Polícia

Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 07h:00 | Atualizado: 09/11/2018, 11h:34

Em mega-operação, PF prende deputado eleito e ex-ministro Geller - lista de presos

Atualizada às 10h18

Gilberto Leite

Neri Geller

Deputado federal eleito Neri Gelles (PP) é investigado pela operação da Polícia Federal que cumpre mandados em MT

A Polícia Federal deflagou operação na manhã desta sexta (9) que investiga  fraudes no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

O deputado federal eleito Neri Geller (PP), que foi ministro da pasta por dois meses (março a dezembro de 2014), atualmente ocupada por Blairo Maggi, foi preso em Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá). 

Em Mato Grosso, além da prisão temporária de Geller foram cumpridos mandados de buscas e apreensão em dois endereços em Lucas do Rio Verde (334 km de Cuiabá), um posto de combustível do deputado eleito e na casa dele. 

A Operação “Capitu” é desencadeada para desarticular uma organização criminosa que atuava na Câmara dos Deputados e no Mapa. O vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), os executivos da JBS Joesley Batista e Demilton de Castro e o deputado João Magalhães (MDB-MG) também foram presos.

O nome da operação faz referência a personagem Capitu do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, descrita pelo personagem Bentinho, marido dela, como "mulher dissimulada". 

Outro lado

Sobre a operação da Polícia Federal, deflagrada nesta sexta (9), envolvendo o deputado federal Neri Geller, seus advogados esclarecem que, tão logo conheçam os motivos ensejadores da prisão e o inteiro teor do processo irão se manifestar.

Mega-operação

Trata-se de uma mega-operação e estão sendo cumpridos 63 mandados judiciais de busca e apreensão e 19 mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Foram mobilizados 310 policiais federais nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e no Distrito Federal.

Delação de Funaro

A Polícia Federal instaurou um inquérito policial em maio deste ano, baseado em declarações prestadas por Lúcio Bolonha Funaro, sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Mapa em 2014 e 2015. A Polícia Federal apurou a atuação de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e no MAPA, integrada por empresários e executivos de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal.

Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do ministério e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado.

As propinas eram negociadas, geralmente, com um deputado federal e entregues aos agentes políticos e servidores do Mapa pelo operador Lúcio Bolonha Funaro. Entre os atos de ofício praticados pelos servidores do Mapa destacam-se a expedição de atos normativos, determinando a regulamentação da exportação de despojos; a proibição do uso da ivermectina de longa duração; e a federalização das inspeções de frigoríficos.

O grupo empresarial teria pago R$ 2milhões pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões pela proibição do uso da ivermectina de longa duração. Um deputado federal da Paraíba à época dos fatos teria recebido R$ 50 mil do grupo como contrapartida, em decorrência da tentativa de promover a federalização das inspeções sanitárias de frigoríficos por meio de uma emenda, cujo objeto tinha natureza totalmente diversa do escopo da medida provisória nº 653/2014 na qual foi inserida.

Teria havido também, por parte do grupo empresarial, o financiamento ilegal de campanha de um deputado federal para a Presidência da Câmara dos Deputados, em troca de atendimento dos interesses corporativos do grupo no Mapa; sendo de R$ 30 milhões o valor solicitado para tal financiamento. Desse total, o deputado teria destinado R$ 15 milhões a um deputado federal mineiro de seu partido; tendo a bancada mineira de seu partido recebido parte do montante, após a lavagem do dinheiro.

Esses valores teriam sido depositados pelo grupo em contas bancárias de seis escritórios de advocacia, que teriam repassado os valores lavados aos beneficiários finais, conforme determinação do deputado federal mineiro e de seu operador, também deputado federal. Esses escritórios de advocacia teriam emitido notas fiscais frias, visto nunca ter havido qualquer prestação de serviço ao grupo empresarial. Uma das maiores redes de supermercado do país também teria integrado a engrenagem de lavagem de dinheiro oriundo do esquema, repassando aos destinatários finais os valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições “oficiais” de campanha.

O total de doações “oficiais” feitas por empresas vinculadas e administradas por um empresário do ramo de supermercados nas eleições de 2014 totalizou quase R$ 8,5 milhões.

Durante as apurações, houve clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado – inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF – teriam praticado atos de obstrução de justiça, prejudicando a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos. Daí o nome da Operação, “Capitu”, a personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, Dom Casmurro.

Corrupção

Os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de reclusão, proporcionalmente à participação de cada investigado. 

Lista de presos

  1. Antonio Andrade (MDB) – vice-governador de Minas Gerais e ex-ministro da Agricultura entre março de 2013 e março de 2014
  2. João Magalhães (MDB) – deputado estadual mineiro reeleito em outubro
  3. Neri Geller – deputado estadual eleito pelo PP do Mato Grosso e ex-ministro da Agricutura enter março e dezembro de 2014
  4. Joesley Batista – dono da JBS
  5. Ricardo Saud – executivo da JBS
  6. Demilton de Castro – executivo da JBS
  7. Rodrigo Figueiredo – ex-secretário de Defesa Agropecuária
  8. Mateus de Moura Lima Gomes – advogado mineiro
  9. Mauro Luiz de Moura Araújo – advogado mineiro
  10. Ildeu da Cunha Pereira – advogado mineiro

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Comentários (13)

  • Nilza | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 15h50
    4
    0

    MEU PAI SEMPRE FALAVA QUE O ÚNICO LUGAR PARA OS CORRUPTOS É NA CADEIA.

  • osmar | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 15h30
    0
    0

    osmar, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • FABIO | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 14h45
    8
    0

    " O AGRO É TECH, O AGRO É POP, O AGRO É TUDO..." Tudo igual como era antes!

  • CLAUDEMIR FERNANDES DA CLAUDEMIR | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 13h30
    6
    0

    Parabéns a policia Federal... é hora de acabar com tal do jeitinho que só traz prejuízo ao nosso Brasil, em detrimento de milhares de pessoas que depende desse dinheiro desviado pra sobreviver.

  • Jorge santos | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 12h06
    8
    0

    Assume Gisela !!! Ficaremos muito melhor com vc no Congresso!

  • Zé Eduardo | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 10h47
    7
    0

    Esse homem da agropecuária matogrossense sempre dava um voto de confiança no mesmo, tinha a aparência de ser uma pessoa séria, mas agora vem a tona o que o mesmo é, sendo almejado pela Operação da Polícia Federal.

  • MOSSUETO | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 10h41
    5
    0

    Imaginei que o eleitor Mato-grossense já estivesse capacitado a escolher os seus representantes, mas olha ai, o cara não tomou posse e já temos desvios de conduta, e este não é o único, com o novo ministro da justiça em ação, já, já, teremos novos eleitos envolvidos em atos errados, não podemos mais reeleger ninguém, vamos ter sempre gente nova no poder, quando ele quiser aprender safadeza, já terminou o seu mandato.

  • joaoderondonopolis | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 10h26
    9
    0

    Será que não vai ter mais prisões de integrantes do MAPA? Estou torcendo para isto.

  • Arno | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 10h25
    6
    0

    Essa turminha já estava manjada pelo menos nas rodas daqui de Brasília

  • hector | Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 09h41
    0
    0

    hector, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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