Judiciário

Quarta-Feira, 05 de Agosto de 2020, 16h:37 | Atualizado: 06/08/2020, 09h:56

desvio de verbas

Riva: provas foram destruídas e esquema continuou mesmo afastado da AL - vídeo

Reprodução

Jos� Riva

O ex-presidente da AL, José Riva, durante gravação de parte da sua delação homologada pelo TJMT, em que fala sobre destruição de provas

Em deleção premiada, o ex-presidente da Assembleia José Riva relatou a destruição de  diversos documentos no qual comprovariam que deputados participaram de esquema de desvio da verba de suprimentos e da verba indenizatória. A declaração está no anexo 19 do acordo de colaboração premiada (delação) firmada entre o ex-parlamentar e o Ministério Público Estadual (MPE).

A delação de Riva foi homologada em fevereiro deste ano. O responsável pela homologação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) foi o desembargador Marcos Machado.  

Em vídeo obtido por , Riva detalha o esquema desmantelado pela Operação Metástase, que apurou desvio de R$ 2 milhões dos cofres da Assembleia por meio das verbas de suprimento e indenizatória. No depoimento, relatou que após o cumprimento de mandados de busca e apreensão pelo MPE em 2015, servidores  do Legislativo se movimentaram para retirar e destruir parte dos documentos que comprovariam o esquema.

Na época, Riva já havia deixado a vida pública enquadrado na Lei da Ficha Limpa. A Assembleia era presidida por Guilherme Maluf (então no PSDB), atual presidente do Tribunal de Contas (TCE-MT) .

“Eu me recordo disso, de que todos os documentos em relação aos outros deputados e em relação a primeira-secretaria foram destruídos juntamente com documentos da verba indenizatória que seguia o mesmo modus operandi do suprimento de fundo (...) Esses documentos foram destruídos. Foram retirados da mesa do presidente da Assembleia, Guilherme Maluf, e foram destruídos para que outros, inclusive eles mesmos, não fossem atingido por essa operação”, declarou Riva em depoimento.

Complemento Salarial

No depoimento, Riva ainda relatou que a verba indenizatória também era desviada para complemento salarial dos deputados. Além do gabinete da Presidência da Assembleia, afirmou que a prática ocorria na mesma proporção na primeira-secretaria e em menor escala nos gabinetes dos parlamentares.

Esquema continuou

Riva lembrou que foi afastado da Presidência da Assembleia em junho de 2013 e que chegou a ser preso pela Operação Ararath, deflagrada em maio de 2014.  No entanto, garantiu que apesar do seu afastamento, o esquema de desvio de verbas do Legislativo continuou.

“Os documentos apreendidos no teto da sala do chefe de gabinete não eram do meu conhecimento. Ele se deu na Operação Ararath, em maio de 2014. Também uma questão que eu tenho que esclarecer é que mesmo quando eu sou afastado da presidência de junho 2013 a dezembro de 2014, o chefe de gabinete era mantido e essas verbas continuavam sendo administrada por eles (...) logicamente que recebiam comando do novo presidente, mudava um pouco o tipo de atendimento, mas não deixavam de atender aquelas demandas”, confessa.

Os documentos apreendidos no teto da sala do chefe de gabinete não eram do meu conhecimento

José Riva

Com o afastamento de Riva da presidência, por determinação Judicial, Romoaldo Júnior (MDB) o substitui no cargo. O emedebista está na lista de delatados.

 Operação Metástase

Mesmo após a deflagração da Operação Metástase, conforme Riva, o servidor da Assembleia Vinicius Prado Silveira, e o contador Hilton Carlos da Costa Campos continuaram a fornecer “notas frias”. Além da presidência, a primeira-secretária e vários deputados se utilizariam do esquema de corrupção

 Por causa desse esquema, que desviou R$ 600 mil, a Assembleia foi alvo da Operação Déjà Vu, do Gaeco. Essa operação foi deflagrada em agosto de 2018.

Outro lado

 Em nota, o presidente do TCE, conselheiro Guilherme Maluf, nega as acusações feitas por Riva e lamentou que mais uma vez o delator apresente denúncia sem absolutamente nenhuma prova. "Na minha gestão a frente da Assembleia não houve destruição de documentos. Ao contrário da gestão do delator a frente do Poder Legislativo, que aprovou inclusive lei e incinerou documentos do Parlamento"

A defesa de Riva não comenta o vazamento dos vídeos. Argumenta que a delação está em segredo de Justiça. Vinicius Prado Silveira e  Hilton Carlos da Costa Campos não foram localizados para comentar a decisão.

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Comentários (1)

  • Valdir Santos | Quinta-Feira, 06 de Agosto de 2020, 11h37
    1
    0

    Há inúmeras denúncias, e os fatos falam por si. A Justiça está se comprometendo em relação a essa Operação.

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