Judiciário

Segunda-Feira, 09 de Setembro de 2019, 19h:35 | Atualizado: 10/09/2019, 07h:54

COMBATE À CORRUPÇÃO

Procurador-chefe de MT vê risco à Ararath pela indicação de Bolsonaro para a PGR

Rodinei Crescêncio

Gustavo Nogami

O procurador-chefe do MPF em Mato Grosso, Gustavo Nogami, durante leitura de carta em defesa da instituição, em Cuiabá, na tarde desta 2ª

O procurador-chefe do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso, Gustavo Nogami, disse ver riscos ao andamento da Operação Ararath, a principal conduzida pelo órgão no Estado, em razão da escolha de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Aras não participou da eleição feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e não estava na lista tríplice encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A Ararath, que teve suas primeiras fases deflagradas em 2014, chegou a ser equiparada à Lava Jato em termos de abrangência das investigações, desbaratando um esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, servidores públicos e empresários de Mato Grosso. No início, a operação atuou com uma força-tarefa.

Gustavo Nogami lembrou posicionamentos anteriores de Augusto Aras contrários à força-tarefa da Lava Jato, tanto na unidade principal de Curitiba (PR) quanto outras em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, esta última sob comando direto do PGR. Para ele, há um enfraquecimento no combate à corrupção com a escolha de um nome fora da lista tríplice.

“E outras forças-tarefa (estão sob risco)... Greenfield, Zelotes, aqui no Estado de Mato Grosso a Ararath, que nós tivemos uma força-tarefa no passado e a ideia era retomá-la na nova gestão. E o que se vislumbra é que nós teremos bastante dificuldade pelas declarações do escolhido para retomar os trabalhos no formato de força-tarefa”, afirmou o procurador.

Diversos investigados, como o ex-senador da República Blairo Maggi (PP), perderam foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) e os procedimentos e processos relativos a eles foram enviados à Justiça Federal na primeira instância em Mato Grosso. O MPF, segundo Nogami, se planejava para montar uma nova força-tarefa para o caso.

E é por isso que estamos tão preocupados com essa escolha, e a forma como essa escolha foi feita, sem um compromisso com o desenvolvimento desse trabalho

Gustavo Nogami

“Nós temos muita informação que precisa ser processada, nós recebemos do STF bastante material que precisa ser analisado. A ideia era que nós montássemos um grupo regional aqui no Estado, com colegas do interior e da Capital. Para isso precisaríamos do auxílio da PGR, com estrutura humana, servidores, cargos... estrutura financeira para suportar a vinda de procuradores para auxiliar aqui. E se, de fato, o novo PGR adotar um posicionamento contrário a essas forças-tarefa, como no passado já se posicionou, infelizmente nós não conseguiremos remodelar essa nossa força-tarefa e dar vazão a esse trabalho tão importante para o Estado”, avaliou Nogami.

Sob coordenação da procuradora Vanessa Cristhina Zago, a Ararath atingiu R$ 500 milhões em valores recuperados por meio de ações propostas a partir das investigações em parceria com a Polícia Federal.

“Existe margem para um aumento desse trabalho, só que nós precisamos de braços e pernas para poder de fato desenvolver essa atuação. E é por isso que estamos tão preocupados com essa escolha, e a forma como essa escolha foi feita, sem um compromisso com o desenvolvimento desse trabalho”, criticou o procurador-chefe do MPF.

O nome de Augusto Aras ainda deve ser confirmado em sabatina pelo Senado Federal. O procurador-chefe em Mato Grosso ressaltou que a ocasião será uma oportunidade para ouvir do escolhido por Bolsonaro suas intenções como chefe do MPF. “Não sabemos o que foi prometido pelo indicado ao presidente da República em reuniões a portas fechadas”, resumiu Nogami.

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Comentários (3)

  • Marcos Mato Grosso | Terça-Feira, 10 de Setembro de 2019, 13h11
    4
    0

    O procurador só é legalista quanto lhe convém, haja vista que NÃO HÁ PREVISÃO CONSTITUCIONAL OU LEGAL DE INDICAR MEMBRO DA LISTA TRÍPLICE, essa mera invenção CORPORATIVISTA. Sendo assim, procurador, por que está reclamando do Presidente da República cumprir a Constituição da República de 1988???? Férias anuais de 60 dias, recesso de 20 dias por ano e licença-prêmio de 90 dias para os procuradores da República não deveriam ser pautas para protestos, face a grave prejuízos que essas regalias de vocês acarretam à sociedade? Com certeza, a grande maioria da população não sabe que vocês têm essas mamatas em detrimento dos contribuintes.

  • thiag | Terça-Feira, 10 de Setembro de 2019, 07h39
    7
    0

    Eu não acho que o presidente deveria ter essa prerrogativa, mas já que é uma prerrogativa do presidente, e eu e no lugar dele, não faria diferente.

  • Roberto Imperial Cuiabá | Segunda-Feira, 09 de Setembro de 2019, 21h06
    8
    0

    Então quer dizer que apenas os três indicados da lista tríplice são ilibados, os demais não o são! Parabéns Presidente Bolsonaro, se V.Excia. tem prerrogativas para escolha, manda brasa, quem manda é o Capitão. TmJ!

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