Judiciário

Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 07h:33 | Atualizado: 02/03/2021, 07h:11

CAMPANHA

PF quer ouvir Wilson sobre um vídeo de compra de votos em campanha a prefeito

A Polícia Federal pretende ouvir o deputado estadual Wilson Santos (PSDB) sobre um vídeo em que aparece a suposta compra de votos durante a campanha dele a prefeito de Cuiabá, em 2016. O inquérito tramita desde outubro daquele ano, mas até o momento o parlamentar não foi ouvido.

Reprodução

Compra de votos Wilson Santos em 2016

Vídeo encaminhado à Polícia Federal mostra suposta compra de votos para Wilson em 2016

A suspeita é que a campanha de Wilson estaria à época pagando R$ 50,00 para adesivar os carros de eleitores da Capital. As imagens foram flagradas em frente à sede da Pantanal Transportes, no bairro Jardim Vitória. Wilson disputou a prefeitura e foi derrotado pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) em 2016.

Em 4 de fevereiro deste ano, o delegado Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi determinou que Wilson seja intimado a prestar esclarecimentos. A PF tenta também ouvir Ricardo Adriani, servidor que está atualmente no gabinete do deputado Eduardo Botelho (DEM), para prestar depoimento, porque ele foi citado por outras testemunhas do caso.

Desde 2016, a PF conseguiu identificar claramente apenas duas pessoas no vídeo com a denúncia encaminhada por uma advogada à Justiça Eleitoral. Thafarel Fernando Lima de Oliveira e Jânio Boaventura Maia aparecem na gravação falando sobre valores que seriam pagos pela adesivagem nos carros. Contudo, à PF eles negaram que houvesse compra de votos.

A advogada identificada apenas como “Lorena”, responsável pela denúncia, também deve ser ouvida pela PF para identificar condutores de veículos que foram adesivados em troca de dinheiro. A PF apreendeu um pen drive que contém a gravação feita na campanha de 2016 e uma nota de R$ 50,00, que seria a prova da compra de votos.

Assessoria

Wilson Santos

O deputado Wilson Santos disputou a prefeitura em 2016 e é suspeito de comprar votos

Thafarel foi ouvido em 27 de janeiro deste ano. A PF cita que, no vídeo, um homem identificado como “Saulo” fala a seguinte frase: "Se ele pagasse mais ia deixar colocar a foto dele inteira, cinquenta é muito pouco". Thafarel identificou que o homem trabalha na Pantanal Transportes como instrutor dos motoristas.

Jânio também prestou depoimento, em 26 de janeiro. Ele negou que tenha havido compra de voto. No relato da oitiva, os policiais citam que outra pessoa não identificada diz que estava "todo mundo querendo ganhar um dinheirinho". A PF afirma que a resposta de Jânio gravada no vídeo foi “todo mundo”, como se concordasse. Em seu depoimento, porém, ele diz que a resposta é “vai preso”.

"Que apesar dos diálogos constantes no vídeo mencionarem várias vezes o pagamento de dinheiro em troca da adesivagem, o declarante reafirma não ter pago e também não presenciado qualquer pagamento para tanto; Que o declarante não realizou qualquer pagamento em troca de adesivagem de veículo", diz trecho do depoimento de Jânio. "Não lembro de nada disso", resume à PF.

Reprodução

Compra de votos Wilson Santos em 2016

Vídeos mostram a movimentação para a suposta compra de votos em 2016 no bairro Jardim Vitória

O caso tramita na 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá, que é a Vara da Justiça Eleitoral especializada em casos de crimes comuns em conexão com crimes eleitorais, seguindo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em outubro de 2020, o juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira deu mais 90 dias de prazo para o inquérito da PF, com concordância do Ministério Público Eleitoral. O caso voltou ao juiz para decisão sobre nova ampliação do prazo na última semana.

A abertura do inquérito foi determinada em 9 de janeiro de 2017 pelo, à época, juiz-membro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) Marcos Faleiros da Silva, ante pedido a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), e chegou à PF em 24 daquele mês. A autorização do TRE-MT era necessária porque Wilson tinha foro por prerrogativa de função, o chamado "foro privilegiado", na 2ª instância. Apenas em 5 de abril de 2017 foi instaurado o inquérito.

O caso voltou à 1ª instância em junho de 2018, por decisão do então juiz-membro do TRE-MT Luís Aparecido Bortolussi Júnior, após mudança no entendimento do STF sobre o foro.

Em agosto de 2018, o delegado Marcellus Henrique de Araújo chegou a opinar pelo encerramento das investigações porque não era possível localizar a advogada que fez a denúncia nem identificar proprietários dos carros ou outras informações para auxiliar no inquérito. Depois, contudo, Jânio e Thafarel foram identificados e o caso voltou a andar. O inquérito ficou suspenso desde março de 2020 em razão da pandemia de Covid-19 e passou a tramitar novamente em 2021.

Outro lado

Em nota, o deputado estadual Wilson Santos (PSDB) informou que não foi intimado oficialmente de nenhum procedimento de investigação. "O parlamentar ressalta ainda que não comenta investigações em curso independente da natureza do órgão fiscalizador", disse.

Postar um novo comentário

Comentários (8)

  • Mauro | Terça-Feira, 02 de Março de 2021, 21h44
    0
    0

    Estão querendo quebrar a asa do Galo Índio W.S.

  • QUARTO CRESCENTE CERVEJA E CIA | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 11h31
    3
    3

    2016!!!!! pega os que estão cometendo crimes hj

  • Realista mais realista que o rei | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 10h12
    14
    0

    Sempre a justiça e seus entes chegando após as portas arrombadas. Logo tudo prescreve e fica por isso mesmo. Triste Brasil!

  • Eliza | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 09h58
    13
    0

    Esse Ricardo Adriane é o maior mala que existe na face dessa terra. Vive humilhando pessoas e servidores. Ninguém merece! Sua hora vai chegar

  • Jaquelina | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 09h42
    10
    0

    Sumido ou nao encontrato ?? Esse ta batendo ponto em MG o dono da cidadezinha, mais rico que ele tem cantor e jogador de futebol, pode investir que acha, agora se vai dar em alguma coisa é outro papo.

  • Quico | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 09h16
    12
    1

    Esse Ricardo é bem conhecido no MP e judiciário, pode pedir música varias vezes, trincas e trincas de rolo, quem diga os fornecedores que ja conviveram com a figura. Tem que saber quem leva pro seu time galo índio, tem ajuda que puxa pra baixo !

  • José Cuiabano | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 08h39
    11
    1

    Somente agora em 2021. Já se passaram 05 (cinco) anos. Esses tipos de apuração em supostos crimes eleitorais deveriam ser apurados e julgados no máximo em dois meses. No entanto, temos vários exmplos aqui em Mato Grosso, que nem as investigações ainda não se encerram durante todo o mandato eletivo.

  • Osvaldo Nogueira | Segunda-Feira, 01 de Março de 2021, 08h10
    10
    1

    Chove festa patrocinada por políticos, pagamento de cabos eleitorais, gravação de compras de voto por meio do patriarca da família, tudo gravado, mas sem autorização da Justiça, parece que isso nada vaçle. Ano após ano as denúncias são abundantes e nada acontece. Essa é mais uma, há 4 anos volta e meia ela reaparece na mídia.

Derrotado ensaia disputa ao Governo

reinaldo morais 400 curtinha   O empresário Reinaldo Morais (foto), o rei dos porcos, está disposto a gastar mais uns milhões com nova candidatura majoritária, agora para governador. No ano passado, concorreu ao Senado e obteve votação decepcionante. Foi o penúltimo colocado numa corrida com 11...

Sicredi recua de comprar praça pública

enilson rios 400 prefeito araputanga   A diretoria do Sicredi nem esperou ser votado na Câmara Municipal o polêmico projeto sobre negociação de uma praça pública no centro de Araputanga para cancelar o negócio. A cooperativa havia "amarrado" entendimento com o prefeito Enilson de Araújo...

Sessão, voto e namoro com cantora

ulysses moraes 400   Na sessão virtual da Assembleia desta segunda, o deputado Ulysses Moraes (foto), do PSL, estava demorando para computar o voto na apreciação de um veto do governador. O presidente Max Russi (PSB), então, cobrou agilidade do colega e brincou, dizendo que agora ele só tem olhos para a Maraisa....

Misal é reeleito para o 10º mandato

misael galv�o 400 curtinha   Após dois anos fora do comando do Shopping Popular, período em que respondeu pela presidência da Câmara da Capital, o ex-vereador Misael Galvão (foto) voltou à direção do empreendimento, que abriga 500 lojas. E, sob forte...

Oscarlino, Pros e "nocaute" em Gisela

oscarlino 400   Na queda-de-braço dentro do Pros por espaço político, o ex-sindicalista Oscarlino Alves (foto) nocauteou a ex-superintendente do Procon-MT, Gisela Simona. Ele foi um dos filiados que não aceitaram apoio a Abílio na disputa de segundo turno para prefeito de Cuiabá, se aliou ao projeto de...

Promotor recebe medalha do Exército

Mauro Zaque curtinha   O promotor de Justiça Mauro Zaque (foto) foi condecorado com a medalha do Exército Brasileiro na manhã desta segunda (19), no dia da instituição. A solenidade é considerada a segunda maior do Exército Brasileiro, foi reservada por conta da pandemia e contou com a...