Nacional

Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2020, 10h:09 | Atualizado: 21/10/2020, 11h:31

Coronavírus

Não compraremos a vacina da China, diz presidente Bolsonaro em rede social

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em sua página no Facebook nesta quarta-feira (21), que o Brasil não irá comprar "a vacina da China". A afirmação foi feita em resposta a uma seguidora na rede social que pediu a exoneração do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. "Bom dia presidente. Exonera Pazuelo urgente, ele está sendo cabo eleitoral do Doria. Ministro traíra", escreveu a seguidora, se referindo a João Doria (PSDB), governador do estado de São Paulo.

Na terça-feira (20), o Ministério da Saúde havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. A empresa tem um acordo com o governo de São Paulo para fornecimento da vacina pronta e, também, para a transferência da tecnologia de produção para o Instituto Butantan.

"Tudo será esclarecido ainda hoje. Não compraremos a vacina da China", disse o presidente.

Facebook

bolsonaro_coronavac

Horas depois, na mesma rede social, Bolsonaro disse que "minha decisão é a de não adquirir a referida vacina" (veja imagem abaixo) e que, antes de ser disponibilizada à população, a imunização deve ser "comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa".

Ao anunciar o acordo, o próprio Ministério da Saúde informou que, para que a imunização tenha início, as vacinas – tanto a da Sinovac como a de Oxford, que também está em fase avançada de testes no Brasil – "devem ser liberadas pela Anvisa e ter eficácia e segurança garantidas".
Segundo auxiliares do presidente, Bolsonaro desautorizou Pazuello. Ao blog da Andréia Sadi, fontes do Planalto disseram acreditar que o governo não vai recuar da compra, desde que duas condições sejam atendidas:

  • que a vacina seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
    e que a vacinação não seja obrigatória.
  •  

Em fevereiro, o governo federal sancionou uma lei que prevê que a vacinação contra a Covid-19 pode ser obrigatória. Na semana passada, o governador de São Paulo afirmou, em coletiva de imprensa, que a imunização será compulsória no estado.

Contrato com SP

O governo de São Paulo já havia fechado um contrato com a Sinovac para as mesmas 46 milhões de doses compradas pelo governo federal. O acordo previa que a farmacêutica enviasse 6 milhões de doses da vacina já prontas até dezembro, enquanto as outras 40 milhões teriam o processamento finalizado (o envasamento) no Butantan. Não está claro a quais doses Bolsonaro se refere ao dizer que não comprará vacina da China.

De acordo com Dimas Covas, diretor do Butantan, até o final do ano o instituto teria as 46 milhões de doses prontas. O acordo incluía, além da compra das doses, uma transferência de tecnologia para que o Butantan pudesse fabricá-las em território brasileiro a partir de 2021.

Ao apresentador da GloboNews José Roberto Burnier, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse acreditar que Bolsonaro se refere às 6 milhões de vacinas que virão prontas da China, e não às 40 milhões que serão finalizadas no Brasil.

O governo paulista também anunciou a previsão de adquirir mais 15 milhões de doses até fevereiro de 2021, chegando ao total de 61 milhões com verba própria. A expectativa era que, com o dinheiro do governo federal, mais 40 milhões fossem adquiridas, chegando a 100 milhões até maio de 2021. 

Negativas

Na manhã desta quarta, o site "Poder360" afirmou que o presidente mandou mensagem a ministros dizendo que não compraria "vacina da China".

Segundo uma postagem feita também na manhã desta quarta, no Twitter (veja abaixo), pelo deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), apoiador de Bolsonaro, o presidente disse a uma outra apoiadora que o governo não compraria "a vacina chinesa" – como é conhecida a CoronaVac. Essa segunda postagem não está disponível no Facebook do presidente.

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