Nacional

Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 14h:09 | Atualizado: 22/10/2019, 14h:30

Ministro do Turismo se sente injustiçado e diz que não houve laranjas em campanha

Geraldo Magela

Marcelo �lvaro Ant�nio

Ministro Marcelo Álvaro Antônio presta esclarecimentos sobre denúncias de uso de candidaturas-laranja no PSL

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, disse nesta terça (22) que se sente "injustiçado" e negou as acusações a respeito de um esquema de candidaturas laranjas no PSL de Minas Gerais, onde é presidente licenciado da sigla.

Marcelo Álvaro Antonio deu a declaração durante depoimento na Comissão de Transparência do Senado na manhã desta terça. O ministro foi convocado pela comissão para prestar esclarecimentos a respeito de investigação que o envolve sobre candidaturas laranjas.

No início deste mês, o Alvaro Antonio foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por crime eleitoral de omissão na prestação de contas de campanha e pelo crime de associação criminosa.

"Me sinto injustiçado neste indiciamento, mas continuo confiando no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público, continuo confiando na justiça, que vai ser o melhor âmbito para provar a minha total inocência neste caso", afirmou o ministro.

O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais o denunciou por três crimes envolvendo candidaturas laranja do partido em 2018 – falsidade ideológica, apropriação indébita eleitoral, pela qual o candidato se apropria de recursos destinados ao financiamento eleitoral, e associação criminosa.

Na comissão, o ministro negou a existência de candidaturas laranja. "O PSL em Minas Gerais no âmbito de 2018 não teve candidaturas laranjas", afirmou o ministro.

Segundo ele, apesar de "aprofundadas", as investigações não encontraram nenhuma "materialidade" contra ele.

Convocação

A presença do ministro na Comissão de Transparência da Casa foi motivada pela aprovação de um requerimento de convocação – o que obriga Álvaro Antonio a comparecer.

Pelo regimento, o ministro que faltar uma convocação pode responder por crime de responsabilidade e até sofrer um processo de impeachment.

Antes, o ministro já havia faltado outras audiências a convite dos senadores. O autor do pedido, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chegou a falar em “desrespeito” com a comissão, diante de “reiteradas ausências” de Álvaro Antonio.

"Mesmo se dispondo a vir à comissão como convidado, por diferentes vezes deixou de vir, mesmo acertando com esta presidência e com os membros desta comissão", afirmou o senador no último dia 8, quando o requerimento foi aprovado.

No requerimento, Randolfe pede o comparecimento do ministro para prestar informações sobre a prisão pela Polícia Federal de um assessor, de um membro do PSL de Minas Gerais e de um ex-assessor, em razão das denúncias de utilização de "laranjas" como candidatos, a fim de desviar recursos eleitorais.

O senador justifica que "é importante que o ministro coloque às claras o obscurantismo que ronda as eleições do PSL, esclarecendo à República sobre o que tomou parte neste processo eleitoral, dando a sua versão dos fatos."

PSL em Minas Gerais

Ao responder sobre acusações de candidatas de que ele teria participado do esquema de laranjas, o ministro disse que uma ala do PSL em Minas Gerais "se revoltou, se uniu" e começou a "orquestrar" contra ele.
Segundo ele, um grupo teria se revoltado pois queria lançar candidatos a governador e a senador nas eleições passadas, o que ele foi contra.

"Essa ala se revoltou, se uniu e começou orquestrar e a fazer gestão de pessoas contra minha pessoa, inclusive pessoas para fazer ataques contra mim."

Álvaro Antônio também afirmou que uma questão "interna" do PSL teria motivado as denúncias contra ele.
"Por isso que eu disse que a questão realmente interna pela disputa do território partidário no estado de Minas Gerais é que gerou essas denúncias falsas."

Ao ser questionado se há uma conspiração de membros do próprio partido contra ele, o ministro afirma que isso está sendo investigado, mas fala em "simpatizantes do partido".

"Isso está no âmbito do inquérito. Eu consegui comprovar pessoas simpatizantes ao partido no estado de Minas Gerais, eu disse aqui, que gostariam de ter candidato A ou B para senador e para governador. Então isso criou animosidade muito grande", disse.

"Foram formatados grupos de Whatsapp orquestrando e direcionando ataques a mim e nomeando cada um com as suas atribuições no grupo de WhatsApp. Mas ninguém com mandato, é questão de militância política."

Senadores

Apesar de a convocação ter sido aprovada de forma unânime pelo colegiado, a recepção dos senadores ao ministro foi amena, até mesmo por parte de alguns parlamentares da oposição.

“Não tenho aqui nenhuma procuração para defender o PSL, muito pelo contrário”, disse o senador Ângelo Coronel (PSD-BA). “Estou aqui para poder defender e ser solidário à figura do deputado licenciado Marcelo Álvaro Antonio que na minha ótica está sendo sacrificado para se atingir um outro alvo”.

O senador defendeu uma alteração legislativa que desobrigue a cota de mulheres como candidatas às eleições, o que também foi levantado por outros colegas.

“Essa prática de mulheres terem votos praticamente insignificante já é uma prática do nosso Brasil, de um sistema eleitoral que eu acho falido e que precisa ser revisto o mais rápido possível”, afirmou Ângelo Coronel.

O líder do PDT no Senado, Weverton (MA), ofereceu “solidariedade” ao ministro e disse que ele sofre um “massacre”.

“Eu queria lhe dar total solidariedade primeiro porque eu sei que não há dolo da sua parte, eu conheço a sua atuação como parlamentar, é um deputado que tem a sua combativa atuação no seu estado. E não tenha dúvida que nós iremos acompanhar de perto e somos solidários a todo massacre que o senhor teve”, afirmou.

No fim da sessão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse “lamentar” a postura dos colegas.

“Estava muito amor. Por um instante, me pareceu que nós não tínhamos sequer razões para convocar o ministro", disse. "Daqui a pouco nós banalizamos o crime, nós banalizamos as situações mais absurdas".

Randolfe também disse que os senadores “criminalizaram” a participação feminina nas eleições.

“Em vez de perguntarmos àqueles que fraudaram a participação feminina nas eleições, nós tivemos a criminalização da participação feminina nas eleições”, disse.

Crise no PSL

A participação de Álvaro Antonio, filiado ao PSL e presidente licenciado da sigla em Minas Gerais, se dá em meio a um racha do partido, dividido entre uma ala ligada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e outra mais próxima do presidente da sigla, Luciano Bivar.

O senador defendeu uma alteração legislativa que desobrigue a cota de mulheres como candidatas às eleições, o que também foi levantado por outros colegas.

“Essa prática de mulheres terem votos praticamente insignificante já é uma prática do nosso Brasil, de um sistema eleitoral que eu acho falido e que precisa ser revisto o mais rápido possível”, afirmou Ângelo Coronel.

O líder do PDT no Senado, Weverton (MA), ofereceu “solidariedade” ao ministro e disse que ele sofre um “massacre”.

“Eu queria lhe dar total solidariedade primeiro porque eu sei que não há dolo da sua parte, eu conheço a sua atuação como parlamentar, é um deputado que tem a sua combativa atuação no seu estado. E não tenha dúvida que nós iremos acompanhar de perto e somos solidários a todo massacre que o senhor teve”, afirmou.

No fim da sessão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse “lamentar” a postura dos colegas.

“Estava muito amor. Por um instante, me pareceu que nós não tínhamos sequer razões para convocar o ministro", disse. "Daqui a pouco nós banalizamos o crime, nós banalizamos as situações mais absurdas".

Randolfe também disse que os senadores “criminalizaram” a participação feminina nas eleições.

“Em vez de perguntarmos àqueles que fraudaram a participação feminina nas eleições, nós tivemos a criminalização da participação feminina nas eleições”, disse.

Crise no PSL

A participação de Álvaro Antonio, filiado ao PSL e presidente licenciado da sigla em Minas Gerais, se dá em meio a um racha do partido, dividido entre uma ala ligada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e outra mais próxima do presidente da sigla, Luciano Bivar.

Os parlamentares que sofreram suspensão são todos da ala aliada ao presidente Jair Bolsonaro: Alê Silva (MG), Bibo Nunes (RS), Carlos Jordy (RJ), Carla Zambelli (SP), Filipe Barros (PR).

Os cinco assinaram a lista apresentada pelo deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO) na última quarta-feira (16) para destituir Delegado Waldir e fazer do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, o novo líder da bancada. O partido pode aplicar a punição também a outros deputados que apoiaram a mudança de líder.

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