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Quinta-Feira, 06 de Fevereiro de 2020, 10h:38 | Atualizado: 06/02/2020, 10h:52

Diretora sugere chicoteadas para corrigir professora negra e alunos fazem protesto

Arquivo Pessoal

Taynara professora negra chicote bom

O aniversário de 25 anos da professora Taynara Cristina Silva - 5 de fevereiro de 2020 - ficará marcado na lembrança dela por toda vida. Na manhã do dia anterior, ao dar aula a jovens no Colégio Agnes, em Maceió, ela alega ter sido vítima de um ato de preconceito racial por parte da diretora e proprietária da instituição enquanto ensivana redação a alunos do 3º ano do Ensino Médio.

A professora é estudante do 6º período de Letras da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e leciona gramática, redação e interpretação de texto desde 2017 no tradicional colégio da capital alagoana.

Na manhã de ontem (6), Taynara fez um Boletim de Ocorrência denunciando o caso à polícia. O Sindicato dos Professores de Alagoas também prestou queixa alegando injúria racial.

Ao UOL, a professora relatou o ocorrido: "A diretora chegou na aula falando que eu seria culpada pelo filho - que trabalha na administração da escola - ter batido o carro, porque estava falando comigo no WhatsApp. Aí uma aluna levantou e disse que errado estava ele, porque usou o telefone dirigindo. A diretora respondeu dizendo: "A Taynara é muito ousada. Quando vocês forem a Ouro Branco [no sertão de Alagoas], onde tem o melhor couro, compre um chicote do bom para eu dar uma chicotada nela para que ela relembre do tempo que ela pretende voltar - e que fala tanto sobre'", conta.

Taynara relatou que, após a fala, e diante da repercussão com os alunos que questionaram a fala de cunho racista, a diretora tentou remediar a situação.

"Disse que foi um teste, que foi brincadeira para ver se vocês estão absorvendo a aula", conta. "Só que isso não existe nem de brincadeira. Quando ela saiu da sala, algumas alunas negras choraram pelo ato. Eu também chorei horrores", completa.

Ainda na manhã de ontem, a diretora teria procurado Taynara para pedir desculpa pela fala. "Ela disse que a empregada dela é como se fosse da família e que foi uma brincadeira. E ainda disse que poderia ter escolhido uma professora branca, mas me escolheu mesmo sendo negra. E eu respondi que não sou competente apesar de negra: eu sou competente e negra", afirma.

Protesto

Revoltados, alunos e ex-alunos fizeram um ato de protesto em frente à escola. Pelo menos dois deles confirmaram à reportagem a fala da diretora e constrangimento após o ato.

"Estou sendo muito abraçada, as pessoas estão muito preocupadas, querendo se solidarizar. Esse tipo de coisa mexeu com minha luta negra-feminista-classista. Isso precisa ser corrigido, precisa ser feita justiça. Além de tudo que aconteceu, tenho obrigação com meu alunato, para provar que eles não estavam errados, que aprenderam corretamente."

A professora ainda revelou ao UOL que não tem carteira de trabalho assinada e pretende acionar a Justiça do Trabalho em denúncia de assédio moral.

Em nota, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Alagoas manifestou apoio à professora e classificou o ato como injúria racial. "É inaceitável que atos discriminatórios e racistas continuem sendo praticados. Preconceito e segregação não podem mais ser tolerados", diz o texto.

A escola não se manifestou publicamente sobre o ato da diretora, nem as ligações feitas pela reportagem hoje à tarde foram atendidas. Em entrevista à "TV Gazeta", o diretor da escola Matheus Oliveira disse que a instituição repudia "qualquer tipo de preconceito racial, de classe e orientação sexual" e prometeu apurar o caso.

"Eu não estava presente na situação. Mas o que posso falar é que o colégio está tomando providências para resolver isso da melhor maneira possível. A gente já está correndo atrás para elucidar tudo da melhor maneira e mais rápida", afirmou.

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