Legislativo

Sábado, 26 de Abril de 2014, 08h:50 | Atualizado: 26/04/2014, 09h:15

Em 1 ano e 4 meses, João Emanuel vai da presidência à sua cassação

Mario Okamura/Rdnews

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Em 1 ano e 4 meses na Câmara de Cuiabá, o vereador cassado João Emanuel (PSD), foi do céu ao inferno, "finalizando" com a perda do mandato na última sexta (25) por 20 votos, 4 abstenções e a sua própria ausência, justificada com atestado médico de 10 dias. O social-democrata, contudo, parecia prever a eminente derrota no parlamento por, em certos momentos, ter trocado os pés pelas mãos.

Há 1 ano e 6 meses, nas eleições de 2012, o ex-parlamentar, que passou pela secretaria municipal de Habitação, na gestão de Chico Galindo (PTB), foi eleito o vereador mais votado, obtendo 5.824 votos. Com discurso de renovação, o genro do deputado José Riva (PSD), alcançou o auge dentro do Legislativo, sendo eleito presidente da Mesa Diretora por 14 votos, contra 11 de Adilson Levante (PSB), da base governista.

Ao passar a eleição da Câmara, o presidente começa a criar atritos contra o Executivo e a base governista, que era formada por 16 vereadores. Os motivos das brigas eram inúmeros, contudo, o que mais causou “turbulência” foi a tentativa de criar a CPI do Maquinário, referente a compra de caminhões feita na gestão Galindo. Do outro lado, a base vinha com a contraproposta para a instalação de três Comissões a fim de investigá-lo. Uma delas de quando Emanuel foi secretário de Habitação.

Após várias confusões entre os parlamentares, a ideia de renovação foi “jogada no lixo”, voltando a protagonizar a antiga “Casa dos Horrores”, como ficou conhecida a Câmara em virtude de vários escândalos no passado. Em 28 de agosto, o então grupo dos 16 afastou João Emanuel em sessão realizada às escuras e sem som. Contra ele,  pesavam as acusações de prevaricação e quebra de decoro parlamentar. Em 13 de setembro, o social-democrata reverteu a situação e retornou ao posto.

A partir daí, algumas reuniões entre a base e oposição foram marcadas para tentar acalmar os ânimos. Uma das reivindicações contra Emanuel era que centralizava o poder em suas mãos e, com isso, seus colegas não tinham conhecimentos dos gastos do Legislativo. Contudo, após uma reunião, os parlamentares “fumaram o cachimbo da paz” e decidiram fazer uma gestão compartilhada, condição imposta pelo grupo dos 17, para mantê-lo no comando.

Davi Valle/Rdnews

Plenário cassação

Sessão de cassação de João Emanuel foi em tempo recorde, durando 3h30

Este tipo de administração, contudo, tinha por objetivo passar um “pente fino” na administração da Câmara, tendo em vista que, nos corredores, havia o temor de o Legislativo ter contraído um “rombo”, que poderia prejudicar os pagamentos de salários. Após a sindicância, foi encontrada uma dívida de R$ 5 milhões. Diante disso, vários funcionários foram exonerados. Mesmo assim, os vereadores tentaram deixar as rusgas de lado e, com intuito de selar a paz, retomaram os trabalhos do Legislativo.

Mas a Operação Aprendiz foi desmantelada, em 28 de novembro, tendo como alvo principal o vereador, acusado de desviar recursos da Câmara para pagar contas de campanha. Vídeos foram divulgados, no qual Emanuel “ensinava” como fraudar licitações na Câmara, o que fez perder apoio de poucos colegas que ainda estavam ao seu lado. Com isso, a condição do parlamentar ficou insustentável. Horas depois, a Justiça o afastou da presidência.

Com isso, em 3 de dezembro, Emanuel renuncia o cargo de presidente da Câmara, abrindo espaço para o retorno de Júlio Pinheiro (PTB). No mesmo mês foi instaurado um processo na Comissão de Ética que, mais tarde culminaria na sua cassação. Antes da perda do mandato, no entanto, o social-democrata foi preso, por determinação da Justiça. Poucos dias depois, a sessão para sua cassação foi marcada, mas adiada devido a nova decisão judicial. Uma semana depois, mais precisamente ontem (26), o julgamento aconteceu e  Emanuel não conseguiu evitar sua cassação.

João Emanuel é o terceiro vereador, em 5 anos, a ter seu mandato cassado. O primeiro a deixar a Câmara foi Ralf Leite (sem partido), em agosto de 2009, por 16 votos. Depois foi Lutero Ponce (PMDB), em novembro do mesmo ano, com 14 votos a favor da cassação. A perda de mandato de João Emanuel ocorreu em tempo recorde, tendo em vista que a sessão durou apenas 3h30. As sessões que culminaram nas cassações de Ralf e Lutero duraram 6h e 8h, respectivamente.

Em 5 anos, 3 vereadores por Cuiabá foram cassados por quebrar decoro

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Comentários (1)

  • pedro | Sábado, 26 de Abril de 2014, 16h18
    0
    1

    e o povo que esta si fu......

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