Judiciário

Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h:30 | Atualizado: 17/07/2019, 12h:54

Zaqueu diz que tinha intenção de purificar a PM e foi usado por Taques veja como foi

Rodinei Crescêncio

Zaqueu Barbosa

Coronel Zaqueu Barbosa sentado a frente do juiz Marcos Faleiros para ser reinterrogado na ação militar que apura a instalação dos grampos ilegais

O cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Junior e os coronéis Evandro Alexandre Ferraz Lesco e Zaqueu Barbosa são reinterrogados em audiência marcada para esta terça (16), pelo juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Especializada na Justiça Militar. Eles são réus no caso conhecido como Grampolândia Pantaneira.

Durante o depoimento, Zaqueu revelou que se sentiu usado pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB) e por parte do Ministério Público Estadual (MPE), após o esquema de escutas ilegais em Mato Grosso. Disse que só aceitou fazer parte, pois tinha a intenção de "purificar" a Polícia Militar, por meio da investigação da conduta de militares.

O ex-comandante da PM fala ainda de reunião em 2014 com o ex-governador, por intermédio de seu primo, Paulo Taques, que foi chefe da Casa Civil. Acreditava que o esquema de grampos só funcionária no período eleitoral e que o equipamento ficaria na PM para a investigação de militares.

Além disso, Zaqueu revelou que foi procurador pelo cabo Gerson, a pedido do promotor Marco Aurélio de Castro, então chefe do Gaeco, para grampear a deputada Janaina Riva.

"A minha intenção era com o governo Pedro Taques criar uma nova era, mais séria, saneava a PM, eu ia para a reserva e deixava uma instituição mais purificada do que está aí hoje. Eu fui usado. Eu tinha um interesse, mas o senhor Pedro Taques se valeu disso e parte do Ministério Público também, porque a Janaina Riva foi ouvida".

A audiência

Neste processo, apenas os militares são julgados. O coronel Ronelson Jorge de Barros e o tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista também são réus.

Além do magistrado, o Conselho Especial formado pelos coronéis reformados Elierson Metello De Siqueira, Valdemir Benedito Barbosa, Luiz Claudio Monteiro Da Silva e Renato Antunes Da Silveira Junior também julga os militares.

Os dois coronéis e o cabo tentaram fechar acordos de colaboração premiada (delaçã) com o Ministério Público Estadual (MPE), mas tiveram os pedidos negados. O órgão alegou que eles não teriam trazido fatos novos e que as investigações teriam elementos mais que suficientes para a condenação dos militares. Gerson, Lesco e Zaqueu, porém, já haviam pedido o reinterrogatório no início deste ano.

De acordo com o MPE, o cabo teria sido o responsável por instalar um escritório de interceptações telefônicas ilegais na Capital, sob comando de Lesco. Já o coronel Zaqueu teria sido o responsável por indicar os telefones a serem grampeados. 

O primeiro a ser reinterrogado foi Zaqueu, que na tentativa de delação disse que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) e o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, sabiam do esquema de escutas ilegais, que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira.

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  • 17h:35

    Intervalo na audiência. O cabo Gerson deverá ser ouvido apenas na quarta (17) e o coronel Lesco logo após um breve intervalo.

  • 17h:27

    O coronel revelou que as tratativas para um acordo de delação premiada estavam tramitando no Ministério Público Federal (MPF) até Pedro Taques deixar o cargo de governador. Em 2018, os processos vieram para Mato Grosso. "Lá estava andando bem", indicou frustrado pela negativa do Ministério Público Estadual (MPE).

  • 17h:24

    Ânimos quentes entre advogados e o membro do MPE. Uma das advogadas do coronel vai até ele para dar uma orientação, quando o promotor Vinícius Gahyva diz que "gostaria também de um advogado que o acompanhasse nas audiências e até mesmo em idas ao banheiro", em referência a um intervalo pedido pela defesa de Zaqueu momentos antes do início do depoimento. Uma discussão se instala e é acalmada pelo juiz Marcos Faleiros em seguida.

  • 17h:20

    O promotor Vinícius Gahyva faz perguntas ao coronel, que se mostra irritado com a insistência em voltar a fatos que, no entendimento de Zaqueu, já foram esclarecidos.

     

  • 16h:56

    Os juízes militares e promotor Vinícius Gahyva passam a questionar o coronel sobre detalhes das informações prestadas.

  • 16h:43

    O coronel afirmou que logo após as eleições de 2014 deixou de acompanhar diretamente as interceptações telefônicas. O controle teria ficado a cargo do coronel Airton Siqueira, que depois se tornou chefe da Casa Militar e teria dado continuidade ao esquema dentro da pasta.

  • 16h:33

    O último grampo teria sido feito até julho de 2015, no período em que o ex-secretário da Sesp Mauro Zaque descobriu as interceptações. O coronel Zaqueu afirmou que existia um novo pedido para prosseguir com os grampos, mas o esquema teria sido desmontado a pedido de Zaque e do ex-governador Pedro Taques.

  • 16h:29

    Zaqueu indicou que históricos de chamadas, localizações de Estações de Rádio Base (ERB), câmeras de monitoramento, entre outras provas poderiam corroborar suas reuniões com Paulo e Pedro Taques.

  • 16h:25

    Sobre a questão da placa do sistema Wytron, utilizada inicialmente para as interceptações, o coronel confirmou que o equipamento teria sido tirado de dentro do Ministério Público Estadual (MPE). "Eu fui atrás na origem disso. Existiam duas placas, uma era da Polícia Civil e outra do Ministério Público, que foi adquirida na época da questão dos combustíveis. Eu fiz a segurança da pessoa da Sefaz que fiscalizava os combustíveis. Esta placa era do Ministério Público e quando o Guardião foi instalado essa placa ficou lá. E o Gerson me falou depois que essa placa saiu de lá, e um técnico confirmou isso".

  • 16h:22

    Sobre a informação de que haveria um risco à vida do ex-governador Pedro Taques para justificar grampos, Zaqueu explica que toda informação que tinha à época era o que foi repassado pelo ex-secretário Paulo Taques, que informou sobre um possível conluio entre Tatiane Sangalli, Muvuca e o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro.

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Comentários (1)

  • Davi | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 18h19
    2
    0

    Como disse um notável filósofo há homens e chupa pinças. Foram fazer tudo o que o Pedro ditador Taques queria deu nisso.

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