Judiciário

Quarta-Feira, 07 de Abril de 2010, 15h:44 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:25

Operação Hygeia

PF prende suspeitos de fraudes; pelo menos 2 estão foragidos

Eloisa Albuquerque, Eder Rosa e Israel Carvalho  Foto: Josinei Moreira   Policiais federais cumpriram nesta quarta (7) 24 mandados de prisão preventiva no Estado, durante a Operação Hygeia, deflagrada para desarticular esquema de desvios e fraudes em licitações e contratos. Duas pessoas estão foragidas. Ao todo, em Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Distrito Federal, foram cumpridos 76 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de prisão temporária, sendo 17 contra servidores públicos. O balanço foi feito, durante a tarde, pelos delegados Eloisa Albuquerque, responsável por presidir o inquérito, e Eder Rosa de Magalhães, com a presença do coordenador-geral de Operações Especiais da Controladoria-geral da União, Israel Carvalho.

   Embora não tenha revelado o nome, Eloisa apontou a existência de um “corpo intelectual” para comandar o esquema e direcionar as fraudes. A delegada reafirmou que os cofres públicos foram onerados em R$ 51 milhões, valor que pode chegar a R$ 200 milhões. Segundo ela, havia três núcleos de desvio de recursos. O primeiro deles funcionava na Funasa, com funcionários lotados em setores estratégicos, obtendo vantagens financeiras, direcionando licitações e executando contratos com custos superiores aos praticados no mercado. Havia também o pagamento de serviços não realizados. O segundo esquema consistia na contratação de empresas de engenharia, com verbas federais, a preços superfaturados pelas prefeituras. Embora os valores fossem liberados, as obras não eram concluídas. Já o terceiro núcleo envolvia a assinatura de contratos genéricos com ONGs, sem processo licitatório, para prestação dos serviços com valores superfaturados. Funcionários “fantasmas” ganhavam altos salários e não prestavam os serviços ou cumpriam o expediente.

   O inquérito da PF é baseado em uma auditoria preliminar da CGU. Segundo Israel Carvalho, três Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) são apontadas nas investigações. “Duas delas que já atuavam e uma terceira estava começando a entrar no esquema”. Eloisa Albuquerque disse que servidores dos órgãos públicos executavam as fraudes, como favorecimento em processos de licitação e até as simulações na execução dos serviços. “As OSCIPs pulverizavam os lucros entre as empreiteiras”. Segundo a delegada, os parlamentares responsáveis pelas emendas federais não foram citados no inquérito. “Estamos investigando o que se fez com os recursos. A mera indicação de emendas não é crime”, ponderou.

   Os envolvidos deverão ser indiciados por formação de quadrilha, estelionato, fraude em licitações, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva, prevaricação, dentre outros.

Confirma os nomes de parte dos detidos na Operação Hygeia
1. Faustino Dias Neto (DEM) - ex-prefeito de Santo Antonio do Levereger
2. Valdebran Padilha - empreiteiro e engenheiro eletricista
3. Edson Vitório - ex-coordenador da Funasa
4. Ídio Barros - responsável pelas licitações da Funasa
5. Edson Pertile - servidor do setor de Planejamento da Funasa
6. Gleida Marisa - assessora de gabinete da Funasa
7. Lauriel da Silva - servidora da Funasa no Distrito Sanitário Especial Índigena em Canarana
8. Marco Antônio Stangherlim, coordenador da Funasa
9. Rafael Bastos - secretário geral do PMDB
10. Carlos Miranda - tesoureiro regional do PMDB
11. Jose Luís Bezerra, sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB)

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Comentários (5)

  • Ricardo da Matta | Quinta-Feira, 08 de Abril de 2010, 09h53
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    A corda se aperta em volta do pescoço do cacique Carlos Bezerra. Citado em dezenas de escândalos, continua impune graças, segundo se sabe, à intima relação com a cúpula do PMDB nacional, aquela igualmente presente nos grandes escândalos nacionais e igualmente impune. Mas desta vez caiu a casa de alguns de seus títeres, entre eles um de seus principais assessores, Carlos Miranda, e de seu sobrinho, Luís Bezerra, que foi candidato a vereador pelo PMDB em Rondonópolis.

  • mario cui/pox | Quinta-Feira, 08 de Abril de 2010, 07h54
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    EM POXORETEM TB OBRAS DA FUNASA SEM COMCLUIR DESDE 2006, SERA QUE QUE ESSE MENTOR INTELETUAL DO ESQUEMA NÃO ESTA POR LÁ TAMBÉM, PODE MANDAR INVESTIGAR, POIS SE NÃO FOR O EX PREFEITO DE POX DEVE SEER MUITO AMIGO DELE OU SOCIO DELE.

  • Priante | Quarta-Feira, 07 de Abril de 2010, 20h29
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    Priante, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • RALF | Quarta-Feira, 07 de Abril de 2010, 20h16
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    ESSE TAL DE KAMIL FARES É DESSE POVO AI DA MESMA ORIGEM,,,,DESSE POVO DO BEZERRA,,,TROCARAM 6 POR MEIA DÚZIA,,,,VERGONHOSO O WILSON SEMPRE TEVE A RAZÃO O POVO RUIM MESMO,,,CUIADADO SINVAL OLHA QUEM VC COLOCOU AI,,,VAI PAGAR CARO HEIN

  • PEDRITO | Quarta-Feira, 07 de Abril de 2010, 17h19
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    Bezerra, e agora ? a quem interessa essa ação ........? .Sinval? Mauro? Wilson?

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