O coração chora

Por 27/08/2017, 10h:04 - Atualizado: 27/08/2017, 10h:14

tania matos artigo colunista

Tânia Matos

É entristecedor que em pleno século XXI, depois de tantas lutas empreendidas em prol de direitos para as mulheres, ainda tenhamos que vivenciar a figura feminina ser agredida física e psicologicamente. É estarrecedor quando nos deparamos com fatos que retratam tamanha crueldade.

Não sei se grito, se choro, não sei o que pensar sobre a notícia do assassinato brutal de uma mulher e de sua filha. O que fazer, meu Deus, diante de tamanha barbárie?

Há uma dor na alma feminina que nos acompanha de geração em geração. São tantas perguntas sem respostas, e muitas respostas vazias que lamentavelmente nos deixam muitas vezes sem saber qual o caminho a seguir.

Em setembro de 2015 foram finalizados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), há exatos 2 anos. Foram definidos 17 objetivos, sendo que o objetivo 05 trata da Igualdade de Gênero, e traz como uma de suas metas eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos.

São muitas as propostas que visam resolver a violência contra a mulher, e que na sua maioria atuam de fora para dentro dos ambientes afetados, e tentam com todas as forças adentrar-se a esses ambientes onde a violência acontece, com o intuito de combater as suas variadas causas, como, por exemplo, a falta de escolaridade e de qualificação que provoca a dependência financeira e faz com que a mulher se submeta aos mais diversos tipos de violência praticadas pelo seu parceiro.

Cresci vendo essa violência dentro do meu lar. Minha mãe era agredida física e psicologicamente por seu companheiro

Cresci vendo essa violência dentro do meu “lar”, minha mãe era agredida física e psicologicamente por seu “companheiro” e, se aguentava calada, não era porque concordava com essa situação, mais sim porque não tinha tido a oportunidade de estudar. Para as mulheres com estudo na época já eram poucos os espaços no mercado de trabalho, e para as que não o tinham tornavam-se raros e quase inexistentes. Filhos para criar, sem condições financeira, aguentava calada. A vida dela mudou, porém esse retrato ainda é muito atual.

Paro e penso o que falta para que essa situação de violência acabe. Infelizmente quando damos alguns passos para frente muitas vezes precisamos retroceder. Falta um item principal e muito importante nesse contexto de conquistas de nossos direitos, que é a mudança de cultura, tão enraizada na essência masculina. Esse é o processo que vem de dentro para fora, e é o que efetivamente gera a mudança dos maus hábitos e comportamentos.

Escutamos diariamente defesas acaloradas em prol dos direitos das mulheres vindas de muitos homens, mas existe um grande número ainda que se agarram a falsa ideia de que precisam ser seres superiores, e que só conseguem isso se tiverem o controle e comando das situações e das vidas das mulheres, e constroem verdadeiras fortalezas como escudos para garantir esse tal poder que só existe na imaginação de uma alma bruta que carece de lapidação. São esses que continuam com o véu da ignorância e negam as mudanças de atitudes e os direitos de igualdade entre os gêneros.

A violência contra a mulher avançou por séculos e continua presente em todas as partes do mundo e em todas as classes sociais e credos religiosos. A batalha é diária e muitas vezes precisamos lutar contra a sensação de impotência diante de tantos desmandos em relação aos nossos direitos. Não é uma luta solitária, mas às vezes a sensação que fica é essa, diante de tamanhos absurdos praticados contra a Mulher.

Tânia Matos é arquiteta e urbanista, administradora, pós-graduada em Gerência de Cidades, mestranda em Ensino, presidente da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e escreve neste espaço mensalmente. E-mail: maristenematos@agem.mt.gov.br

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