Nacional

Terça-Feira, 10 de Setembro de 2019, 15h:27 | Atualizado: 10/09/2019, 15h:37

Membros da família Bolsonaro critica a democracia do Brasil desde 1990 lembre

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro aponta para o céu durante sua posse como presidente, em janeiro deste ano

Na noite dessa segunda (09) o vereador Carlos Bolsonaro, filho “02” do presidente da República, afirmou em suas redes sociais que o país não poderia mudar “por vias democráticas”. No Palácio do Planalto, dois auxiliares do presidente disseram, sob a condição de anonimato, que o que Carlos fala não se escreve. Um ministro chegou a afirmar que a postagem do vereador “é uma maluquice”.

Essa, entretanto, não é a primeira vez que um membro da família Bolsonaro expõe publicamente falas ou atitudes consideradas anti-democráticas. Os registros de tais declarações começam ainda na década de 1990.

“Através do voto, você não muda nada no país. Tem que matar uns 30 mil”

Durante entrevista concedida na década de 1990, Jair Bolsonaro afirmou ser favorável à tortura e ao “pau-de-arara”, técnica usada durante a ditadura militar (1964 – 1985). Questionado se fecharia o Congresso Nacional caso um dia caso fosse eleito presidente da República, ele respondeu: “Não há a menor dúvida! Daria golpe no mesmo dia”.

Na mesma sequência, ele afirmou: “Através do voto, você não mudar absolutamente nada no Brasil. Só vai mudar quando tivermos uma guerra civil aqui dentro”.

“Se quiser fechar o STF, manda um soldado e um cabo”

Em julho do ano passado, Eduardo Bolsonaro defendeu que, para “fechar o STF” bastaria “um cabo e um soldado”, e que os ministros não teriam poder “na rua”. A afirmação foi feita para alunos de um curso preparatório para a Polícia Federal, após o filho do então presidenciável Jair Bolsonaro dizer que o Supremo estaria “pagando pra ver”, caso impugnasse a candidatura de seu pai.

“Será eles que vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF sabe o que você faz? Você não manda nem um Jipe, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo. O que é o STF cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua?”

democracia e a liberdade. E isso, democracia e liberdade, só existem (sic) quando a sua respectiva força armada assim o quer”, disse Bolsonaro, no discurso à tropa.

“País ingovernável”

Pouco mais de dois meses depois, Bolsonaro voltou com o discurso de que é vítima de um sistema corrompido ao compartilhar, por WhatsApp, um texto que afirma “que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável”. Atacando o que chama de “velha política”, o texto diz que o presidente sofre pressões de todas as corporações, em todos os Poderes, e que o País “está disfuncional”, mas não por culpa de Bolsonaro.

“Escolhido por Deus”

Na mesma semana, o presidente da República publicou em suas redes sociais um vídeo no qual o pastor congolês Steve Kunda afirma que ele foi “escolhido por Deus” para comandar o País. Na publicação, Bolsonaro escreveu que “não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política” e que “quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias”.

A Constituição brasileira assegura que o Estado seja laico, ou seja, sem a agregação de valor religioso sobre os governantes e seus atos. Além disso, a forma de governo na qual o líder justifica seu cargo como chefe de Estado por indicação divina é a monarquia absoluta.

“O problema do Brasil é a classe política”

No dia seguinte, Bolsonaro criticou a classe política brasileira como um todo, afirmando durante discurso para empresários: “É um país maravilhoso que tem tudo para dar certo, mas o grande problema é a nossa classe política. (…) Nós temos que mudar isso”, disse na ocasião, ao lado de Marcelo Crivella e Wilson Witzel, prefeito e governador do Rio, respectivamente.

Apoio a Ditaduras

Antes mesmo de chegar à presidência, Bolsonaro já elogiou e reverenciou ditaduras militares como a que se instaurou no Brasil, entre 1964 e 1985. Em seu voto durante o impeachment de Dilma Rousseff, ele chamou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra de “herói nacional”, fala repetida ainda no mês passado. Ustra foi o primeiro militar condenado por tortura e sequestro na ditadura.

Na semana passada, o presidente, que já negou a existência de um golpe militar no Brasil, voltou a elogiar regimes ditatoriais. Dessa vez, Bolsonaro exaltou a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, responsável pela prisão e tortura de 32 mil pessoas entre 1973 e 1990.

Desrespeito às Instituições e interferência nos Três Poderes

Além de ter defendido o fechamento do Congresso durante a década de 1990, o presidente é protagonista recorrente de críticas e sugestões de interferência nas instituições brasileiras e nos Três Poderes. Em 2018, ele questionou a atuação do STF, no mesmo dia em que era julgado pelo tribunal por uma denúncia de racismo.

Em maio deste ano, ele voltou a criticar o Supremo após este ter aprovado que a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero deve ser equiparada ao crime de racismo. O presidente sugeriu, mais uma vez, misturar política com religião ao defender que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico” no STF.

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Comentários (1)

  • alexandre | Terça-Feira, 10 de Setembro de 2019, 16h54
    0
    2

    petebas, o congresso é bem complicado, querem pagamento de emendas pra tudo...

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