Polícia

Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2020, 19h:10 | Atualizado: 21/10/2020, 22h:02

DENTRO DO HMC

Enfermeiro faz BO e cita calúnia em caso de mulher estuprada em UTI na Capital

Da assessoria

Hospital Municipal de Cuiab�

Um dos enfermeiro que estava de plantão no dia em que uma mulher de 45 anos denunciou ter sido estuprada enquanto estava internada na UTI 2 do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), foi à Delegacia Especializada na Defesa da Mulher registrar boletim de ocorrência por difamação por se sentir atacado e apontado como suspeito após o caso ter se tornado público.

Para ele, que diz ser o único profissional da enfermagem homem da equipe, a acusação de estupro "aparenta ser uma informação caluniosa para minha pessoa". Ele pontua que a imputação está trazendo transtorno e sofrimento para ele e sua família. “Minha imagem sempre foi limpa e sem qualquer tipo de processos seja eles qual for”, diz em trecho da narrativa do BO obtido pelo .

A vítima, em seu depoimento, não acusa nenhum membro da equipe de saúde em específico e cita apenas um homem de trages verdes. Todos os profissionais do sexo masculino que estavam trabalhando no dia da denúncia foram afastados pela direção do hospital.

O enfermeiro disse que estava trabalhando na UTI 2 e demais alas intensivas no dia do ato descrito, bem como outras pessoas. Segundo ele, nesse ambiente hospitalar sempre há mais de um profissional de saúde. “Não fica apenas um funcionário em momento algum”, explica na narração do boletim.

Ele conta que começou o plantão no domingo (16) e foi à farmácia do HMC buscar as medicações para os pacientes internados na ala intensiva. Após isso, ele retornou a ala das UTIs e começou o que chama as evoluções (procedimentos para melhoria do paciente). Ele terminou os cuidados e foi repousar em seu horário de descanso. Ele acrescenta também que a equipe nunca vai toda para o repouso

Depois do descanso, ele continuou a monitorar e cuidar dos pacientes. Durante esse momento que ele foi até o leito da vítima. O enfermeiro narra que ela acordou enquanto levantava o lençol que a cobria para ver sondas e demais equipamentos afixados na paciente. Depois da verificação, ele narra que a cobriu novamente com o lençol, retornou para o posto de enfermagem, terminou o plantão e foi embora para casa.

Na segunda (19), três dias depois, ele recebeu as informações de pessoas próximas do relato de estupro feito pela paciente na imprensa, onde foi noticiada a acusação.

O caso

O estupro ocorreu na madrugada de sábado (17). Conforme a denúncia, a mulher acordou com o ânus sangrando e uma secreção na vagina, após receber atendimento durante a noite. Ela contou o caso aos médicos, que acionaram a Polícia Militar.

As informações preliminares apontam que o homem estava sentado perto dela e estava vestido de verde, como todos os funcionários do setor. Ela dormiu e quando acordou, viu que o suspeito estava levantando o lençol e com as mãos próximas da genitália dela.

Assustada, ela perguntou o que o homem estava fazendo e ele disse que era um procedimento normal e, em seguida, aplicou outro remédio na paciente, que acabou dormindo. Na manhã de sábado, ela sentiu desconforto ao sentar em uma maca e, quando foi fazer a higienização pessoal, encontrou sangue e outros fluidos na fralda geriátrica que estava usando.

Procedimentos e investigações

Em nota, a Prefeitura de Cuiabá disse que ofereceu atendimento psicológico à paciente. Como medida preliminar, a direção do HMC também afastou todos os homens que compõem a equipe de plantão, mas não especificou quais destes profissionais são do sexo masculino. Cada uma é composta por 5 técnicos de enfermagem, 1 fisioterapeuta, 2 enfermeiros, 1 médico e 1 supervisor.

A vítima também foi transferida para outra unidade após o suposto abuso para seguir o tratamento que fazia na UTI por conta de um infarto, além de receber medicamentos contra infecções sexualmente transmissíveis, as chamadas ISTs.

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) enviou ofício cobrando investigação e pediu análise das imagens de câmera, apesar do conflito de versões do autor do estupro. “Ela relata um homem negro de roupa verde. O enfermeiro que estava de serviço neste dia não usava branco e têm pele clara. O médico que estava neste plantão também não tem as características compatíveis”, esclareceu o presidente Antônio César Ribeiro.

Caso o autor da violência sexual seja um profissional da enfermagem, haverá a abertura de processo administrativo que pode resultar na cassação do diploma e proibição de exercer a profissão. A Direção do HMC e a Delegacia da Mulher, da Polícia Civil, também investigam o caso.

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