Polícia

Terça-Feira, 25 de Junho de 2019, 15h:53 | Atualizado: 25/06/2019, 16h:01

Assepsia

PMs não comentam acusações e pedem que caso seja remetido para a Vara Militar

Os três policiais militares, alvos da Operação Assepsia, que apura esquema de facilitação da entrada de celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE), pediram que o caso seja remetido à Vara Militar de Cuiabá. Em depoimento à Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), eles não comentaram o teor das acusações.

Reprodução

Imagens PCE

Imagens do circuito interno mostram momento da suposta reunião na direção da PCE

O subtenente Ricardo de Souza Carvalhaes e o cabo Denizel Moreira, ambos da Rotam, e o tenente Cleber de Souza Ferreira, lotado no Terceiro Batalhão foram presos no dia 18, durante a deflagração da Assepsia.

Além deles, também são acusados de facilitar a entrada de celulares na unidade prisional, e estão na cadeia, o diretor da PCE, Revétrio Francisco da Costa, e o subdiretor, Reginaldo Alves dos Santos. Juntos, os cinco alvos da operação teriam organizado a entrada de um freezer com diversos celulares na penitenciária.

Em depoimento à GCCO, os três militares optaram por ficar em silêncio. Eles disseram que o caso, que atualmente tramita na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, deve ser encaminhado para a 11ª Vara Militar da Capital.

Os PMs afirmaram que somente vão prestar esclarecimentos sobre o caso quando a ação for levada para a área militar. A Justiça deverá avaliar o pedido dos policiais. Caso fique comprovado que eles teriam facilitado a entrada dos celulares em serviço, a ação poderá ser levada à Vara Militar. Porém, se os supostos crimes tiverem sido cometidos fora do trabalho, o processo deve permanecer na Sétima Vara.

O inquérito sobre o caso deve ser concluído nesta quinta (27). Nele, os militares são investigados por crime comum. Se a ação for levada para a Vara Militar, uma nova apuração poderá ser feita pela Corregedoria da PM.

Os advogados dos PMs alegam que eles são inocentes. A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (Assof/MT) também afirmou que militares presos não cometeram nenhum crime. Segundo a entidade, eles estavam realizando um trabalho de inteligência para a PM e foram pegos por engano.

“Em conversa com os militares, verificamos que, na verdade, a prisão deles teria ocorrido por um equívoco, pois o que eles teriam ido fazer na unidade prisional era se reunir com o reeducando para colher informações de ações criminosas que estariam prestes a ocorrer em Cuiabá. É importante registrar que esses militares já atuaram em diversas operações com apreensão de drogas e armas, bem como, na prevenção de assaltos a estabelecimentos comerciais”, diz trecho da nota.

Segundo as investigações da GCCO, porém, a entrada do freezer não estava relacionada a nenhuma apuração da Inteligência.

Um vídeo, que consta no inquérito policial da Assepsia, mostra os policiais militares, Revétrio e Paulo Cesar da Silva, conhecido como Petróleo – preso na PCE – indo à sala da direção da PCE, na tarde do último dia seis. O registro de circuito interno da penitenciária é considerado uma das provas da ligação entre eles.

Superiores serão ouvidos

Nesta quarta (26), a GCCO deve ouvir coronéis da Rotam e do Terceiro Batalhão, que são superiores aos presos. Eles deverão prestar esclarecimentos sobre a conduta dos alvos da Assepsia e sobre os serviços dos três.

Diretores da PCE culpam militares

Em depoimento à GCCO, na tarde de segunda (24), O diretor e o subdiretor da PCE negaram que tenham facilitado a entrada de celulares na unidade. Eles disseram que foram enganados pelos três militares presos, que teriam pedido a entrada do freezer no presídio sem informar o conteúdo que estava dentro do aparelho.

Segundo os depoimentos, os militares argumentaram que o eletrodoméstico seria um agrado a Petróleo, para conseguir informações para futuras apreensões.

Ainda conforme os depoimentos de Revétrio e Reginaldo, o freezer entrou na unidade prisional sem passar pelo scanner, pois agentes prisionais disseram que o eletrodoméstico não precisaria de tal procedimento.

Presos do CV

Além dos policiais e dos diretores da PCE, outros dois alvos da Assepsia foram Petróleo e Luciano Mariano da Silva, o Marreta. Os dois são apontados como principais líderes do Comando Vermelho em Cuiabá. Eles já estavam presos e foram alvos de mandados de prisão preventiva. Segundo as apurações, eles teriam se beneficiado pelas entradas ilegais dos celulares na PCE.

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Comentários (1)

  • Davi | Terça-Feira, 25 de Junho de 2019, 16h12
    4
    1

    Se os crimes foram cometidos em razão da função, independentemente de estarem d e serviço ou não devem ser remetidos à 11º Vara, com a alteração acrescentada ao art. 9º do Código Penal Militar em 2017. No concurso para delegado, magistratura e Ministério Público deve ser inserida a exigência de conhecimentos nesta área porque tem se visto inúmeras aberrações, como o duplo inquérito em caso de crimes militares que deveriam ser apurados somente através de IPM.

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