A mulher e seu papel em 2018

Por 21/02/2018, 18h:13 - Atualizado: 21/02/2018, 18h:26

tania matos artigo colunista

Tânia Matos

O eleitorado feminino no Brasil, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corresponde a 53% do total de eleitores, sendo superior à masculina em quase todas as faixas etárias. O primeiro voto feminino brasileiro foi o da professora Celina Guimarães Viana, em 25 de novembro de 1927, moradora no Rio Grande do Norte, sendo o Estado o pioneiro em reconhecer o direto do voto feminino. Esse voto teve papel fundamental, fortaleceu a luta por espaços e direitos para as mulheres.

O Código Eleitoral de 1932 traz com clareza o que a primeira Constituição brasileira, a de 1824, não explicitava quanto aos direitos políticos das mulheres, o direito de votar e ser votada. A partir desse momento a mulher começou a ter voz ativa.

Em 1933, após 100 anos de luta, iniciada em meados do século XIX, ocorreu o primeiro ato que consolidou esse direito, quando pela primeira vez a mulher pôde ser votada e votar; isso aconteceu na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte. Na segunda Constituição da República, de 1934, dois anos depois do Código Eleitoral, é que os direitos políticos das mulheres foram efetivados. Porém havia ainda nesse momento restrições para que as mulheres pudessem votar. Elas precisavam necessariamente exercer função pública remunerada. Essa condição foi superada com o Código Eleitoral atual, de 1965.

De 1933 até o período atual, passados 85 anos desse fato inédito, somos a maioria dos eleitores brasileiros. Na eleição de 2016, pela primeira vez no Brasil, o eleitorado feminino foi maior que o masculino nos 26 Estados. O Brasil é feminino! Será?

A cada eleição, segundo os dados do TSE, o eleitorado feminino se amplia. Isso significa que estamos indo mais às urnas, estamos mais conscientes, queremos mudanças, somos cidadãs ativas e queremos um país melhor, porém, somos a minoria em representatividade nos poderes Executivo e Legislativo, tanto nas esferas municipais quanto estaduais e federal. Ainda somos um número muito pequeno na disputa por cargos eletivos. Na eleição de 2016 apenas 31% dos candidatos que concorreram às eleições eram mulheres.

O mundo tem um discurso pronto sobre direitos iguais, que na prática são tão desiguais que burla leis para obter espaços que deveriam ser ocupados por mulheres

Aí vem a pergunta: por que somos a maioria dos eleitores e a minoria ocupando cargos eletivos? O que acontece? As respostas são muitas: a pressão familiar que trazemos intrínseca em nosso ser, o instinto maternal consolidado em nós ainda na infância que induz que temos que cuidar da família, por isso não temos tempo para essas disputas, entre tantas outras razões que encontramos.

O mundo, um tanto quanto ainda muito machista, tem um discurso pronto sobre direitos iguais, que na prática são tão desiguais, que burla leis para obter espaços que deveriam ser ocupados por mulheres, nos limita, faz com que fiquemos acuadas e com dificuldades de irmos para o enfrentamento nos posicionar e lutar por mais igualdade. São tantas perguntas e tantas respostas que na maior parte das vezes acabamos recuando, porque é o mais fácil a se fazer.

Fazendo um levantamento do quadro de eleitos em 2016 nos dois maiores municípios da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, Cuiabá e Várzea Grande, temos um quadro desolador, mas que serve para que façamos uma reflexão de como podemos mudar essa situação. Na Câmara Municipal de Várzea Grande, dos 21 vereadores eleitos tem apenas uma vereadora. Cuiabá, capital de Mato Grosso, tem 25 vereadores e, pasmem: nós mulheres não temos nem uma representante. São exatamente 25 cadeiras e todas ocupadas por homens. É a única capital do Brasil que não elegeu nem uma mulher. No Estado de Mato Grosso apenas 13,46% dos vereadores eleitos são mulheres. O que acontece conosco? O Legislativo estadual é composto de 24 deputados e entre esses uma única deputada.

Temos em nosso Estado espalhadas pelos 141 municípios muitas mulheres de luta com trabalho prestado, que têm uma visão ampla, que concebem de forma coerente e clara a importância do papel da mulher, e da conquista desses espaços que dão autonomia para construir políticas públicas que podem melhorar a qualidade de vida não só das mulheres mas de todos os cidadãos. Várias mulheres estão aptas a contribuir de forma efetiva para que tenhamos um Estado mais justo e mais humanizado, melhor para se viver, e poderão colocar seus nomes para ser validados nas urnas em 2018. Vamos à luta! Juntas podemos muito!

Tânia Matos é arquiteta e urbanista, administradora, pós-graduada em Gerência de Cidades, mestranda em Ensino, presidente da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e escreve mensalmente neste Blog. E-mail: maristenematos@gmail.com

Postar um novo comentário

Comentários (3)

  • Maria da paz | Sábado, 24 de Fevereiro de 2018, 10h52
    0
    0

    Penso que a mulher conseguirá assumir mais cargos políticos quando deixar de ser a laranja do patrão. Sim, é chamada de dona de casa mas na realidade a propriedade é do homem. Ela ainda era responsável pela sujeira da casa. As poucas mulheres políticas em nosso estado nada mais são do que as esposas de políticos, a maioria marionetes. Está faltando às mulheres impor respeito para conquistar seu lugar nesse mundo machista.

  • Oséas Machado | Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2018, 00h21
    1
    0

    A mulher não precisa ter o mesmo cargo do homem para ter direitos iguais, as pessoas confundem tudo, os direitos iguais está relacionados ao respeito, ao tratamento, a obediência de um filho para com seus pais de igual modo, a dona de casa não precisa de deixar de ser dona de casa para ter direito digno de respeito, essa ideia de cargos funções iguais é frustração, é desumano e desrespeito com a mulher digna dona de casa, as mulheres não podem achar que para ter direito iguais tem que ter a mesmo função do homem, isto é desconsiderações com as demais. para reflexão.

  • Carlos Nunes | Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2018, 17h13
    1
    1

    Pois é, a gente esperava que a Juíza SELMA aposentasse...e fosse candidata a deputada federal ou senadora, na certa representaria muito bem Mato Grosso, e faria Leis que o Brasil precisa, pois entende dessa área. Mas a Juíza não aposentou...Quem será que poderia concorrer as vagas no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa? Uma sugestão deveriam ser Mulheres que entendem a beça de Finanças Públicas, talvez uma professora universitária nessa área, pois o atual governo não fez as REFORMAS NECESSÁRIAS E GRADATIVAS que MT precisava, desde 2015. Por isso a vaca das Finanças Públicas do Estado foi parar no meio do brejo, atolada até o pescoço. Uma candidata que expusesse uma forma de sanear as Finanças SEM FERRAR O POVO, e conversasse com o eleitor numa linguagem popular, cativaria muitos votos. Sem blá, blá, blá.

Ex-vereador por 5 vezes tenta retornar

wilson kishi 400   Após uma década sem encarar uma disputa eleitoral, Wilson Kishi (foto), que já exerceu cinco mandatos de vereador por Cáceres, somando quase 20 anos ininterruptos de assento no legislativo, decidiu se submeter ao teste das urnas de outubro. Vai tentar cadeira de vereador. Se filiou ao PSB, que tem a...

SD e chapa competitiva pra vereador

aluizio lima 400   Comandado no Estado por Zé do Pátio, prefeito de Rondonópolis, o Solidariedade ganhou novos filiados em Cuiabá e já tem uma lista de 32 pré-candidatos a vereador, numa expectativa de conquistar até quatro cadeiras. Além dos recém-filiados, vereadores Vinicius Hugueney...

MDB diz apostar em Thiago em Roo

thiago silva 400 curtinha   Dirigentes do MDB contestam o registro em nota no Curtinhas, assegurando que a oposição está forte em Rondonópolis e que deve unificar os grupos políticos e derrotar o projeto de reeleição do prefeito Zé do Pátio. Pesquisas internas estão deixando...

Pátio, adversários fracos e reeleição

ze do patio 400 curtinha   O prefeito de Rondonópolis Zé do Pátio (foto), por mais populista, demagogo e com uma gestão avaliada pela maioria como desastrosa, caminha a passos largos para conquista de mais um mandato. Tende a vencer pela lógica do menos pior. Seus virtuais adversários são...

Pode recebe 2 já derrotados em BG

sandro saggin curtinha 400   O Podemos conseguiu juntar em Barra do Garças o grupo de dois já derrotados à prefeitura, Daltinho, que também foi deputado e em 2018 teve votação pífia na tentativa de reeleição, e Sandro Saggin (foto), um "eterno" candidato. Entregue ao ostracismo,...

Câmara de Barra devolve R$ 100 mil

joao rodrigues 400 presidente c�mara barra do gar�as   A Câmara Municipal de Barra do Garças devolveu à prefeitura R$ 100 mil para serem investidos em medidas de combate ao novo coronavírus. O presidente do Legislativo, vereador João Rodrigues de Souza, o doutor...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Você concorda com a decisão de prefeitos, que começam a decretar estado de emergência, fechando comércio, serviços públicos e o transporte coletivo?

sim

não

sei lá!

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.