A cidade além do que se vê

Por 27/01/2018, 22h:51 - Atualizado: 27/01/2018, 23h:05

tania matos artigo colunista

Tânia Matos

As cidades podem ser classificadas em naturais ou espontâneas e planejadas ou artificiais. As naturais ou espontâneas são aquelas que nascem sem planejamento, sem um projeto urbanístico, seus traçados geralmente são irregulares, suas ruas são estreitas. Constituem-se muitas vezes de núcleos de pessoas as margens de rios e beiras de estradas. Esse tipo de cidade representa a maior parte das cidades brasileiras e do mundo.

Já as planejadas ou artificiais nascem a partir de um projeto urbanístico estruturado com traçados definidos, já com algumas zonas especificadas, como, por exemplo, residências, industriais e comerciais. Geralmente são implantadas em áreas que possuem um número pequeno de pessoas, e, muitas vezes, surgem com o objetivo de corrigir a cidade que começou a se consolidar de forma irregular. Como exemplo de cidade planejada temos a capital do Brasil, Brasília.

A primeira cidade brasileira projetada foi Salvador, que foi também a primeira capital do Brasil. Salvador foi planejada e estruturada para atender a incumbência administrativa e militar, foi montada de maneira a dar suporte ao império Português.

Em geral é na região central das cidades naturais que estão localizados os maiores patrimônios culturais, onde está registrado o prenúncio do início da vida na cidade, e que em muitos lugares lamentavelmente estão se perdendo, e a memória coletiva que conta a história do início da construção da identidade das cidades aos poucos é dissipada.

Quando olhamos fotos de antigamente podemos ver pessoas com cadeiras nas calçadas, interagindo entre si, hoje mal cumprimentamos nossos vizinhos

Quando comparamos os dois tipos de cidades, podemos notar claramente a diferença entre elas, as cidades naturais são impregnadas de memória afetiva, enquanto que na maioria das cidades planejadas percebe-se a inexistência dessa memória, fica assim a sensação de cidades pouco acolhedoras. O tempo contemporâneo tende sempre a isolar as pessoas, é cada uma no seu quadrado.

Os motivos que justificam esse isolamento são muitos, a começar pela necessidade de se esconder entre muros por conta da falta de segurança. Essa é a primeira coisa que quando perguntadas as pessoas respondem. Quando olhamos fotos de antigamente podemos ver pessoas com cadeiras nas calçadas, interagindo entre si, hoje mal cumprimentamos nossos vizinhos.

A cidade vai além do que se vê, e no que não se vê, está o patrimônio histórico cultural material e imaterial que precisa ser preservado. O conjunto arquitetônico do Porto de Cuiabá é um exemplo disso. É um legado cultural de valor imensurável deixado por nossos antepassados, ali está à origem da urbanização de Cuiabá, e que infelizmente a cada dia que passa vai se desfazendo. Os olhares estão voltados para o atual, e a beleza do histórico é negada. É preciso que haja ação por parte do setor responsável para que possamos preservar as tradições sob pena de perdemos as referências históricas, e termos um futuro vazio.

É preciso que o novo venha! Não se nega esse fato, porém que venha de maneira agregadora, respeitando os espaços culturais, suas edificações e memórias históricas.

Tânia Matos é arquiteta e urbanista, administradora, pós-graduada em Gerência de Cidades, mestranda em Ensino, presidente da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e escreve mensalmente neste Blog. E-mail: maristenematos@gmail.com

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Comentários (1)

  • Helio Arruda | Quarta-Feira, 31 de Janeiro de 2018, 05h48
    0
    0

    Parabéns Adm e Arq Tânia. Uma verdadeira aula sobre as origens das cidades e suas características

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