Nacional

Quarta-Feira, 27 de Novembro de 2019, 13h:20 | Atualizado: 27/11/2019, 13h:36

Índios citam risco de massacre em reserva no AM e RR e exigem saída de garimpeiros

Victor Moryama/ISA

�ndios Yanomami

No encontro, índios Yanomami se posicionaram para escrever a expressão "Fora garimpo"

Lideranças da Terra Indígena Yanomami, localizada nos estados de Roraima e Amazonas, divulgaram uma carta aberta em que voltam a denunciar a presença de garimpeiros ilegais na região e alertam para risco de um massacre na reserva.

O texto, que é assinado por lideranças da etnia Yanomami e Yekuana, foi elaborado durante uma reunião que ocorreu na reserva, na região do Demini, em Roraima, na semana passada. Ele foi lido pela deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR) durante audiência pública na Câmara dos Deputados na terça (26).

No início deste mês, uma manifestação de garimpeiros deixou a BR-174, principal rodovia de Roraima, fechada por quatro dias. O ato foi em protesto contra a operação que desmontou focos de garimpo ilegal na região e para cobrar a regularização da mineração em áreas indígenas, projeto em fase de estudo pelo governo federal, mas rechaçado pelos índios.

"Os garimpeiros estão envenenando as pessoas e contaminando nossos rios, nossos peixes, nossos alimentos e espantando nossa caça. Sabemos que o mercúrio usado no garimpo está contaminando nosso povo", diz um dos trechos da carta. "Essa é a mensagem de todos os Yanomami e Ye’kwana juntos para todo o planeta".

No documento, as 116 lideranças que participaram da reunião e elaboraram a carta cobram que o governo retire os garimpeiros que estão na região e impeça a entrada de novos, citando tensão e casos de violência que ocorrem na área em razão da presença de invasores.

"Trazem todo tipo de bebidas, drogas e doenças. Eles têm muitas armas e são violentos também entre eles. Eles matam uns aos outros e enterram os corpos na beira dos rios ou jogam nos rios", relataram os indígenas relembrando também mortes em conflitos por causa do garimpo, como massacre de Haximu que na década de 90 deixou 12 índios mortos na região. "Nossos avós e tios morreram por causa dos garimpeiros. Nós não queremos repetir essa história de massacre".

A carta, que é endereçado ao Executivo e Legislativo Federal, também diz que os índios "decidem de forma coletiva, escutando vários pensamentos de homens, mulheres, xamãs, jovens, lideranças tradicionais, todos reunidos. E isso deve ser respeitado pelo governo brasileiro".

"As nossas riquezas são os nossos conhecimentos tradicionais, a nossa saúde, nossos rios limpos e nossas crianças crescendo felizes. Os garimpeiros estão destruindo a nossa riqueza", escreveram, afirmando que "o governo tem o dever de acabar com isso e trabalhar para cuidar da saúde dos povos Yanomami e Ye’kwana e proteger a terra-floresta".

Procurado pelo G1 para comentar as denúncias feitas pelas lideranças indígenas, um representante do movimento de garimpeiros em Roraima disse que "há ONGs e grupos estrangeiros que estão por trás dos indígenas, os manipulando conforme seus próprios interesses".

"Existem muitas distorções e a gente sabe que a população indígena não só do nosso estado, mas de todo o país é tratada como massa de manobra", disse Clayton Alves. "Se a gente for ver a fundo situação dos indígenas em Roraima e no Brasil.

Com quase 10 milhões de hectares a reserva Yanomami é a maior terra indígena do Brasil, e tem atualmente cerca de 27 mil índios. O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras referências em estudo, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai).

A estimativa da Funai é que há entre 7 e 10 mil garimpeiros operando ilegalmente na Terra Indígena. Já a Hutukara Associação Yanomami fala em 25 mil garimpeiros na área.

Um estudo feito em 2016 pela Fiocruz apontou que mais de 90% dos indígenas que vivem em uma comunidade do Rio Uraricoera, uma das regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal na reserva yanomami, tem alto índice de contaminação por mercúrio. O metal, que é altamente tóxico, é usado para separar o ouro dos demais sedimentos e acaba lançado em rios, igarapés e na atmosfera.

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Matéria(s) relacionada(s):

Cidinho declina do convite à suplência

cidinho 400 curtinha   O ex-senador e empresário Cidinho Santos (foto), do PL, declinou do convite para compor uma das suplências da chapa ao Senado de Otaviano Pivetta (PDT). Em princípio, ele havia aceitado ser o primeiro-suplente. Mas questões empresariais não permitem que neste ano Cidinho concorra a cargo...

Conselhos, o populismo e a reeleição

ze do patio 400 curtinha   Em Rondonópolis, o prefeito Zé do Pátio (foto), bastante conhecido pelo perfil populista, busca se apegar cada vez mais às massas. Até para inaugurar um posto de saúde, Pátio, estrategicamente, aproveita para criar, ali na comunidade, os chamados conselhos. Busca debater...

Educação Inclusiva no Nilo Póvoas

marioneide 400 curtinha   A Seduc, sob Marioneide Kliemaschewsk (foto), decidiu desativar a tradicional escola estadual Nilo Póvoas, que funcionava há 50 anos no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, o que acabou gerando protesto de pais e alunos. O prédio agora vai abrigar o Centro de Referência em...

Partidos com 2 ou mais pré ao Senado

margareth buzetti 400 curtinha   Dirigentes partidários estão passando apurado, nesta fase de pré-campanha, para conduzir o processo de escolha de candidatura ao Senado para a vaga de Selma Arruda, cassada por crimes eleitorais. Mesmo sabendo que as chances são remotíssimas de êxito nas urnas, alguns...

Muitos cuiabanos votam em Chapada

thelma de oliveira 400 curtinha   A ex-deputada federal Thelma de Oliveira (PSDB), que em 2016 transferiu o domicílio eleitoral de Cuiabá para Chapada dos Guimaráes, já está trabalhando nos bastidores o projeto de reeleição. E, agindo nos bastidores e de forma estratégica, ela conseguiu um...

Câmara cassará 4º eleito em 11 anos

ricardo saad 400   O emblemático e inconsequente Abílio Júnior (PSC) caminha para entrar para os anais da Câmara de Cuiabá como o quarto vereador a ter o mandato cassado nos últimos 11 anos. Parecer da Comissão de Ética, sob relatoria de Ricardo Saad (foto), é pela perda da cadeira...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

O governador Mauro Mendes acaba de encerrar o 1º dos quatro anos de mandato. Na sua opinião, como está indo a administração?

ótima

boa

regular

ruim

péssima

não sei

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.