Polícia

Quinta-Feira, 06 de Junho de 2019, 17h:54 | Atualizado: 06/06/2019, 18h:01

INVESTIGAÇÃO DA MANTUS

Delegado diz que Frederico tinha superior em Goiás e Arcanjo tinha ligação com o RJ

Mikhail Favalessa

Fl�vio Stringueta

Flávio Stringueta conversa com imprensa, logo após o fim dos depoimentos de investigados

O delegado Flávio Stringueta, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou, na tarde desta quinta (6), que o empresário Frederico Müller Coutinho, acusado de ser um dos líderes de um esquema de jogo do bicho e lavagem de dinheiro no Estado, tem um superior em Goiás.

Frederico foi preso na semana passada, durante a Operação Mantus, que apura crimes ligados ao jogo do bicho em Mato Grosso. Ele é acusado de liderar a empresa Ello, que atuava no ramo do jogo do bicho. Diversos membros do grupo dele foram presos durante a operação, deflagrada pela GCCO e pela Delegacia Fazendária (Defaz).

De acordo com Stringueta, as investigações apontaram que Frederico, que dizia atuar em ramos como seguros, imóveis e fomento mercantil, não era a principal liderança da Ello. “Acima do Frederico havia alguém, sim. A gente tem essa certeza. Ele trabalhava para alguém, essa é a nossa linha de investigação. Seria outro bicheiro, fora de Mato Grosso”, declarou Stringueta, sem mencionar nomes. O delegado revelou apenas que trata-se de uma pessoa que vive em Goiás.

Stringueta relatou que a Polícia Civil tem apurado os crimes também cometidos em outras regiões, por estarem ligados aos praticados em Mato Grosso. “Mas é complicado trabalhar com a polícia de outro estado, em que lá mesmo eles não combatem o jogo do bicho. Então é melhor trabalharmos por nós mesmo”.

Conforme as investigações, a Ello atuava somente em Mato Grosso. Porém, os sorteios dos jogos eram feitos em Goiás, em virtude da relação entre Frederico e o suposto líder do esquema.

Veja trecho da entrevista de Flávio Stringueta:

Segundo as apurações, Frederico, assim como o rival João Arcanjo Ribeiro – também preso na Mantus –, fazia lavagem de dinheiro para tentar demonstrar legalidade ao dinheiro obtido por meio da contravenção penal. “A lavagem de dinheiro é o principal crime cometido por quem é bicheiro, porque compram algo sem ocupação lícita. Então, o dinheiro passa por algo aparentemente lícito para que depois se transforme em patrimônio”, declarou Stringueta.

Durante depoimento à polícia, na tarde de quarta (5), Frederico permaneceu em silêncio. Ele não comentou sobre os supostos crimes. Já outros presos, relacionados à Ello, confessaram a prática do crime e apontaram o empresário como líder do grupo.

Arcanjo tinha ligação com o RJ

As investigações da Polícia Civil mostraram que Arcanjo, proprietário da Colibri, também tinha relação com outro Estado. Segundo Stringueta, a ligação do bicheiro seria com pessoas do Rio de Janeiro. “Ele é a principal liderança da Colibri, mas é como se fosse uma ramificação dela em outro local”.

Na tarde desta quinta, Arcanjo prestou depoimento na GCCO. Ele negou ter retomado as atividades no jogo do bicho. O ex-comendador disse que os R$ 200 mil encontrados na sua residência, durante a Mantus, havia sido declarado. A Polícia Civil, porém, informou que a defesa dele não apresentou nenhum documento que comprove a legalidade do montante.

Além de Arcanjo, outros dois investigados foram ouvidos hoje, na GCCO: Laender dos Santos Andrade e Rosalvo Ramos de Oliveira, ligados ao grupo de Muller e que confessaram participação no crime. "Como eram pessoas sem uma posição de destaque na organização criminosa, eles falaram de forma restrita, apenas o que lhe foram perguntados", disse Stringueta.

O genro de Arcanjo, Giovanni Zem, apontado como sócio de Arcanjo na Colibri, prestou depoimento na terça (4) e permaneceu em silêncio.

O inquérito sobre o caso deve ser concluído até esta sexta (7). Apesar disso, as apurações sobre os dois grupos deverão continuar sendo feitas pela Defaz e a GCCO.

Veja o momento em que Arcanjo deixa a sede da GCCO e volta para a prisão:

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Comentários (1)

  • Aderval | Sexta-Feira, 07 de Junho de 2019, 04h20
    0
    1

    Há evidências que jogo do bicho trabalha em rede, conforme apurou na década de 80, a polícia do RJ. Mas se todos os Estados combatessem, o "sistema de sanfona" que prevalece nessa rede poderia ser destruído. Mas é o tal negócio, combate aqui, mas ali a omissão, a indiferença e a corrupção predominam. Esse é o meu Brasil

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