Judiciário

Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 18h:20 | Atualizado: 23/08/2019, 18h:40

CRISE

Os presos são tratados como verdadeiros animais nas penitenciárias de MT, diz Perri

Mikhail Favalessa

Encontro de Execu��o Penal da Defensoria P�blica

Orlando Perri discursa durante o 3º Encontro de Execução Penal da Defensoria Pública, em que fala sobre problemas do sistema penitenciário

O desembargador Orlando Perri, coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), afirmou que os detentos em Mato Grosso são tratados como animais. Ele avaliou que, pelas condições dentro dos presídios, a medida de segregar criminosos, especialmente aqueles com prisão preventiva e que cometeram crimes de menor potencial ofensivo, tem servido apenas para alimentar facções criminosas como o Comando Vermelho.

“Temos visitado in loco essas unidades e, em muitas situações, os presos são tratados como verdadeiros animais, verdade seja dita. Nós temos essa superpopulação carcerária que impede a ressocialização. Temos que começar por oferecer condições mais dignas de os nossos reeducandos cumprirem a sua pena. Agora, isso não basta porque se nós não prepararmos o nosso reeducando para o retorno social, ele vai regressar pior do que entrou”, afirmou.

A fala foi feita a jornalistas nesta sexta (23), durante o III Encontro de Execução Penal organizado pela Defensoria Pública do Estado, que trata da superlotação dos presídios com participação de defensores, promotores, juízes, desembargadores e outros agentes envolvidos na Segurança Pública.

Durante sua apresentação no evento, Perri chegou a comparar que, se houvesse uma planta da JBS, uma das maiores indústrias de alimentos do país, os presos não serviriam sequer para abate em razão das péssimas condições sanitárias a que são submetidos no sistema penitenciário no Estado.

Mato Grosso tem pouco mais de 6 mil vagas e conta com uma população carcerária de 12,4 mil presos entre provisórios e definitivos. Com o GMF, o desembargador tem visitado as unidades em todo o Estado. De acordo com Perri, na maior parte das penitenciárias os presos ficam alojados “um em cima do outro” e têm pouco ou nenhum acesso a cursos de profissionalização e outras oportunidades de trabalho para voltar a conviver em sociedade.

“Os nossos reeducandos saem muito piores do que entraram. Eu costumo dizer que eles entram como animais de estimação, um gato ou um cachorrinho de madame, e saem como verdadeiras feras. A realidade do nosso sistema prisional é que ele é, na verdade, uma universidade do crime. Nas nossas penitenciárias é que estão instaladas as facções criminosas, os cabeças dessas organizações não estão fora dos presídios. É de lá que partem as ordens para cometimento de crimes aqui fora”, lembrou.

O desembargador citou dados do sistema de inteligência do Estado, que estima que existam 3,3 mil membros de organizações criminosas dentro dos presídios de Mato Grosso. “Se nós temos esse número dentro, nós podemos imaginar o exército que tem aqui fora, porque a cada um que é recrutado dentro do presídio, nós temos pelo menos a família dele trabalhando por ele aqui fora”, projetou.

Crise na PCE

Na semana passada, o sistema penitenciário deu início a uma operação que deve durar 30 dias na Penitenciária Central do Estado, o maior presídio de Mato Grosso. Em seu início, a operação tirou o excesso de materiais que também contribui para a superlotação. Regalias a membros de organizações criminosas também foram alvos dos agentes. Os próprios reeducandos vêm trabalhando em uma reforma paliativa da unidade, que estava em condições inadequadas.

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Comentários (5)

  • Pedro | Sábado, 24 de Agosto de 2019, 13h07
    1
    0

    Que dó,que dó,que dó,kkkkkk

  • Cleverton Clemente Tiburi | Sábado, 24 de Agosto de 2019, 08h24
    3
    1

    Valorização do servidor já!

  • Leitora do Rdnews | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 22h06
    4
    0

    Ok, desembargador. E qual é a solução para esse caos?

  • Advogada | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 22h02
    2
    8

    Com a desculpa de tirar regalias, os presos que cometeram delitos de menor potencial e muitos inocentes presos o justamente são os que mais sofrem. Muitos ficaram sem colchonetes e calçados. Estão em condições piores que feras em jaulas.

  • walter liz | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 19h05
    18
    0

    Sr desembargador, o que precisa é mudar o código penal, tem que fazer bandido ter medo de ser bandido, ter medo de ir preso. Com certeza vai diminuir e muito o número de presos e dai , talvez utilizar a teoria de ressocialização

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