Legislativo

Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 10h:07 | Atualizado: 14/04/2016, 10h:46

CPI da Funai

Acusado de incitar violência, gestor se cala; Leitão menciona vida de luxo

Alexssandro Loyola

Contag Aristides Veras dos Santos nilson leitao.jpg

 Secretário da Contag, Aristides Veras dos Santos, permaneceu calado em CPI

Acusado de incitar a violência por declarações feitas no Palácio do Planalto, o secretário  de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, permaneceu calado durante a CPI da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Câmara dos Deputados. O silêncio foi respaldado por habeas corpus do STF.

O secretário da Contag foi convocado porque, segundo deputados da CPI, estimulou a violência em cerimônia no Palácio do Planalto no último dia 1º, dizendo que era preciso invadir as propriedades e gabinetes de parlamentares favoráveis ao impeachment. “A bancada da bala no Congresso Nacional, vocês sabem que é forte, e a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E a Contag e os movimentos sociais do campo é que vão fazer isso”, disse ele na ocasião.

Para o relator da CPI, deputado Nilson Leitão (PSDB), a colocação dele foi intencional e com a conivência da presidente Dilma e de outros governistas.  O parlamentar ressalta que, na verdade, o secretário não queria defender a reforma agrária, mas sim o governo do PT contra o impeachment. “Não pode um cidadão partidarizado, politizado, querer defender o impeachment e usar esse instrumento para atacar a sociedade brasileira. É uma questão de opinião, de democracia”.

As declarações do secretário, que foram mostradas em vídeo durante a CPI, também foram criticadas pelo deputado Adilton Sachetti (PSB). “O senhor disse que invadiria as nossas casas. Eu nunca tive, nunca fiz uso de uma arma, não faço parte de nenhuma entidade ligada ao setor da bala, mas eu sou proprietário rural, eu sou produtor rural. E a minha vida toda eu trabalhei a terra. Como é que da noite para o dia, porque eu tenho uma posição política, eu sou inquisitado a me colocar na defensiva por uma ameaça?”, afirmou o deputado.

Segundo Sachetti, os deputados da CPI acreditavam que o secretário da Contag iria se pronunciar para pedir desculpas ao país. “Achamos que o senhor diria que foi um momento de entusiasmo, e no momento do entusiasmo muitas vezes a gente erra na colocação das palavras e com isso nós poderíamos tirar esse clima tenso que nós vivemos. Pelo contrário, isso eleva mais ainda essa fervura”, completou.

Vida luxuosa

Leitão também apresentou informações que mostram a vida luxuosa do secretário, em contradição com a defesa que faz e o cargo que exerce em defesa dos trabalhadores pobres do campo.

“Os 10 milhões de associados da Contag são sabedores do seu endereço em um bairro nobre de Brasília, do apartamento avaliado em R$ 1,5 milhão? As despesas de viagens internacionais do senhor e de vossa família? Que seu carro Honda Civic vale hoje R$ 60 mil?”, indagou o deputado. Segundo o tucano, um dependente de Aristides estudou em um dos colégios mais caros de Brasília, em que a mensalidade custa R$ 2,7 mil.

Presente a reunião, o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) ressaltou que a Contag merece respeito e deixou claro que ninguém está criminalizando a instituição. Ele destacou que as questões a serem discutidas dizem respeito a assuntos agrários e ao que foi dito pelo secretário. “Aquele foi um episódio grotesco. O silêncio não torna ninguém imune à investigação. Meu propósito é buscar a verdade”, justificou.

Houve discussão durante a reunião da CPI e deputados do PT tentaram impedir o relator de fazer seus questionamentos. Nilson Leitão rebateu e declarou que antes mesmo de Aristides ter ido ao Planalto fazer seu discurso ele já vinha recebendo ameaças em suas redes sociais. O tucano disse ainda que o secretário da Contag perdeu a oportunidade de se defender, ao mesmo tempo em que ele mostrou a verdade sobre o militante da causa pró-Dilma.

Segundo o parlamentar, a vida que leva o secretário não é a mesma vida que vive o pequeno produtor brasileiro que depende de financiamentos, de ajuda de prefeitura, de estados e até mesmo da sociedade. “Ele não representa de fato os seus representados sindicalizados da Contag”. 

A CPI que ouviu hoje o secretário da Contag é destinada a investigar a atuação da Funai e do Incra na demarcação de terras. (Com Assessoria)

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Comentários (7)

  • JOÃO SEM TERRA | Sexta-Feira, 15 de Abril de 2016, 11h20
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    infelizmente, tanto a Contag quanto o MST, ao invés de realmente defender os interseres do trabalhador rural, tornaram-se verdadeiras indústrias da maracutaia, com negociatas de terras, apadrinhamento político, incitando a violência no campo, no cometimento de crimes e demais atos ilícitos, que, se fosse cometido por qualquer cidadão comum, estariam atrás das grades, porém essa sensação de impunidade acobertada pelo PT faz com que estes que se dizem representantes dos "menos" favorecidos, tornem-se criminosos institucionalizados pela bandeira vermelha. Precisamos dar um basta nisso e que a propriedade privada produtiva seja respeitada, não somente por ser princípio constitucional, mas sim por ser a classe produtora a grande responsável pelo nosso PIB.

  • Ricardo Barbosa Lopes | Sexta-Feira, 15 de Abril de 2016, 10h39
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    FICO INDIGNADO AO VER DEPUTADOS CORRUPTOS E QUE RESPONDEM PROCESSOS QUEREREM DAR LIÇÃO DE MORAL EM ALGUÉM. NA MINHA OPINIÃO, O CONGRESSO DEVERIA SER DESFEITO, FECHADO E A PRESIDENTA CONVOCAR NOVAS ELEIÇÕES GERAIS URGENTE!

  • Magno Mastery. | Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 14h16
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    Na minha opinião acho que a Contag e o Mst,deveriam ser entidades livres, e não ser usadas por siglas partidarias,para serem usadas como "BUCHAS" de canhão. A terra não tem cores partidarias. Pelo Brasil ainda se passarão,dezenas de presidentes. E não, de um só partido. O Brasil não é. e nunca será Comunista. Pois esse modelo é ultrapassado,não deu certo em Cuba,Venezuela,Corréa do Norte etc.

  • alexandre | Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 12h52
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    Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: “Atirar para matar” José Silvio também pede cordas para enforcar deputados e senadores golpistas. cadê a policia federal pra investigar ?cadê o ministro da justiça que só defende moagem de chico Buarque ?

  • alexandre | Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 12h49
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    nada que tropa de choque ou exercito não dê jeito, se precisar formaremos milicias para enquadrar os vermelhinhos que não respeitam a democracia e o povo, o brasileiro é pacífico, mas não somos bestas, a turmada peteba vai ter fugir pra bolivia se resolverem oprimir a população.

  • ELEITOR | Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 10h49
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    ELEITOR , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • JEFERSON MATOS | Quinta-Feira, 14 de Abril de 2016, 10h32
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    Todos conhecem, ou ao menos deveriam conhecer, as verdadeiras intenções da Contag e do MST. É fazer desse país mais uma Venezuela, Coréia do Norte. Eles incentivam invasões e muitas vezes utilizam de violência contra o produtor rural. Pra mim, invasão de propriedade privada é crime tanto na cidade quanto no campo.

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