Nacional

Sexta-Feira, 06 de Dezembro de 2019, 13h:39 | Atualizado: 06/12/2019, 14h:06

Caso Queiroz: MP retoma investigação com foco em Flávio Bolsonaro

Reprodução

Flavio Bolsonaro e Fabricio Queiroz

Flávio virou alvo após relatório apontar que Queiroz recebia depósitos de colegas

Um ano após o Estado revelar, em 6 de dezembro de 2018, que o PM Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar na Assembleia Legislativa fluminense, tivera em conta movimentações financeiras de R$ 1,2 milhão, atípicas e incompatíveis com os ganhos, o Ministério Público do Rio retomará as investigações e foco será o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Filho “zero um” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o parlamentar, quando era deputado estadual, tinha em Queiroz um auxiliar de confiança. Fora indicado para o posto pelo próprio chefe do Executivo, ex-colega no Exército.

O salvo-conduto para a retomada da apuração foi dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A corte considerou legal o compartilhamento de informações fiscais e bancárias com o MP. O parlamentar alegava ilegalidade e perseguição política na ação.

Flávio virou alvo de suspeita após Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar que Queiroz recebia depósitos regulares de colegas de gabinete. Essas movimentações ocorriam perto do pagamento de salários.

Para os promotores, esse era suposto indício de “rachadinha” — “devolução” de parte ou da totalidade dos salários ao deputado. Flávio disse, à época, que todos os “mandatos na Alerj foram pautados pela legalidade e pela defesa dos interesses da população.”

O MP também apontou suposta ação de organização criminosa no gabinete de Flávio na Alerj e supostos sinais de que o hoje senador lavou o dinheiro na compra e venda de imóveis.

O parlamentar acusou a promotoria de tentar atingir o governo de Jair Bolsonaro. O Coaf, porém, também apontou suspeitas de outros assessores, deputados e ex-deputados, no documento gerado na Operação Furna da Onça, sobre corrupção na Alerj.

Queiroz faltou a quatro convites para depor no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) sigiloso do MP-RJ. Alegou problemas de saúde — trata-se de um câncer, do qual se operou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O desaparecimento por meses rendeu à oposição um mote — “Cadê o Queiroz?” —, desfeito depois que o PM aposentado foi localizado pela revista Veja, na capital paulista.

O ressurgimento se tornaria incômodo em outubro, quando, em áudio, o ex-assessor foi flagrado afirmando que o MP teria “uma pica do tamanho de um cometa” para “enterrar” nele e em um interlocutor não identificado.

Outros ex-integrantes do gabinete também faltaram a depoimentos no MP — só um, Agostinho da Silva, compareceu. Disse que entregava vencimentos ao ex-assessor, para que aplicação na compra e venda de carros.

O próprio Queiroz, após sustentar em entrevista ao SBT que “fazia dinheiro” comprando e vendendo veículos, apresentou ao MP defesa por escrito com versão modificada. Afirmou que recolhia os salários dos colegas de gabinete para redistribuí-los por mais gente, pagando militantes e ampliando a base de Flávio.

O então deputado, de quem era assessor próximo, desconheceria a prática, segundo afirmou. Como o investigado não apresentou documentos — recibos, por exemplo — tornou-se difícil sustentar as alegações.

À medida que a investigação se aproximava de Flávio — inclusive com a quebra do sigilo bancário e de dezenas de outras pessoas físicas e jurídicas ligadas a ele, determinada pelo juiz Flávio Itabaiana — aumentou o mal-estar no governo. “Venham para cima, não vão me pegar”, reagiu o presidente.

O Planalto já se incomodara com a revelação de que o Coaf mostrou que tinham saído da conta de Queiroz R$ 24 mil para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, quando o presidente ainda era deputado federal, e ela, assessora parlamentar em Brasília.

O presidente afirmou que se tratava do pagamento, na conta da mulher, de um empréstimo que fizera ao assessor do filho. Antecipou ainda que outras prestações poderiam aparecer. Como o ex-assessor do filho, não apresentou nenhum documento para comprovar o que dissera.

Foi nesse cenário de dificuldades que Flávio tentou, por três vezes, suspender as investigações que enfrentava, sem consegui-lo. Só teve sucesso quando o criminalista Frederick Wassef, muito próximo dos Bolsonaros, foi ao Supremo. A defesa do senador alegou que, na prática, o sigilo bancário do parlamentar tinha sido quebrado, sem autorização do Poder Judiciário.

O presidente Dias Toffoli acatou a argumentação e, em 15 de julho, suspendeu liminarmente as investigações baseadas no compartilhamento, até que o plenário da Corte se pronunciasse.

Foram 136 dias de paralisia, sem que os promotores do Rio pudessem agir. Agora, a investigação será retomada, com a legitimidade dada pelo Judiciário. Assim como centenas de outras, atingidas pela mesma medida. O Coaf, porém, mudou de nome — agora é Unidade de Inteligência Financeira — e foi transferido pela o Banco Central.

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

4 ex-prefeitos se juntam em Chapada

gilberto mello 400 curtinha   Considerado nome mais forte da oposição, Gilberto Mello (foto), do PL, lançou sua pré-candidatura à sucessão em Chapada dos Guimarães com apoio de nada menos que três ex-prefeitos, fora ele próprio, que administrou o município entre 2005 e 2008....

Contrato em VG sob irregularidades

jaqueline jacobsen curtinha 400   O TCE mandou a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos, suspender qualquer pagamento à empresa Lidyfarma Comércio de Produtos Farmacêuticos referente a um contrato sem licitação para compra de 50 mil comprimidos de Azitromincina 500 mg para combate ao coronavírus....

Fabio deve mesmo tentar prefeitura

fabio garcia 400 curtinha   O DEM do governador Mauro aposta todas as fichas na candidatura do empresário Fábio Garcia (foto) a prefeito de Cuiabá. Até sexta ele deve responder "sim" ao partido. Fabinho, como é conhecido, é um dos integrantes do núcleo de confiança do governador. Inclusive foi...

No marketing de Pivetta para Senado

bruno bini 400 curtinha   O cineasta e publicitário Bruno Bini (foto) deve comandar o marketing da campanha ao Senado do vice-governador Otaviano Pivetta. As negociações estão praticamente fechadas. Antes da pandemia, em fevereiro, Pivetta estava em negociação com Antero de Barros. A última campanha...

Jogada de vereador pra conseguir vice

thiago muniz 400 curtinha   O vereador de 2º mandato Thiago Muniz (foto), primo do ex-prefeito Percival, resolveu se lançar pré-candidato a prefeito de Rondonópolis pelo DEM como estratégia para manter o nome nas discussões majoritárias e na esperança de ser convidado para vice de alguém....

MDB fechado com Pivetta à senatória

joao jose 400 curtinha   O médico e deputado estadual João José (foto), do MDB, disse nesta segunda, em entrevista às jornalistas Lídice Lannes e Andhressa Barboza, em live do RDTV, tv web do portal Rdnews, que o seu partido está fechado no apoio à candidatura de Otaviano Pivetta ao Senado, na...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

O Governo de MT estuda retomada das atividades escolares presenciais possivelmente em agosto ou setembro. O que você acha?

Estou de acordo

Não - aulas não podem voltar por agora

tanto faz

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.