Nacional

Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 10h:35 | Atualizado: 31/03/2014, 12h:12

Situação de terror e expectativa ia da deportação a morte, lembra Bezerra

Em abril e maio de 1964, aos 22 anos, Carlos Bezerra (PMDB), deputado federal, passou 60 dias na prisão acusado pela Ditadura Militar de ser comunista. Na época, líder estudantil dos secundaristas, oficial de gabinete de Wilson Fadul, ministro da Saúde de João Goulart, e militante do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ele e mais 300 pessoas foram retiradas de suas casas e encaminhadas ao quartel do 16º Batalhão de Caçadores, em Cuiabá. “Era uma situação de terror em que nossas expectativas iam da deportação ao assassinato”, lembra, 50 anos após o golpe militar em 31 de março de 1964.

Em certo momento, para participar do velório da sua primeira filha, Bezerra conta que saiu escoltado da cela. Um coronel do exército que estava disposto a atender aos pedidos da família para que ele fosse liberado, ouviu do jovem a frase: “Não preciso de favor de gorila nenhum”. Os 60 dias de prisão tiveram como consequência sequelas pessoais e sociais. Bezerra conta que a pior delas foi a destruição do sonho de reformas amplas defendida pelos trabalhistas e a intervenção nos setores de formação de lideranças políticas do país, o que afastou a juventude das discussões. “Ficamos sem escolas de líderes, o que reflete o despreparo político que enfrentamos hoje”.

Depois, Bezerra se mudou para o interior e pondera que seguia observado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Ainda assim, Bezerra retomou o processo de resistência à Ditadura. Formou um núcleo do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Rondonópolis, tendo sido candidato a deputado em 1970.

Após o primeiro discurso como candidato na rádio de Rondonópolis, Bezerra recebeu a informação de que um Jeep com militares havia saído da Capital para levá-lo preso pelo discurso que fez. “Embarquei com minha família no avião e fomos para Chapada, na fazenda de um companheiro, onde fiquei escondido”. Seus parentes lhe sugeriram ir para a Bolívia ou Paraguai. Descartou essa hipótese e por três anos Bezerra respondeu a um processo, pela simples fala no rádio. “Mesmo não sendo mais candidato ainda tive três mil votos no Estado. Estaria eleito”, informa. (Com Assessoria)

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Comentários (11)

  • joaoderodononopolis | Terça-Feira, 01 de Abril de 2014, 08h33
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    Talvez se tivesse continuado, hoje não teríamos tantos escândalos, a corrupção está fora de controle.

  • Ariosvaldez Rodrigues de Lima | Terça-Feira, 01 de Abril de 2014, 07h35
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    Mario, neto e filho de advogados, convenhamos, vivemos em sociedade e somos eminentemente políticos, mesmo que neguemos tal fato, é claro que podemos até apontar uma certa incoerência com o Bezerra (e o PMDB) de hoje e o ontem, no entanto, não é com o acovardamento político que vamos resolver as mazelas de nossa sociedade; não sou simpático ao Bezerra nem ao PMDB, mas devemos muito a estes heróis que no passado tiveram a coragem de colocar seus pescoços na direção da guilhotina para garantir a liberdade democrática que temos hoje! É claro que nossa democracia é jovem e cheia de defeitos, mas, pelo menos temos o direito de participar ativamente da vida política do país, e, por incrível que pareça, por mais que não tenhamos hoje "coronéis" autorizados a nos aterrorizar com a possibilidade da tortura e tantas outras violações de nossos direitos fundamentais, por mais gozemos da mais ampla liberdade política (e não apenas votar), a maioria de nossos jovens vem desenvolvendo uma verdadeira apatia política! Apenas criticar os políticos eleitos nunca vai mudar a situação em que vivemos! Repito o que disse antes: devemos muito a muitos desses heróis da resistência, mesmo que hoje tenhamos de por alguns deles atrás das grades... ou no ostracismo!

  • dalva | Terça-Feira, 01 de Abril de 2014, 07h08
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    sro. joão o senhor disse uma besteira...tem nada a ver....

  • joao | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 23h09
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    Parece que só os bons morreram na luta contra ditadura.

  • marcos | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 21h46
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    tenho 37 anos de idade, e meu pai tem 69 e meu avo trabalhava na decada de 70 e 80, eram advogados, não mechiam com politica, e trabalhavam bastante e não tiveram problemas com os militares......

  • Luciana | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 20h33
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    Bonita história com final triste,a justiça bloqueou seus bens,motivo falta de pagamento

  • HENRQUE | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 20h30
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    tão vendo e tem quem fala que a ditadura é ruim

  • Carlos | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 19h18
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    Bezerra, e os seis milhões que vocês esta devendo para um cidadão aí?? Não vai pagar??

  • José Gregorio | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 17h10
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    Uma bonita história. O triste é ver o que esse político e o PMDB se tornaram hoje.

  • GCF | Segunda-Feira, 31 de Março de 2014, 16h36
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    Engraçado, todos são "santos" somente houve excesso de um lado, na prisão de seu "digníssimo" senador em 64 meu falecido pai com 18 anos era soldado/cabo e foi efetuar a detenção dele, meu pai foi aluno do próprio no seminário do Colégio São Gonçalo aonde eram amigos, diz que foi perseguido, etc, o que não são bem assim os fatos, mas ao assumir como governador uma das primeiras pessoas que ele veio demitir no governo do estado por puro revanchismo e perseguição foi meu pai. Por isto cito a frase "para conhecer verdadeiramente um homem de lhe poder".

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