DESENVOLVIMENTO EM TRILHOS

Sexta-Feira, 28 de Março de 2014, 07h:09 | Atualizado: 28/03/2014, 11h:41

Estudo sobre viabilidade técnica de ferrovia até Santarém é apresentado


Enviada Especial a Rondonópolis

Mário Okamura

ferrovia atécuiabá

Anseio é para que trilhos cheguem até a Capital, mas ainda não há definição

Há muitos anos se fala sobre a vinda da ferrovia para Cuiabá e esse projeto está próximo de ser realizado. Atualmente, a ferrovia senador Vicente Vuolo passa em Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis. Segundo Francisco Vuolo, presidente do Fórum Pró-Ferrovia em Cuiabá e ex-secretário estadual de Logística, no próximo mês será apresentado um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental sobre a construção do trecho Rondonópolis – Cuiabá e da Capital até Santarém (PA). Depois disso, entra em processo de licitação e, em seguida, de construção.

Vuolo acredita que a construção de um terminal ferroviário na Baixada Cuiabana irá mudar a realidade do Estado, especialmente das cidades que fazem parte da região. Salienta que, por falta de logística, a economia estagnou em muitos municípios próximos à Capital que são fim de linha de estradas. Assim, a ferrovia irá integrar toda a área, criando um circuito tanto de turismo quanto de escoamento de produção.

Além disso, ele acredita que a sua chegada vai permitir a vinda de novas indústrias, gerar empregos e fixar pessoas em municípios que estão perdendo mão-de-obra para cidades maiores. Ressalta que a ampliação dos trilhos é necessária para garantir maior competitividade no transporte da produção agropecuária e reduzir o preço do frete praticado. “Diminuirá o tempo dos caminhões nas rodovias, será mais seguro para os motoristas e para a carga e o escoamento será muito mais barato”, comenta. Outro ponto positivo é que potencializará Cuiabá na condição de agregar a chamada carga de retorno dos grandes centros com produtos industrializados.

Ele enxerga também a necessidade do transporte de passageiros entre a Capital e Rondonópolis para ligar socialmente as duas cidades. Atualmente a ferrovia já existente apenas escoa a produção de soja, farelo de soja e milho do Estado. Vuolo acredita que, com a chegada dela até Cuiabá e até Santarém será ainda mais abrangente. Assim, será possível trazer produtos industrializados, insumos, coca de petróleo, combustível, carros e eletrodomésticos. "E a partir daqui ser um ponto de distribuição para todo Estado, pois será um grande elemento de integração”. Ele entende esse terminal como um local onde podem passar os produtos de Manaus (AM) e serem enviados para todas as partes do país.

Para Vuolo, ir até Santarém e escoar a produção por lá é uma alternativa a ter que mandar apenas para o porto de Santos. “Ressalta que é inconcebível produtos do Norte terem que descer até Santos, sendo que é mais barato e mais fácil ir para Santarém, se tiver ferrovia até lá. “Precisamos muito mais que uma ferrovia. Necessitamos de uma malha ferroviária que atenda à demanda crescente dos nossos produtores. Somente assim seremos mais justos com aqueles que plantam o que nós comemos. A solução logística para o nosso Estado, além da melhoria de nossas estradas, é a ferrovia”.

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fico_tracaçado

Projeto da FICO prevê que os trilhos passarão por 3 estados: MT, RO e GO. Ela é uma das principais apostas do setor produtivo para conseguir reduzir o frete

Um dos maiores problemas da ferrovia em MT, de acordo com Vuolo, é o fato do monopólio da América Latina Logística (ALL), empresa que faz a administração dos trilhos. Desse modo, ela pratica o preço que lhe convém. “O custo do frete da ferrovia deveria ser pelo menos 30% mais barato do que o frete rodoviário. Coisa que infelizmente não ocorre hoje”, diz.

Como a concessão da ALL vai só até Rondonópolis, onde tem o seu terminal mais ao norte, hoje o modelo praticado pelo governo é o de oferecer em licitação novos trechos a outros investidores e eles pagarem uma espécie de pedágio quando precisarem passar pelos locais da ALL, assim como o contrário também é válido. Será assim no caso da construção do trecho até Cuiabá e assim por diante. “Isso irá fazer com que haja uma competitividade entre os terminais que, além de forçarem melhor oferta na qualidade dos serviços, deverão jogar para baixo o valor do frete”, complementa Vuolo. 

Hoje o governo federal trabalha pela integração do Estado de Mato Grosso por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além do avanço da ferrovia senador Vicente Vuolo, planejou e deve abrir concessão este ano para a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que interligará de leste a oeste o Estado entre as cidades de Cocalinho (MT) até Vilhena (RO), passando por Lucas do Rio Verde (MT).

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