Polícia

Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017, 09h:25 | Atualizado: 21/08/2017, 14h:19

cuiabá e VG

Deletran aponta que 80% dos acidentes de trânsito envolvem bebida e velocidade

Velocidade e embriaguez ao volante são os dois principais causadores de mortes no trânsito de Cuiabá e Várzea Grande. A constatação é da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), que também aponta os motociclistas com idade de até 30 anos as maiores vítimas.

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Acidente grave com morte está ligado ao excesso de velocidade ou a embriaguez

Os dois fatores de acidentes são também os principais alvos das fiscalizações das operações integradas Lei Seca. Até o começo de agosto deste ano, os órgãos de repressão e fiscalização de trânsito efetuaram a prisão de 544 condutores embriagados durante 21 edições da operação, que também resultou na retenção de 2.257 veículos conduzidos por motoristas sob efeito de álcool.

Dados da coordenadoria de estatísticas e análise criminal da secretaria estadual de Segurança Pública (CEAC) apontam 100 mortes no trânsito, entre acidentais e homicídios culposos, no primeiro semestre nas duas cidades.

“O acidente grave com morte está ligado ao excesso de velocidade ou a embriaguez. São dois fatores que conseguimos trabalhar na fiscalização. Tanto a velocidade quanto o álcool, a fiscalização consegue inibir. Também houve implantação de um número grande de radares e lombadas eletrônicas que controlaram a velocidade em vias, que antes tinham muitos acidentes. A somatória dos dois impactará nas mortes”, diz o titular da Deletran, Christian Alessandro Cabral.

Os indicadores não são novidades para os policiais e agentes de trânsito que acompanham todos os dias a realidade nas ruas e avenidas de Cuiabá e Várzea Grande. O investigador Jakson Aureliano Rondon Mendonça conta que além da velocidade acima do permitido e da embriaguez, a imprudência, a falta de educação e habilitação são outras características dos condutores, principalmente os motociclistas. "A gente vê que 70 a 80% dos condutores que se envolvem em acidentes não estão habilitados. Também não respeitam a sinalização, a ultrapassagem e as faixas de pedestre."

Lei Seca

A operação Lei Seca teve início em 2014 e é fruto de uma parceria entre a Sesp, Polícia Militar, Batalhão de Trânsito da PM, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Politec, Secretaria de Moblidade Urbana (Semob), Ministério Público Estadual, Detran-MT e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

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A avenida Mario Andreaza, em Várzea Grande, é 2ª com maiores índices de acidentes

Na Região Metropolitana, de janeiro a junho, foram lavrados 738 autos de infração de trânsitos (AIT), realizadas 370 notificações por embriaguez, nos artigos 165 e 165 A, do Código de Trânsito; recolhidas 323 Carteiras de Habilitação (CNH); lavrados 84 autos de prisão em flagrante por embriaguez; apreendidos 316 veículos, realizados 2.085 testes de etilometros (bafômetro). A arrecadação com as multas das infrações administrativa e criminal é estimada na ordem de R$ 1 milhão. O dinheiro é revertido para políticas públicas de prevenção e educação no trânsito.

Inquéritos policiais

A Deletran, neste ano, instaurou 670 inquéritos policiais, dos quais 472 foram concluídos. De acordo com a delegacia, 80% dos inquéritos são de embriaguez ao volante, 15 % de homicídios no trânsito e 5% de lesão corporal com condutor sob efeito de álcool.

Para os crimes de homicídio, embriaguez e a lesão corporal causada por condutor embriagado, que não necessariamente resultou em flagrante, são instaurados inquéritos policiais. Já a lesão simples, quando o condutor não está alcoolizado, é feito termo circunstanciado de ocorrência, assim como a omissão de socorro, dirigir sem habilitação e fuga de local de acidente. São procedimentos de menor potencial ofensivo que vão para o Juizado Especial.

Quando é caracterizado homicídio doloso, a investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Se teve dolo vai para DHPP ou se a pessoa não morreu e ficou na tentativa vai para a delegacia da área”, explica Christian.

Acidentes e causas

Com uma média de 10 a 14 atendimentos com vítimas por dia, levantamento da CEAC aponta 1.491 lesões corporais no trânsito em Cuiabá e Várzea Grande, no período de 1 de janeiro a 30 de junho deste ano. No primeiro semestre de 2016 foram registrados 1.338 acidentes com vítimas lesionadas.

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A Deletran neste ano instaurou 670 inquéritos policiais, conforme delegado Christian Cabral

As duas vias mais críticas, com maiores índices de acidentes, são a MT 010, estrada de acesso ao Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, e a avenida Mario Andreaza, em Várzea Grande.

Para o delegado, no geral, os acidentes de trânsito têm se mantido estáveis, comparando ao crescimento anual da frota de veículos, ao contrário das ruas e avenidas que, em algumas, foram diminuídas ou sofreram afunilamento em decorrências de obras e criação de corredores exclusivos para ônibus. “Fora isso tem os condutores do interior, que não estão acostumados com as condições da malha viária da cidade e acabam mais propensos a desenvolverem acidentes. Os acidentes vão acontecer. O que temos procurado é reduzir a cada ano é a lesividade, principalmente, os óbitos. Essa é a política”, avalia.

Na análise da Delegacia de Trânsito, as causas dos acidentes com motos, não relacionados ao consumo de álcool, estão ligadas à imprudência no trânsito a exemplos de manobras perigosas proibidas pelo Código de Trânsito, como andar no corredor das avenidas, avançar sinal e cruzar canteiros.

Os acidentes com automóveis, sem relação com a embriaguez, envolve a desatenção do condutor com o uso de celular ou equipamentos multimídia no carro, ligado também a imprudência.

Batidinhas

É comum nas principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande ver o trânsito parado por conta das "batidinhas" entre veículos sem vítimas. Pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) é obrigação dos motoristas liberar a via imediatamente, quando não há vítima. Esse tipo de acidente não necessita de atendimento policial e os condutores podem acionar o Serviço de Atendimento Imediato do Tribunal de Justiça, vinculado aos Juizados Especiais, para conciliação. O serviço funciona de segunda à sexta, das 6h às 22h, nos telefones (65) 9982-8282 e (65) 9982-8383.

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Titular da Deletran, Christian Alessandro Cabral, alerta sobre a desatenção dos condutores

"Isso é desinformação das pessoas. É infração de trânsito manter o veículo sobre a via depois do acidente se não tiver vítima. Às vezes se cria até outro acidente porque afunila o trânsito, desperta a curiosidade. Com vítima é o contrário. Tem que ficar, aguardar o socorro e a chegada de um agente para ver se autoriza liberação da via", explica Christian.

Metodologia de trabalho

Reduzir o tempo de resposta faz parte da metodologia de trabalho da Deletran. Durante o atendimento de emergência, os policiais saem da unidade com a sirene ligada para chegar ao local o mais rápido possível, e, assim, iniciar a coleta de informações que irão subsidiar a investigação do acidente e liberar a via no mínimo de tempo, garantindo a mobilidade do trânsito. O tempo máximo de resposta é de 30 minutos, caso não haja mais de dois acidentes seguidos.

São duas equipes que trabalham 24 horas, em regime de plantão, nos atendimentos dos locais de acidentes. As viaturas, todas caracterizadas, estão equipadas com etilômetros (bafometros) e tablets para o registro fotográfico e fazer o georreferenciamento do local, a fim de alimentar o banco de dados estatísticos, que analisados permite a deflagração de políticas públicas e pontuar a realização de operações e blitz.

A Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran) está localizada na rodovia 364, s/n, Distrito Industrial, em Cuiabá. Os contatos são (65) 3675-1363 e 3901-5614. Na unidade, há atendimento especializado para o registro do boletim de acidente no trânsito e também um posto do DPVAT para dar entrada no seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre. (Com Assessoria)

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