Legislativo

Terça-Feira, 15 de Outubro de 2019, 15h:17 | Atualizado: 15/10/2019, 17h:58

AUDIÊNCIA

Procon cita enxurrada de denúncias contra a Energisa e critica falta de leitura mensal

Maurício Barbant

Gisela Simona

Gisela Simona cita alto índice de reclamações contra Energisa e vê falta de leitura mensal

O Procon afirma que a Energisa, que está prestes a ser alvo de uma CPI que visa apurar supostos abusos nas cobranças de faturas de energia elétrica, tem prestado mau serviço à população de Mato Grosso e expõe problemas na prática da empresa, como não fazer a leitura mensal do consumo e a dificuldade de atendimento. “A Energisa continua sendo a empresa mais reclamada de Mato Grosso. Somado o Procon sede em Cuiabá e mais os municipais, temos mais de 19 mil reclamações, considerando 2018 até 30 de setembro de 2019”, disse a superintendente do Procon Gisela Simona em audiência pública na Assembleia realizada nesta terça (15).

Segundo Gisela, a Energisa não realiza, todos os meses, as leituras dos relógios de consumo. Algumas unidades chegam a passar cinco meses sem serem aferidas para emissão do boleto, disse na tribuna da ALMT. Nestes casos, a concessionária faz uma média das últimas faturas para cobrar do consumidor.

Segundo Gisela, a prática é tida como uma falha. Isto por que gera o acumulo de gasto e ICMS, que não condiz com o consumo. A situação é agravada ainda pelo tipo de bandeira tarifária do mês. Na área rural, a superintendente disse que “a situação é gravíssima”, já que não é feito a leitura do consumo e o consumidor não sabe calcular o próprio consumo.

Rodinei Crescêncio

 Riberto Jos� Barbanera

Deputados, vereadores e sindicalistas engrossaram o discurso contra os trabalhos prestados pela Energisa durante a auduência e cobram melhoria urgente

Pondera que, após os consumidores fazerem reclamação no Procon, a Energisa alega furto ou gato. Mas, segundo Gisela, sem provas suficientes para que o consumidor tenha feito aquilo. “O calor, por si só, gera aumento sim de energia, mas não esse montante que está sendo noticiado pelo consumidor”, disse.

Em relação ao imposto, Gisela disse que a Energisa utiliza como referência o IGP-M, que torna a fatura mais cara, e não o IPCA, como é feito inclusive em outros estados do país. Ambos calculam a inflação no país, mas, em agosto, o acumulado da taxa em 12 meses do primeiro é de 4,95%, enquanto a primeira é de 3,43%. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), respectivamente.

Ainda na carga tributária da fatura de luz, Gisela aponta para a necessidade de rever o escalonamento do ICMS. O imposto é cobrado de forma correspondente ao consumo do mês, ou seja, quanto mais quilowatts-hora são consumidos maior é a alíquota de imposto. A superintendente disse que, muitos consumidores já consomem de 251 KWh A 500 KWH, o que gera uma cobrança de 25% da alíquota na conta.

Cita ainda que o marco regulatório, que define as normas de atuação das concessionárias, é “muito protetivo para o mercado de energia elétrica” no país e exclui riscos e retira responsabilidades por falhas no serviços. A “blindagem” entra em conflito com o direito do consumidor. Apontou ainda a dificuldade de atendimento – tanto em agências quanto por telefone – por falta de mão de obra.

Falta de funcionários e fechamento de agências

Rodinei Crescêncio

 Riberto José Barbanera

Riberto José Barbanera, presidente da Energisa, ouve críticas à prestação do serviço em MT

A falta de funcionários também foi muito explorada por Dillon Caporossi, que é presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Urbana (STIU). Segundo o sindicalista, quando a concessionária chegou em 2014, o número de trabalhadores era de 3,8 mil. Mas, ao longo dos anos, reduziu para 2,2 mil até no final do ano passado.

A queda no número se deve a fechamento de agências. Ao menos, duas foram citadas – a do Coxipó e a do CPA. O presidente sindical apontou também que, no interior, a Energisa tem colocado agências nas regiões mais afastadas “para dificultar o acesso do povo”.

Cita o fechamento do Call Center em Mato Grosso, com mais de 300 pessoas demitidas e a contratação do serviço em uma cidade do Ceará, além de terceirizar outros serviços para fora do Estado. “A Energisa funciona nessa lógica – retira os empregos do nosso povo e manda para outros estados”, disse.

Pelo mau serviço, os empregados estão sendo ameaçados. Dillon contou um caso de que um homem chegou armado, no fim do expediente de uma agência da empresa em Cuiabá, pela demora no atendimento. 

Em uma fiscalização recente do Procon, foi apontado o sobrecarregamento dos poucos postos de atendimento presencial. "O serviço não é prestado da forma como deveria ser", disse. 

O presidente da Ager, Fábio Calmon, se colocou a disposição para prestar esclarecimentos na CPI, ajudar na apuração e repassar as informações à Agência Nacional de Energia Elétrica, do Governo Federal. Ambas são responsáveis por acompanhar as concessionárias da energia elétrica em Mato Grosso.

Até o final desta semana, os membros da CPI devem ser formados, assegura o deputado Elizeu Nascimento (DC), que propôs a investigação e vai ser o seu presidente. A comissão já tem 19 assinaturas dos 24 deputados– só precisava somente de 8. Após isso, o abuso das faturas de energia elétrica será investigado na Assembleia Legislativa.

Galeria de Fotos

Credito: Maurício Barbant
Audiência Pública da Energisa
Credito: maurício Barbant
Eduardo Botelho durante audiência pública
Credito: Maurício Barbant
Dillon Caporossi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Urbana (STIU)
Credito: Abgelo Varela
Credito: Maurício Barbant
Credito: Rodinei Crescêncio
Riberto José Barbanera

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Comentários (5)

  • JHOY | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 11h29
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    AI QUE TÁ A SACANAGEM. ELES NÃO FAZEM A LEITURA E MANDAM A COBRANÇA DE 03, 04, 05 MESES PELO VALOR/CONSUMO MÉDIO, HAVENDO É CLARO UM REVESAMENTO/ACUMULO DE CONSUMO QUE NÃO É COBRADO. QUANDO VEM A BANDEIRA VERMELHA, ELES RESOLVEM FAZER A LEITURA E OBVIAMENTE VÃO COBRAR O CONSUMO DOS 30 DIAS, OU SEJA DO MES, E MAIS A DIFERENÇA DAQUELES MESES QUE FICARAM ACUMULADOS EM FUNÇÃO DA COBRANÇA PELA MÉDIA BAIXA. SÓ QUE O CONSUMO DO MES E A DIFERENÇA É COBRADO TUDO COMO TAXA VERMELHA. DAI SE REVELA A GRANDE SACANAGEM.

  • Thales Marino | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 09h16
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    0

    O meu relógio, que está no poste, é impossível fazer leitura. Impossível. Tem tanto lodo, sujeira, na lente que não dá pra ler. Nem super homem conseguiria ler. E não é só o meu, todos os relógios que estão nesta maldita caixa de relógios que está no poste. A culpa é do consumidor ? Não ! Desde quando a Energisa está no estado? E não deu jeito nestes relógios? É pq não quer mesmo. Enfia a média de consumo no consumidor sem dó nem piedade. E algo me diz que esta CPI não vai dar em nada !

  • Cuiabano Cansado | Terça-Feira, 15 de Outubro de 2019, 17h56
    1
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    É o povo sendo saqueado pela Energisa, moro numa residência com mais 1 pessoa, e ficamos o dia inteiro fora, a conta está vindo quase R$ 500 reais, não tem lógica isso! Essa empresa está se enriquecendo em cima do pobre principalmente, que infelizmente tem que trabalhar só para conseguir pagar a energia.

  • Dalana | Terça-Feira, 15 de Outubro de 2019, 17h38
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    Também fui vitma desse bando de desorganizados me sinto prejudicada mais apenas se tiver uma vara especializada pois é uma tortura fazer denuncias oficiais estamos refens com pouco a fazer

  • alexandre | Terça-Feira, 15 de Outubro de 2019, 15h37
    3
    2

    Hoje mesmo, tudo fora do ar, o atendimento on line, isso é transparencia ?

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