxima semana, o cabo Gerson Corrêa Júnior e os coronéis Evandro Lesco e Zaqueu Barbosa serão reinterrogados, a pedido de seus advogados, na ação penal que apura a participação dos militares nos grampos. Anteriormente, o cabo Gerson já havia relatado o suposto mando do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e do ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques no esquema.

"Lá me parece que muitos fatos virão à tona. Novos fatos que podem muitas vezes trazer luz às investigações sobre quem comandava e de onde partiu a ordem para fazer essas interceptações ilegais", afirmou o presidente da OAB-MT.

Nas notícias-crime encaminhadas pela OAB-MT mostram três fatos em que membros do MPE teriam cometido ilegalidades. O primeiro diz respeito à quebra de sigilo telefônico, denominada “barriga de aluguel”, supostamente ocorrido na investigação feita pelo Gaeco, na Operação Ouro de Tolo. Outra “barriga de aluguel” teria sido feita para incluir telefones de pessoas estranhas em uma investigação por tráfico de drogas na Comarca de Cáceres, onde, supostamente, ocorreram os grampos divulgados inicialmente contra adversários de Taques.

O segundo fato é a suposta quebra ilegal de sigilo fiscal e suposta malversação ao princípio da obrigatoriedade pelo acesso direto, sem autorização judicial, da então promotora de Justiça, e hoje procuradora, Ana Bardusco e de outras autoridades ao banco de dados da Sefaz.

O terceiro fato consiste na notícia de que “pessoas não foram processadas criminalmente neste Estado, por razões desconhecidas”, ferindo, assim, o princípio da obrigatoriedade da ação penal. A OAB-MT ainda aditou a notícia-crime para informar que 17 telefones ligados ao ex-governador Silval Barbosa foram interceptados ilegalmente em investigações com as quais ele não tinha ligação. Os casos estão com o Naco, coordenado pelo procurador Domingos Sávio atualmente.

“Eu queria estar aqui comemorando a celeridade e o sucesso das investigações. Eu estou mesmo é revoltado com a lentidão com que o Ministério Público está conduzindo as investigações. É preciso “desincastelar”. Eu não falo de política, mas de legalidade e constituição. Mas não me venha querer fazer uma investigação intramuros sem a participação da OAB”, seguiu Leonardo.

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Comentários (3)

  • CHIRRÃO | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 15h44
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    0

    SERÁ QUE É POR QUE O TAQUES E O PRIMO ESTÃO MAIS SUJOS QUE POLEIRO DE PATO.

  • Davi | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 10h15
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    0

    Em decorrência da adoção do sistema acusatório e da ausência de previsão de que os membros do MPE sejam processados pelo MPU os membros do Ministério Público realmente não têm com o que se preocupar diante de denúncias mesmo graves como essas porque estão protegidos pelo corporativismo.

  • André | Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 11h41
    1
    0

    Infelizmente fato dessa natureza ainda acontece nas hostis da Justiça. Lamentável sob todos os aspectos.

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