Nacional

Segunda-Feira, 10 de Agosto de 2020, 11h:42 | Atualizado: 10/08/2020, 11h:50

"A gente precisa entender como parar o sangramento", diz Pazuello sobre mortes


G1 Rio

Reprodução

Eduardo Pazuello

Ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello disse que o país está em um 'esforço de guerra' e que o governo apoia as medidas de isolamento social

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nessa segunda-feira (10), no Rio de Janeiro, que o Brasil precisa encontrar um meio de parar a escalada de mortes pela Covid-19, comparando a situação do país com uma hemorragia. Contrariando o discurso da Presidência da República, ele disse ainda que o governo apoia o isolamento social.

“A gente precisa entender como parar o sangramento: diagnóstico precoce, tratamento imediato, compreensão do suporte ventilatório antes da UTI”, enfatizou o ministro.

 Pazuello destacou que o isolamento social é uma "medida de gestão dos municípios e estados e nós apoiamos todas elas", embora o governo federal seja contrário ao confinamento da população.

Em maio, Pazuello foi alertado por um comitê técnico do Ministério da Saúde que, sem isolamento social efetivo, o país poderia levar até dois anos anos para controlar a pandemia. Mas, ao contrário do alerta, o ministro interino orientou a abertura das atividades, quando o país já tinha mais de um milhão de casos.

 Pazuello destacou, ainda, que o país está sob "esforço de guerra" para conter a disseminação do novo coronavírus. "Nós estamos lutando contra uma pandemia, e o nome disso é esforço de guerra”.

As declarações foram dadas durante cerimônia de inauguração de uma Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que vai ampliar a capacidade nacional de processamento de testes moleculares para detecção no novo coronavírus.

Pela primeira vez desde o sábado (8), quando o país atingiu a marca de 100 mil mortos pela doença, Pazuello citou nesta segunda-feira o número de vítimas, relativizando que as ações de combate são mais importantes que a contagem de mortos.

“Não é um número. Todos os dias sofremos as perdas. Não é um número, não foi 95 mil, 98 mil, 100, ou 101 que vai fazer a diferença. O que vai fazer a diferença é cada um brasileiro que se perde”, disse ele. Para o ministro interino, é fundamental um trabalho preventivo", declarou.

O ministro defendeu a necessidade de união de todos os brasileiros para impedir a escalada da doença.

Para Pazuello, o meio para impedir o aumento de mortos pela Covid-19 no Brasil é o tratamento precoce da doença. Ele disse que a nova unidade da Fiocruz, que reforça a capacidade de testagem e diagnóstico, "é a base do tratamento precoce".

 “Não existe, nesse momento diferenças, partidários ou ideológica. Nós somos todos brasileiros combatendo, dia a dia, da melhor forma nos dedicando para que não haja mais mortos no nosso país. Já perdemos 100 mil brasileiros com nome, identidade e família. E podem acreditar, nós estamos todos os dias revendo nossos protocolos, procurando o que tem de melhor e alterando aquilo que não vinha dando certo”, reforçou.

"Não está correto ficar em casa doente, com sintomas, até passar mal com falta de ar. Isso não funciona. Não funcionou e deu no que deu. E há dois meses nós mudamos esse protocolo. Diante de qualquer sintoma, procure uma unidade básica de saúde”, defendeu o ministro.

 Mais 15 mil testes por dia

A nova Unidade de Apoio Diagnóstico da Covid-19 foi instalada na sede da Fiocruz, em Manguinhos, Zona Norte da capital fluminense. Com capacidade para processar até 15 mil exames de coronavírus por dia. Ela teve sua estrutura e equipamentos financiados pela iniciativa Todos pela Saúde e sua operação será custeada pelo Ministério da Saúde.

Outra Unidade de Apoio será inaugurada pela instituição no Ceará, podendo executar diariamente até 10 mil testes moleculares por dia. A previsão é que a unidade cearense comece a operar ainda em agosto.

De acordo com a Fiocruz, as novas instalações do Rio de Janeiro e do Ceará foram construídas com plantas semelhantes e ocupam uma área de aproximadamente 2,3 mil m2, cada uma. Equipadas com plataformas que utilizam a metodologia de PCR em tempo real, elas têm potencial para funcionar em tempo integral, sete dias por semana.

A expectativa é que mais de 350 profissionais, incluindo biologistas e técnicos de laboratório capacitados, se revezem em três turnos de trabalho para processar as amostras que são encaminhadas pelo Ministério da Saúde.

“Sabemos o quanto a testagem em massa é importante não apenas do ponto de vista clínico, mas também no que tange a implementação das medidas de controle da pandemia e da dinâmica social. O início da operação dessas novas unidades consolida o esforço da Fiocruz de um lado na produção dos testes e, do outro, no processamento das amostras”, disse o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger.

No mesmo comunicado, Pazuello disse que o ministério permanece trabalhando 24 horas por dia, em parceria com estados e municípios, para garantir que não faltem recursos, leitos, medicamentos e apoio às equipes de saúde. Ressaltou, ainda, que as pessoas devem procurar uma unidade básica de saúde diante de qualquer sintoma da doença.

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