Luana Valentin

Como abordar sexualidade com crianças?

Por 08/08/2020, 00h:01 - Atualizado: 08/08/2020, 09h:29

Luana Valentin artigo

Você já deve ter ficado em uma verdadeira saia-justa com as perguntas inusitadas de uma criança sobre o famoso “de onde vem os bebês?”. Alguns pais optam por contar a batida “História da Cegonha. No entanto, mentir ou contar uma história fantasiosa como essa não é o caminho mais correto. Calma! Também não estou dizendo que é adequado explicar como realmente são feitos os bebês – principalmente quando levamos em conta a faixa etária dos pequenos.

Em meu trabalho com sexualidade busco sempre pesquisar e conversar com profissionais capacitados. E foi falando com psicólogas e pedagogas que percebi que a minha linha de raciocínio estava correta. Bom, sem mais delongas vamos ao que interessa. O correto é deixar a criança vir perguntar e responder de acordo com a idade dela.

O correto é deixar a criança vir perguntar e responder de acordo com a idade dela.

A curiosidade surge por volta dos quatro anos que é a fase das inúmeras perguntas, eu mesma passei e ainda passo por isso com a minha filha que hoje tem cinco anos. Certa vez ela perguntou, inocentemente, após me ver grávida numa foto, “mamãe, sou eu dentro da sua barriga?”. Eu olhei para aqueles olhinhos curiosos e disse que sim, percebi que então ela vinha formulando novas perguntas em sua cabecinha e eu só pensava “tomara que não ‘aquela’ pergunta difícil”.

Tais questionamentos deixam um certo nervosismo, mas ela continuou a perguntar como saiu e fui seguindo o raciocínio dela respondendo que fui no hospital e o médico tirou. Ela ficou satisfeita com as respostas - o que, confesso, agradeço muito.

Em outro momento ela viu um absorvente e perguntou se adulto usa fraldas. Cai na gargalhada e respondi que sim. O entendimento dela sobre as fraldas de adulto se deu quando ela simplesmente invadiu o banheiro e percebeu a menstruação na tal “fralda” (mães sabem que privacidade é algo que não temos), e ela perguntou se eu havia me machucado. Então resolvi explicar sobre a menstruação (de maneira cautelosa, é claro). Disse a ela que quando as mulheres ficam adultas, menstruam. Minha pequena, mais uma vez, ficou satisfeita com a resposta, mas brava quando soube que não ocorria o mesmo com os meninos!

Mas afinal, quando se falar de sexualidade a uma criança? Em tempos onde nós, mães e pais, instintivamente questionamos se as pessoas que se aproximam de nossos filhos são “lobos em pele de cordeiro”, é importante esclarecermos alguns pontos com as crianças. Por exemplo, explicar a elas que ninguém pode tocar nas partes íntimas de seu corpo e, caso isso ocorra, comunicar imediatamente um adulto de sua confiança.

Resta-nos ter calma e serenidade, mas acima de tudo sinceridade

Crianças são curiosas e, na medida em que vão crescendo, o grau de “dificuldade” das perguntas vai aumentando. Há luz no fim do túnel, porém. A pedagoga Bernardina Beigger, e a psicóloga Marina Ferreira Leite, orientam que é importante deixar a criança vir perguntar e sempre buscar falar a verdade. Isso não significa que precisamos entrar em detalhes na primeira infância uma vez que na pré-adolescência estes detalhes deverão ser revelados.

Mesmo trabalhando com o mundo sexual, confesso que sinto um certo frio na barriga quando minha pequena surge com suas “perguntinhas especiais”. Resta-nos ter calma e serenidade, mas acima de tudo sinceridade. Respeitando a faixa etária dos nossos filhos, além da inteligência deles (sim, porque essas crianças são “terríveis”!), é melhor uma orientação de quem quer o melhor para eles do que “terceirizar o serviço” à pessoas mal intencionadas, não é mesmo?

Luana Valentim é jornalista formada pela Unic, tem 26 anos, é orientadora sexual, terapeuta tântrica e youtuber.

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