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Quarta-Feira, 16 de Setembro de 2020, 14h:02 | Atualizado: 16/09/2020, 14h:03

Jovem morta após realizar procedimento estético tinha mancha no coração - leia


Extra

Reprodução

Xedisa Soloni

A cabeleireira Edisa de Jesus Solani, de 20 anos, realizou uma lipoescultura com enxerto e uma papada facial, no dia 11 de setembro deste ano de 2020

"Não vamos nos calar. Podem passar dias, meses, anos, mas não vamos nos calar. Nós queremos Justiça". As palavras de Silvana Mota Pereira, prima de Edisa de Jesus Solani, que morreu por complicações após três procedimentos estéticos, em Belo Horizonte (MG), resumiu o sentimento da família. A cabeleireira de 20 anos realizou uma lipoescultura com enxerto e uma papada facial, no dia 11 de setembro, um mês após fazer a sua primeira consulta na Clínica Belíssima Cirurgia Plástica, localizada no bairro Savassi.

Depois de realizar exames, a jovem os entregou para um cardiologista que não permitiu a cirurgia, porque ela estava com uma infecção urinária. Curada e com novos exames em mãos, a mineira entregou a uma outra cardiologista que aprovou a realização do procedimento, mas com uma ressalva: a jovem tinha uma mancha no coração. Essa informação consta no risco cirúrgico, que foi entregue na clínica do dia da cirurgia e, agora, está nas mãos da Polícia Civil, que investiga o caso.

O que causou estranheza para família foi que os exames foram devolvidos em uma pasta para Edisa, que foi acompanhada da irmã mais velha, Samea Soloni. Em entrevista ao EXTRA, a prima Silvana Mota conta que já realizou uma cirurgia plástica e que o documento com o risco-cirúrgico permaneceu no prontuário da clínica. Como isso não aconteceu no caso da cabeleireira, a prima procurou uma médica particular para questionar se era normal o documento assinado pela cardiologista ficar com a paciente.

— Quando ela passou na nova cardiologista, ela autorizou, mas escreveu no risco cirúrgico que ela tinha uma pequena mancha no coração. Isso não impede quaisquer tipo de cirurgia, mas exige que tudo seja feito em um hospital, que tenha estrutura e equipamentos de UTI, caso seja necessário, se houver algum problema. Ela entregou a pasta para secretária, que devolveu tudo, inclusive o documento do risco cirúrgico. Eles não poderiam devolver, isso fica com a clínica no prontuário. Foi a partir daí que comecei a desconfiar e a investigar a clínica — diz.

Edisa pagou R$ 11.800 pelos procedimentos. Deste valor, R$ 7 mil foram depositados cinco dias antes da cirurgia e o restante pago no dia. A cabeleireira entrou para realizar a lipoescultura com enxerto e a papada facial às 11h do dia 11. Cerca de quase duas horas depois, o procedimento foi finalizado e ela foi levada para um quarto. A jovem só acordou cinco horas depois, por volta das 19h, e falando que sentia dores. A irmã dela, então, avisou as enferemeiras, que chamaram o médico que realizou o procedimento, Joshemar Fernandes Heringer, que aplicou um medicamento na jovem. A família não sabe o que foi dado à cabeleireira, que acabou adormecendo novamente e não acordou mais.

Por volta das 21h, a jovem teve um mal súbito e precisou entrar no oxigênio. Os médicos que fizeram parte da equipe cirúrgica chegaram 20 minutos depois e pediram uma ambulância para levá-la para o Hospital Felício Rocho. Ela só foi internada na instituição às 23h do dia 11 de setembro, exatamente 12 horas depois de ser levada para realizar os procedimentos estéticos.

— As últimas palavras delas foram "estou com fome" e "sinto muita dor". O médico aplicou algum medicamento nela e saiu, mas não falou o que estava dando a ela. Na ambulância, nem tinha enfermeiro, só o motorista. O anestesista teve que ir junto com ela, e o médico que fez a cirurgia foi no carro particular dele. Não permitiram que a Samea ficasse no hospital, porque a Edisa foi para UTI. Por volta das 4h30 de sábado, dia 12, ligaram pedindo para a familia ir lá. Ela tinha morrido. No atestado, colocaram como embolia pulmonar — afirma a prima.

Família busca justiça

Silvana conta que, após a morte de Edisa, tentou entrar em contato com o médico e marcar um encontro para que ele explicasse o que aconteceu. Após tentativas frustradas, ela conseguiu ir à clínica, mas foi o advogado dele que a recebeu. A família resolveu, então, procurar um advogado e fazer um registro na delegacia para investigar o que aconteceu. Há fotos e vídeos da cabeleireira antes do procedimento e depois, que já estão com a polícia e vão ajudar na averiguação dos fatos.

Na segunda-feira, um dia após o enterro da jovem, os parentes e amigos da cabeleireira fizeram protestos em frente à clínica e clamaram por informações sobre o caso. “Queremos justiça” e “Ela só tinha 20 anos” foram algumas das frase escritas em cartazes e gritadas no local onde Edisa passou pelos procedimentos estéticos. Nas redes sociais, a mãe de Edisa, Arlete Mota, publicou uma das últimas imagens de Edisa, que se preparava para o procedimento estético.

— Nós só buscamos justiça, não queremos dinheiro. Somos pobres, mas não vamos deixar a morte dela passar em vão. A mãe dela está muito mal, não come direito e só se alimentar de ódio e tristeza, essa é a realidade. A Edisa era jovem maravilhosa, cheia de sonhos, abriu a própria estética, gostava de viajar e se aproveitar a vida. Tentou fazer esse procedimento no ano passado, mas consegui tirar isso da cabeça dela. Desta vez, ela disse que queria chegar nos 21 anos (completaria em novembro) sem a "pochete". Queria ficar "beautiful", como ela sempre dizia. No fim, perdemos ela — lamenta Silvana.

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