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Terça-Feira, 19 de Janeiro de 2021, 13h:30 | Atualizado: 19/01/2021, 13h:33

Ofício desmente Eduardo Pazuello sobre recomendação de "tratamento precoce"


G1

Um ofício do Ministério da Saúde encaminhado para a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus no dia 7 de janeiro desmente a versão do ministro Eduardo Pazuello de que o governo nunca recomendou "tratamento precoce" contra a Covid-19.

Reprodução

Eduardo Pazuello

No ofício, o ministério pede a autorização para visitas a unidades de saúde de Manaus, onde pretendia difundir as orientações do governo federal

Nesta segunda-feira (18), em uma entrevista coletiva, Pazuello disse que aquilo que o governo recomenda é o "atendimento precoce". O ministro afirmou ainda que, na visão de "leigos", as duas expressões podem ser confundidas. "Mas temos que saber exatamente o que queremos dizer: atendimento precoce", reiterou.

A versão de Pazuello já havia sido desmentida por atos públicos do próprio governo (veja mais abaixo). O documento enviado para a secretaria de Manaus contém o registro por escrito de que a recomendação do governo era pelo "tratamento precoce", como defende o presidente Jair Bolsonaro.

No ofício, o ministério pede a autorização para visitas a unidades de saúde da capital do Amazonas, onde pretendia difundir as orientações do governo federal. Na ocasião, o estado já enfrentava uma explosão nos casos de Covid-19.

"Em cumprimento ao Plano Estratégico de apoio ao município de Manaus para o enfrentamento à Covid-19, o Ministério da Saúde solicita autorização da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus para que possa realizar no dia 11 de janeiro de 2021, segunda-feira, a partir das 14 às 22 - visita às Unidades Básicas de Saúde destinadas ao atendimento preventivo à Covid-19, para que seja difundido e aprovado o tratamento precoce como forma de diminuir os internamentos e óbitos decorrentes da doença", diz o ofício.

O documento afirma ainda que há "comprovação científica" sobre a "eficácia dos medicamentos antivirais recomendados pelo Ministério da Saúde". Segundo o ofício, a não-adoção dos medicamentos recomendados seria "inadmissível" diante da gravidade da pandemia em Manaus.

Em maio, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a assinatura por Pazuello de um protocolo sobre o uso, desde o aparecimento dos primeiros sintomas, de hidroxicloroquina, remédio sem comprovação científica de eficácia contra a Covid-19.

Em 21 de maio, com Pazuello à frente da pasta ainda como ministro interino, o Ministério da Saúde divulgou uma nova versão de um documento técnico no qual recomenda que médicos receitem cloroquina e a hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19.

Em outubro, estudo liderado pela Organização Mundial de Saúde em mais de 30 países apontou a ineficácia do uso da hidroxicloroquina e outras três substâncias no tratamento da Covid-19.

Neste domingo (17), ao aprovar o uso emergencial de duas vacinas, integrantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmaram que não há tratamento para a doença.

Ao defender o "tratamento precoce" como estratégia para lidar com a Covid-19, Bolsonaro desmereceu as medidas consideradas realmente eficientes pelas autoridades sanitárias, como o uso da máscara e o distanciamento social.

Secretária de Saúde de Manaus

A secretária de Saúde de Manaus, Shádia Fraxe, a quem o ofício foi encaminhado, disse que nunca se sentiu pressionada a determinar o uso de medicamentos específicos na rede de saúde da cidade.

"Em nenhum momento nós nos sentimos aqui pressionados a usar tal medicamento ou não medicamento. A grande verdade é que a vacina é a medicação eficaz, foi comprovado isso. Para as outras medicações, existem vários estudos, alguns que falam da sua efetividade e muitos outros falam da sua não efetividade. O importante agora, gente, é que a vacina chegou, trazendo esperança para que a gente possa imunizar a população e ficar livre desse vírus que nos causou tanto sofrimento", afirmou a secretária.

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