Judiciário

Segunda-Feira, 07 de Novembro de 2016, 14h:15 | Atualizado: 07/11/2016, 14h:16

Selma aceita denúncia da Sodoma 4 e Silval, Piran e mais 15 viram reús

A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual relativa à Sodoma 4. Com isso, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o empresário Valdir Piran e o ex-secretário de Planejamento Arnaldo Alves tornaram-se réus nesta ação. O trio teve a prisão decretada na quarta fase deflagrada em setembro. Além desses, outras 14 pessoas também passam a responder neste processo.

Gilberto Leite/Rdnews

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 Juíza da 7ª Vara Criminal, Selma ainda manda arquivar inquérito policial contra filho de Valdir Piran

Conforme o despacho da magistrada, proferido com base na denúncia do MP, em 2013, Silval expôs ao chefe da Casa Civil Pedro Nadaf a necessidade de levantamento do valor de R$ 10 milhões pertencentes ao erário, para saldar uma dívida particular que tinha com Piran. “A partir desse fato, os membros da organização criminosa teriam se movimentado para alcançarem esse fim, oportunidade na qual a justificativa pela expansão da área do loteamento acima indicado foi identificada como fonte de obtenção dessa vantagem indevida”.

Segundo o MP, Arnaldo era membro efetivo da organização criminosa que, durante a gestão do peemedebista, ocupou diversos cargos e no período em que permaneceu na antiga Septu, “tinha como incumbência solicitar e intermediar o pagamento de propina por parte das contratadas por aquela secretaria. Durante o período em que permaneceu como secretário de Planejamento, teria, ainda, promovido os ajustes orçamentários necessários para que os intentos criminosos da organização fossem atingidos”, diz trecho da denúncia.

A referida dívida contraída por Silval foi confirmada por Piran, nas declarações prestadas à autoridade policial, informando que foi contraída em 2013, durante a administração como governador, quando lhe emprestou para quitação em curto prazo, sem especificar qual, o valor de R$ 5 milhões.

O empresário sustentou ainda que o empréstimo foi pessoal, retirando esta importância das contas-correntes de sua pessoa física, “não se recordando como ocorreu a entrega, porém, a dívida não foi saldada nas condições aprazadas, razão pela qual passou a cobrá-lo, atualizando a importância que atingiu a monta de R$ 10 milhões isto no ano de 2014”, consta no documento.

Além do recebimento da denúncia, Selma determinou o arquivamento do inquérito policial contra Sebastião Faria e Valdir Piran Junior, tendo em vista que não foram denunciados neste feito, ressalvada a possibilidade de desarquivamento. “Considerando o arquivamento acima determinado, revogo as medidas cautelares decretadas em desfavor de Valdir Piran Junior, e determino a sua intimação acerca desta decisão”, trecho do despacho da juíza.

Denunciados

Além de Silval, Piran e Arnaldo, constam como réus o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf; ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi; ex-procurador do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima; ex-chefe de Gabinete de Silval, Silvio Correa; ex-secretário adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro, os ex-secretários de Administração, Cézar Zílio e Pedro Elias; filho de Silval, médico Rodrigo Barbosa; ex-secretário de Nadaf na Fecomercio Karla Cecília de Oliveira Cintra; ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; ex-presidente da Metamat João Justino Paes de Barros; o advogado Levi Machado de Oliveira; e os empresários Antonio Rodrigues de Carvalho, Alan Malouf.

Sodoma

O empresário Valdir Piran foi alvo da Operação Sodoma - que já teve várias fases - e é acusado de ter ajudado o grupo de Silval a lavar dinheiro. Ele foi preso em Brasília, em setembro, na 4ª fase da operação, por suposta fraude em desapropriação no Jardim Liberdade.

De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, o grupo teria movimentado um percentual correspondente a 50%, ou seja, R$ 15,8 milhões retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller em prol do grupo criminoso. De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado (R$ 10 milhões) pertencia ao chefe Silval, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso, os ex-secretários Nadaf, Marcel, Arnaldo, Afonso Dalberto e o procurador Chico Lima.

Piran nega ter agredido Silval e não cogita delação premiada vídeo aqui

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