Judiciário

Sábado, 07 de Junho de 2014, 11h:34 | Atualizado: 07/06/2014, 11h:46

Ararath

Operação faz devassa na política de MT – confira trajetória das 5 etapas

Mário Okamura/Rdnews

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 As investigações da Operação Ararath tiveram início em 2011, mas em novembro de 2013 a Polícia Federal começou a efetuar mandados de busca e apreensão

O cenário político mato-grossense vem sendo surpreendido desde 12 de novembro de 2013, quando foi deflagrada a Operação Ararath, que já teve 5 etapas. Em cada uma vem à tona mais envolvidos e novos indícios de crimes contra o sistema financeiro do Estado, por meio de lavagem de dinheiro. As investigações, iniciadas em 2011, chegaram ao empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Junior Mendonça, além de autoridades e agentes públicos. A expectativa é de que o rombo ao erário supere os R$ 500 milhões.

Na primeira etapa foram cumpridos 11 mandados em Cuiabá, Várzea Grande e Nova Mutum, sem a divulgação do nome dos envolvidos. Em 25 de novembro foi deflagrada a segunda etapa, na qual foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região de Brasília, sendo que 2 deles se tornaram públicos, um na casa do ex-presidente do Detran Giancarlo Castrillon e outro do então juiz federal Julier Sebastião.

Ao todo, foram apreendidos R$ 230 mil, parte do valor estava com Castrillon, diversos documentos, comprovantes de depósito, celulares e mídias. Devido ao escândalo, o presidente do Detran foi exonerado do cargo. Quanto à participação de Julier ainda há clareza dos motivos. Dois dias depois foi liberado mandado de busca à casa do bacharel em direito Tiago Vieira de Souza Dorileo, que também é investigado na Operação Asafe, referente à venda de sentença no Judiciário. Ele é neto do ex-desembargador Ernani Vieira de Souza (já falecido) e atuaria como lobista para negociar sentença a fim de beneficiar empresas na emissão de certidões negativas de impostos.

Mário Okamura/Rdnews

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Entre os investigados estão Eder Moraes, deputado José Riva, Silval Barbosa e senador Blairo Maggi

Em 16 de dezembro foi então deflagrada a terceira fase da Ararath. Nela, foram cumpridos cinco mandados de buscas e apreensão em Cuiabá, um em Várzea Grande e outro em Tangará da Serra. Entre os alvos estavam a construtora Guache-Encomind que tem sede em Tangará e um escritório no edifício Top Tower, na Capital. A Encomind seria uma das empresas que pegavam empréstimo com Júnior Mendonça a fim de repassar à classe política, para não levantar suspeita sobre os valores transitados.

Depois disso, a PF ainda demorou dois meses para deflagrar a etapa seguinte da Operação. Neste meio tempo, a ex-esposa de Júnior Mendonça, uma das principais testemunhas e que fez denúncia sobre o caso em 2011, emitiu carta contra o ex-marido. Ela já havia concedido entrevistas em outros momentos. Desta vez, contudo, ela fez acusações citando muitos outros nomes.

Em 19 de fevereiro foi então desbaratada a quarta etapa, na qual começaram a aparecer os grandes nomes da política mato-grossense. Foram 24 mandados de busca e apreensão expedidos, conforme decisão da 5ª Vara da Justiça Federal, sendo 17 para Mato Grosso (16 para Cuiabá e um em São José do Rio Claro), os outros em Goiás, São Paulo e Distrito Federal. Foram encontrados R$ 126 milhões em notas promissórias e cheques, além de documentos, contratos, notebooks e cartas de fiança.

Um dos mandados foi na residência do ex-secretário Eder Moraes, que atuou em várias pastas, tanto na gestão do ex-governador, hoje senador, Blairo Maggi (PR), quanto na de Silval Barbosa (PMDB), sendo homem forte nas duas gestões. Ele é alvo de outras investigações como da Operação Cartas Marcadas e o escândalo do Maquinário. Além de Eder, a PF foi até a residência do então secretário-adjunto do Tesouro Estadual, Vivaldo Lopes, que seria o braço direito do ex-secretário nas transações financeiras fraudulentas, do empresário Valdir Piran, do proprietário da Concremax e ex-vice presidente da Acrimat Jorge Pires e do sobrinho do Jayme Campos, Sergio Braga.

Depois de ver que a situação estava ficando complicada, Eder começou a “mandar recado” para Silval e Blairo. Ele foi secretário por 12 anos e dizia que tudo acabava passando por ele, “mas o que houve foi uma gestão compartilhada em que o subordinado cumpre ordens dos chefes”. Na ocasião, também disse que estava com medo de morrer e não descartava aceitar benefício de delação premiada, a fim de contribuir com a Justiça para ter redução de pena.

Reprodução

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Empresário Júnior Mendonça, o delator da Operação Ararath

Em 20 de maio foi realizada a quinta e mais polêmica etapa da Operação Ararath. Logo cedo, a Polícia Federal prendeu o deputado e presidente afastado a Assembleia José Riva (PSD), Eder Moraes, além do superintendente do BicBanco Luiz Cozzeol. Os dois primeiros foram levados para Brasília. Riva foi solto três dias depois. Eder chegou a sair, mas ficou poucas horas em liberdade e hoje ainda está na Papuda.

No mesmo dia também foram na casa e gabinete do prefeito Mauro Mendes e residência do governador Silval Barbosa, quando foi encontrada uma pistola 380, com registro vencido. Por conta disse, o peemedebista ficou preso e teve que pagar R$ 100 mil de fiança para deixar a cadeia. Houve pelo menos busca e apreensão de 22 pessoas e 8 prestaram depoimento.

Depois desta fase foi que começou a vazar parte do inquérito que corre contra os acusados. Ele foi dividido, uma ficando na Justiça Federal e outra no Supremo Tribunal Federal. Na instância superior 8 estão na lista de investigados: Blairo Maggi, Silval, o conselheiro do TCE Sérgio Ricardo, o conselheiro aposentado Alencar Soares Filho, Mauro Mendes, Riva, o conselheiro afastado Humberto Bosaipo, e o desembargador afastado Evandro Stábile. Todos teriam pego dinheiro emprestado, exceto Stábile, que seria “comprado” para dar parecer favorável em sentenças.

O restante está na Justiça Federal de Cuiabá, que liberou, na última semana, o segredo de Justiça do processo. A partir daí a imprensa teve acesso às acusações que correm contra os acusados. A maior parte do inquérito é baseada na delação premiada concedida a Júnior Mendonça. Ele conta detalhes de como seria feita a transação de empréstimos realizados entre suas empresas, a Globo Fomento (encerrada em 2012) e Amazônia Petróleo.

Além de Júnior, também teoricamente fazem parte da rede de distribuição de empréstimo ilícito Fernando Mendonça, que tem uma rede atacadista e Valdir Piran, que possui uma factoring. As empresas Trimec e Encomind seriam as principais receptoras do dinheiro a fim de repassar a políticos.

Entre os que seriam beneficiados com os valores, conforme depoimento de Júnior Mendonça, estão Silval, Blairo, Riva, Sérgio Ricardo, Bosaipo, Alencar, Eder, os então deputados Percival Muniz (PPS) – hoje prefeito de Rondonópolis, Guilherme Maluf, Mauro Savi e Daltinho de Freitas. Também consta na lista por receber possível “agrado” o conselheiro do TCE Domingos Campos Neto. Já o promotor do MP Marcos Regenold teria ajudado Éder a se “safar” da Justiça, intermediando uma falsa delação premiada. O BicBanco era responsável por fazer as devidas transações, que passariam a ser legais.

Até o momento, somente Vivaldo e Eder são réus no processo. Os acusados responderão pelos crimes contra sistema financeira nacional, previstos no art. 16 da Lei nº 7.492/86, cuja pena é reclusão de 1 a 4 anos e multa, e crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, previsto no art. 1º da lei 9.613/98, com pena de reclusão de 3 a 10 anos e multa.

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Comentários (14)

  • marcelo | Domingo, 08 de Junho de 2014, 21h46
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    SEUS BOBÓ DA TEMPO MANDA FAZER EM CELAS 5 ESTRELAS COM AR FRIGOBAR E PARA O CAFE DA MENHA GELEIA REAL .ALMOÇO SALMÃO EM VEZ DE QUENTINHA .

  • Marcos Vinícius | Domingo, 08 de Junho de 2014, 21h40
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    OLHA JÚLIA...DE FATO ESTÁ FALTANDO O TAQUES... MAS ELE ESTÁ CHEGANDO PARA ASSUMIR O PALÁCIO PAIAGUÁS E DETERMINAR UMA DEVASSA EM TODAS AS SECRETARIAS, AUTARQUIAS E DEPARTAMENTOS... SÓ ENTÃO TEREMOS O RETRATO REAL DO ESTRAGO QUE ESTA GANGUE AOS COFRES DESTE SOFRIDO ESTADO DE MATO GROSSO.. CONCORDO JÚLIO.. TÁ FALTANDO O TAQUES.. MAS ELE ESTÁ CHEGANDO PARA PASSAR MATO GROSSO À LIMPO.

  • maria | Domingo, 08 de Junho de 2014, 18h00
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    creio que Julia to corretíssima por que não colocaram taques alias ele ja saiu ate em jornais de grande circulação fora do estado

  • Veríssimo dias | Domingo, 08 de Junho de 2014, 13h30
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    Taborelli você não tem moral pra falar de ninguém ..afinal é farinha do mesmo saco...

  • abdias pereira da silva | Domingo, 08 de Junho de 2014, 13h17
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    ja levarão uma tv para Éder assistir os jogos não esqueça.

  • Silva | Domingo, 08 de Junho de 2014, 12h40
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    Isso explica tudo ......... http://olhardireto.com.br/imgsite/noticias/0002732012184336.gif

  • Pery Taborelli da Silva Filho Cel RR PM | Domingo, 08 de Junho de 2014, 12h11
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    Há momentos em que dá a impressão que estou vivendo em um estado onde todos os serviços públicos são de primeiríssimas qualidades e, que os políticos maiores que tem o comandamento do Estado, dentre eles: Governador, Senador, Deputados e Vereadores estão cumprindo seus deveres Constitucionais. Porque vejo defesas homéricas para atitudes CRIMINOSAS; ou esses entes políticos tem uma assessoria que o defendem e tentam filosoficamente criar uma nova Ordem, onde o CRIME COMPENSA E DEVE SER ACEITO pela sociedade, ou o que ainda é tão absurdo quanto, ACREDITAM QUE A SOCIEDADE É IGNORANTE e, irá continuar a recompensar o mau feito, o torto, o criminoso, o macabro...Portanto, já passa da hora de nossa sociedade tratar essa corja de marginais como deve e exige o tamanho deles, COMO CRIMINOSOS, PERNICIOSOS PARA O TODO, PARA CRIANÇA, ADOLESCENTES, ADULTOS E MELHOR IDADE, SENDO UM VERDADEIRO CÂNCER PARA O GRUPO SOCIAL DE MATO GROSSO. Assim, CHEGA, CHEGA de prezar e, ver, ouvir solenidades para LADRÕES DOS COFRES PÚBLICOS. TENHO DITO.

  • Antonio | Domingo, 08 de Junho de 2014, 11h22
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    Ao sr. Ricardo, se é que posso chamá-lo. Caro amigo, vc tá sendo pecador em defender esse povo que tira o leite da boca de crianças, ainda usando o nome de Deus em vão, para defendê-lo. Sabemos que, é vergonhoso tudo isso, e pior que existe pessoa como vc que ainda tenta colocar na cabeça do povo, e desrespeitando a ação da polícia federal, e falando que a questão é política; e tenta em vão fazer inversões de valores. Todo mundo sabe quem é quem nesse contexto. Com esse seu comentário, não consegue tampar o sol com a peneira. Pois o buraco é mais fundo do que pensa e fala. Não tem incauta da vida, para acreditar na sua versão. Deixo o meu recador, procure ser homem de bem e defender a verdade, e o que é certo, Deus está vendo tudo. O Brasil e Mato Grosso precisa ser passado a limpo.

  • ricardo3399 | Sábado, 07 de Junho de 2014, 18h05
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    Riva paga um preço alto por ser o RIVA....serm um politico de resultados, de moral nas bases, agora querm tirar-lo do jogo...jogando sujo.....tudo nao passa de operação politica....querem ganhar sem disputar votos com quem tem trabalho e MORAL com os eleitores de MT....5 vezes deputado, mais votado do Brasil duas vezes, mais votado do estado 4 vezes... mais tem leis, mais tem projetos, mas anda pelo estado, trabalha desde 5:30 da manha ao longo destes 20 anos de vida pública... Tem um pasasgem na Biblia assim: QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM NUNCA PECOU! tô vendo que querem crussificar Riva de qualquer jeito...se nao tivesse processos, seria outro motivo com certeza......vamor orar pelas nossas autoridades, elas são constituidas por Deus.... e que cada um pague sua divida com Deus...parem de se colocarem no lugar de Deus, só Ele conhece cada ação, cada coração de todo ser humano.... este desabafo, é porque vejo que muitos não tem o que fazer ficam falando da vida dos outros, nao trabalham em prol do dsenvolvimento da comunidade e ficam de plantao esperando sair materias para comentar metendo pau!!!...faz um desafio, saia candidado o que acha que os outros não prestam, sejam eleitos no lugar deles!! e ai quem sabe conseguirá fazer um discurso sobre a politica de MT...

  • julia | Sábado, 07 de Junho de 2014, 17h53
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    Ta faltando o Taques ai também,,,,

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