Legislativo

Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 08h:06 | Atualizado: 10/01/2011, 09h:28

BRASÍLIA

Cada congressista custa R$ 100 mil; salário é o maior do mundo

    O reajuste de 62% que os congressistas deram a eles próprios, não é o único benefício escandalosamente estratosférico ao dos demais trabalhadores do país. Cada um dos 81 senadores e dos 513 deputados federais possui mordomias e privilégios que nenhum outro funcionários público detêm.

  Seus salários, que são os maiores do mundo, se comparado aos vencimentos de parlamentares em países do chamado primeiro mundo, representam uma fatia pequena diante do que ganham além. A título de ajuda de custo e verbas para custear despesas, cada congressista custa ao Estado, em média, mais de R$ 100 mil.

    Façamos as contas. Um deputado federal e um senador da República têm, igualmente, direito a uma verba indenizatória, no valor de R$ 15 mil, para locomoção e pagamentos de despesas de escritórios de apoio em seus Estados.

   Cada deputado recebe ainda uma verba extra para cobrir despesas com passagens aéreas de Brasília para seus Estados. Com essa verba o deputado pode também pagar combustível, contas de água, luz e telefone do apartamento funcional que cada um tem direito. Ele pode também usar a verba para a divulgação de sua atividade parlamentar. Os deputados também têm uma verba de R$ 60 mil para pagar funcionários.

   Um senador não ganha uma verba única para despesas. Ele tem direito a muitos outros benefícios que, no final, superam o valor da verba dos deputados. Pode, por exemplo, optar por não morar em apartamento funcional e, se assim o fizer, ganha auxílio-moradia de R$ 3,8 mil. Além disso, todas as despesas médicas deles, dos cônjuges e dos dependentes são pagas pelo Senado, fora mais R$ 25,9 mil anuais para despesas odontológicas e psicoterápicas.

    Para viajar para seus Estados, os senadores têm direito a uma verba mensal que varia de R$ 6 mil a R$ 23 mil para passagens aéreas. Ganham ainda cota de combustível de 25 litros de gasolina ou 36 de álcool por dia e têm uma verba mensal de R$ 500 para telefone fixo. Suas ligações para celulares são pagas integralmente pelo Senado e podem ser ilimitadas. E para imprimir material de divulgação de sua atividade parlamentar, cada senador tem cota gráfica é de R$ 8,5 mil.

   O senador tem também cotas para enviar correspondências e para manutenção de seu escritório no Estado de origem. Não conta com verba para pagar funcionários, mas tem à disposição nove servidores efetivos e 11 comissionados que podem ser escolhidos pelo parlamentar.

    Outros privilégios

   Não bastasse as vantagens em dinheiro, os congressistas também têm outros privilégios. Férias de 60 dias, por exemplo. Afora algumas categorias do Ministério Público e do Judiciário, que têm férias de até quatro meses, e do serviço público em geral que usufruem periodicamente de licença-prêmio, que a esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros tem direito a 30 dias. E muito costumam “vender” parte para complementar o orçamento. Sem falar em autônomos e sem carteira assinada, que não têm direito algum.

    As férias dos congressistas ocorrem durante os dois recessos anuais do Congresso Nacional. Um no meio do ano e outro entre o final de um e o início de outro ano. Isso é o oficial porque, se forem feitas as contas corretamente, serão mais de 60 dias. Em 2010, por exemplo, os trabalhos legislativos terminaram tão logo foi votado o Orçamento Geral da União, em 22 de dezembro. Significa o acréscimo de mais nove dias.

    Sem falar que boa parte dos parlamentares estica suas ausências no Congresso Nacional por meio de licenças ou simplesmente faltam ao trabalho. Sob a alegação de que estão atendendo as bases em seus Estados, raramente um deputado ou senador é visto em suas casas legislativas nas segundas ou sextas-feiras. Ou seja, eles viajam na quinta para os Estados e só retornam na terça. Essa situação criou inclusive uma cultura em Brasília: serviço público só funciona de terça-feira a quinta-feira.

   Fazendo as contas: o ano tem 52 semanas. Dez delas são do recesso parlamentares e, nas 42 restantes, os parlamentares só passam três dias em Brasília. Resultado: dos 294 dias restantes do ano, os congressistas frequentam seus locais de trabalho somente 126 dias. Estão fora dessas contas os feriados nacionais e locais (do Distrito Federal), os feriados prolongados e as decretações de luto, caso morra algum deles ou autoridades e ex-autoridades.

   Pensa que acabou? Vamos às licenças e faltas sem justificativas. Somente no primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados registrou nada menos que 7.567 faltas, o que representa 25,6% de ausências em 59 sessões deliberativas realizadas entre fevereiro e julho. É perto do dobro do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 4.892 faltas.

     Ainda não há dados oficiais sobre o número de faltas no segundo semestre, mas pelo que se pode deduzir, poderá ser bem maior devido aos meses de campanha eleitoral. Além das eleições presidenciais, as festas juninas e os jogos do Brasil na Copa do Mundo praticamente paralisaram o Congresso Nacional. Em dias de jogos do Brasil na Copa, as duas Casas chegaram a cancelar o expediente.

    Como uma parte consideração de deputados e senadores foi candidata a cargos nas eleições de outubro e outra parte apoiou e fez campanha em seus Estados, os trabalhos no Congresso Nacional ficaram em banho-maria desde agosto do ano passado. Ao término das eleições no primeiro turno havia a promessa de que os trabalhos andariam, mas continuaram parados porque a grande maioria continuou em campanha para governadores e presidente no segundo turno.

Postar um novo comentário

Comentários (8)

  • Hernandes | Segunda-Feira, 17 de Janeiro de 2011, 11h35
    0
    0

    Pena que notícias como essa não é tão importante como as de violências, desastres, fofocas e etc. A população brasileira precisa dar um pouco mais de atenção para o que realmente é importante conhecer, e tomar atitudes frente a esse abusos. pois indignar-se ainda não é o suficiente.

  • Azulão | Sábado, 15 de Janeiro de 2011, 17h21
    0
    0

    Faço minhas, as palavras de Boris Casoy: "ISTO É UMA VERGONHA".

  • THIAGO ALBUQUERQUE | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 10h44
    0
    0

    O tal do Brasileiro é lascado mesmo! Mas no final das contas nós merecemos toda essa pouca vergonha!! Vai votando errado meu povo! Bando de abestados! Mas não é pra ficar de choradeira quando o ferro entrar de vez, ok!

  • Junior | Domingo, 09 de Janeiro de 2011, 21h16
    0
    0

    Por isso que todos os parlamentares, brigam até as ultimas instancias, porque sabe das mordomias que virão. Pois acham uns trouxas de brasileiros para apoiarem eles e dar uma dessas chances a eles a se aposentarem alem dessa safadeza de absurdo com uso do nosso suor honestamente; ACORDAM ELEITORES VOTOS NULOS NELES. TEMOS QUE TER DIGNIDADE E MORAL PARA DIZER NÃO A ESSES ABUSOS.??????????????????????????????

  • Jeferson | Domingo, 09 de Janeiro de 2011, 14h57
    0
    0

    Se Deputados e Senadores tivessem um salário exorbitante desses e trabalhassem em favor da grande população brasileira, até seria admissivel.

  • JACKSONQ | Domingo, 09 de Janeiro de 2011, 14h00
    0
    0

    E TUDO ISSO SAI DO NOSSO BOLSO. ISSO É BRASIL.

  • joao | Domingo, 09 de Janeiro de 2011, 11h29
    0
    0

    Isto tudo aí que voces estão vendo, sem contar nas comissões das liberações de emendas que gira a razão de 30% de cada liberação. Num país onde não pode aumentar R$ 100,00 para o salário mínimo, deputados e senadores esbajam em dinheiro do contribuinte. É uma vergonha é um crime.

  • Paulo Roberto | Domingo, 09 de Janeiro de 2011, 08h53
    0
    0

    E o píor de tudo, só tem tranqueira e 171 no congresso, e o eleitor até hoje não sa- be votar.....E depois querem reclamar!! Enquanto existir mané, politícos vão con- tinuar sugando o dinheiro público....

Um novo embate entre Diane x Adair

diane alves 400 curtinha   Adair José Alves Moreira, que vinha atuando na assessoria do vice-governador Otaviano Pivetta, decidiu mesmo concorrer de novo à Prefeitura de Alto Paraguai. Ele já foi prefeito por duas vezes. Adair será o principal nome da oposição à prefeita democrata Diane Alves (foto),...

Taques ofuscado e sob mira do MPE

pedro taques 400 curtinha   Pedro Taques (foto) achou que o recall dos tempos de senador e governador, ajudando-o a se posicionar de forma razoável nas pesquisas, bem antes do início da campanha, o manteria como favorito na corrida ao Senado. Ledo engano. Não levou em consideração o alto índice de...

2 caciques não disputam Alto Garças

roland trentini 400 curtinha   Após décadas de rixas, de campanhas ostentadoras, rachas e brigas eleitorais intermináveis em Alto Garças, os ex-prefeitos Rolando Trentini (foto) e Júnior Pitucha resolveram não mais concorrer ao Executivo. Mas, um deles segue se movimentando nos bastidores. Pela...

Um ex-prefeito inelegível em Poconé

clovis martins 400   Dificilmente o ex-prefeito petebista Clovis Damião Martins (foto) terá registro de candidatura a prefeito de Poconé deferido pela Justiça Eleitoral. O promotor de Justiça, Mário Anthero, já pediu impugnação do registro do petebista por inelegibilidades. Clovis, que...

Briga em Sinop entre Juarez e Dorner

juarez costa 400 curtinha   Em Sinop, a briga eleitoral caminha para tensão e acirramento entre o emedebista Juarez Costa (foto) e Roberto Dorner (Republicanos). Hoje, o ex-prefeito seria eleito, mas Dorner vem crescendo nas adesões, com ajuda do vice de sua chapa, ex-vereador Dalton Martini (Patriota). O apoio da prefeita Rosana...

França elegível; CNJ desatualizado

roberto franca 400 curtinha   O advogado Rodrigo Cirineu, que assumiu a assessoria jurídica da campanha a prefeito de Cuiabá de Roberto França (foto), assegura que o ex-prefeito está elegível. Explica que o cadastro de inelegibilidades do Conselho Nacional de Justiça, constantando ainda o nome de...