Polícia

Quinta-Feira, 21 de Maio de 2020, 14h:53 | Atualizado: 22/05/2020, 09h:26

NO CPA I

Moradores desconfiam de pesquisadores de estudo sobre a Covid e chamam a PM

Reprodução

Pesquisadores Covid19 presos

A dupla de pesquisadores foi levada ao Cisc Verdão para prestar esclarecimentos; ao abordar moradores, os pesquisadores apresentaram crachás

A desinformação resultou na prisão de duas pessoas na manhã desta quinta (21), no bairro CPA I, em Cuiabá. Moradores chamaram a Polícia Militar, após a dupla bater nas portas das casas para realizar testes do novo coronavírus (Covid-19). Os pesquisadores foram levados ao Cisc Verdão para prestar esclarecimentos.

Segundo relatos, os pesquisadores solicitaram aos moradores que permitissem a realização do teste de sangue. "Eles pediram meu dedo para furar. Tiraram de dentro de uma maletinha agulha descartável, com seringa e tudo. Perguntei se precisavam entrar em casa e disseram que sim, pois precisariam de alguma coisa para apoiar o material deles", disse uma moradora.

Aos moradores, os pesquisadores afirmam representar a empresa JC Pesquisas, contratada pelo Ibope, para a realização da pesquisa nacional. O estudo, financiado pelo Ministério da Saúde, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, será realizado em três etapas e prevê testar até 100 mil pessoas em 133 municípios. A expectativa é testar cerca de 33 mil brasileiros em cada etapa, sendo 250 pessoas em cada município selecionado.

De acordo com o boletim de ocorrências, a dupla afirmou que estava realizando os testes e apresentou um ofício da UFPel e crachá do Ibope. No Cisc, a supervidora dos prestadores de serviço se apresentou.

Confusão similar ocorreu em Barra do Garças e em Rondonópolis, quando pesquisadores foram presos. Em outros estados, moradores e policiais chegaram a agredir os realizadores da pesquisa. O Minitério da Saúde já afirmou que enviou comunicado aos secretários estaduais. Em Mato Grosso, a secretaria de Saúde informou que teve conhecimento da referida pesquisa no dia 14, após o início da ação no Estado.

"As pesquisas ocorrem conforme o estipulado pelo Ministério da Saúde e as principais informações estão disponíveis em materiais do Governo Federal. Mais informação a respeito, deverão ser obtidas junto ao Ministério da Saúde, que é quem realiza a ação e tem o dever de informar aos estados e municípios", diz trecho da nota da secretaria.

Prisões em Barra do Garças e outras partes do Brasil

Em Mato Grosso, 17 pessoas que foram contratadas pela empresa para trabalhar no estudo foram presas em Barra do Garças (513 km de Cuiabá) e Rondonópolis (216 km da Capital).

A secretaria municipal de Saúde de Barra do Garças disse que prefeitura não foi notificada da pesquisa e diante de denúncias de moradores informou o fato à autoridade policial para as providências cabíveis.

Em São Paulo, sites de notíciais também publicaram que as equipes de pesquisa estão sendo detidas e impedidas de trabalhar por governos municipais, outras, que essas pessoas estariam sendo agredidas nas ruas.

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Comentários (3)

  • M. | Sexta-Feira, 22 de Maio de 2020, 13h02
    1
    2

    Mas se ladroes estão usando ate os apetrechos do Ifood e Uber Eats para poder roubar a gente!! Estão certos em, na desconfiança, chamar a polícia, não deve quem nao teme, prestem esclarecimentos e pronto, pesquisa que segue..!

  • Benedita da Silva | Quinta-Feira, 21 de Maio de 2020, 21h38
    4
    5

    A ignorância é a mãe de todos os males. Uma pesquisa destinada a mapear o Covid- 19, assim ajudar a compreender como o virus circulou, e estabelecer protocolos e politicas públicas , trata os pesquisadores como bandidos. Até prefeitos, gestores públicos, que deveriam apoiar uma iniciativa dessas, agem de forma truculenta. Esperar o que?

  • Alberto | Quinta-Feira, 21 de Maio de 2020, 16h44
    13
    8

    Pesquisadores são tratados como bandidos neste país. Também quem tem um governo que despreza a ciência, só poderia dar nisso.

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