Os caminhos da mobilidade urbana

Por 25/07/2018, 08h:36 - Atualizado: 25/07/2018, 08h:41

tania matos colunista

Tânia Matos

A interação entre pessoas, instituições públicas e setor privado ocasiona demandas que interferem diretamente no uso dos sistemas de trânsito e de transportes, além de definir o planejamento das cidades. O grande problema da atualidade é saber para quem as cidades são idealizadas e consequentemente planejadas. Se para pessoas ou para carros. É preciso levar em consideração os interesses e força que cada setor dessa composição representa ou tem.

Todos os grupos influenciam de forma direta e de maneira complexa a organização das cidades. Definem os caminhos que o sistema de transporte precisa seguir e como o trânsito deve ser articulado, muitas vezes forçando a execução de algumas ações fora do planejado.

A responsabilidade pela construção da calçada é do proprietário do terreno ou do imóvel, o que demonstra a priorização do carro em detrimento de pessoas

Tânia Matos

O setor público é responsável por elaborar leis e normas, bem como aplicá-las e observar se estão sendo cumpridas, com o intuito de organizar o sistema de mobilidade urbana. É responsável também pela sistematização das vias urbanas, e entre os itens que a compõem estão a faixa de rolamento e a calçada. A responsabilidade pela construção da calçada é do proprietário do terreno ou do imóvel, o que demonstra a priorização do carro em detrimento de pessoas. A maioria das calçadas não está adequada, não atende às normas de acessibilidade.

A demanda por mobilidade urbana é ocasionada por algumas variáveis, como, por exemplo, o valor da terra, que geralmente tem valor menor em regiões distantes do centro. A ocupação desses locais provoca o espraiamento, o que força o setor público a disponibilizar, entre os vários serviços, o de transporte coletivo urbano, aumentando o custo da cidade.

O que se percebe olhando o cotidiano das cidades é que efetivamente são planejadas para atender carros. A maioria dos estudos voltados para buscar soluções para o problema da mobilidade urbana tem como foco organizar as cidades para atender às demandas ocasionadas pelos veículos motorizados, como, por exemplo, estacionamentos. Não é prioridade construir ciclovias e calçadas para facilitar o deslocamento de ciclistas e pedestres. Esse é o retrato de nossas cidades. Estamos pensando mecanizados.

Tânia Matos é arquiteta e urbanista, administradora, pós-graduada em Gerência de Cidades, mestranda, presidente da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e escreve escreve mensalmente neste espaço. E-mail: maristenematos@gmail.com

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Comentários (3)

  • João Edson Fanaia | Quarta-Feira, 25 de Julho de 2018, 13h29
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    Lamentavelmente desde os anos 1960 as cidades são adequadas e readequadas priorizando os veículos e não os pedestres. De nada adianta investir em obras de mobilidade em Cuiabá se mensalmente milhares de veículos são inseridos no tráfego urbano em detrimento de transporte público de excelência. Esta questão só será resolvida através da mobilização de usuários do transporte público e o motorista consumir 30 minutos de sua vida para percorrer 100 metros de via urbana em Cuiabá. Eu possuo carro próprio, mas o deixaria sem problemas na garagem se tivéssemos transporte coletivo pontual, limpo e regular, mas não é esta a realidade.

  • Paulo Barth | Quarta-Feira, 25 de Julho de 2018, 12h58
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    Exatamente! Devemos também traçar iniciativas de isenção fiscal ao munícipe que se regularizar, num tom de elogio aos que cumprem o estatuto da calçada!

  • Otamar | Quarta-Feira, 25 de Julho de 2018, 09h05
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    Ótima reflexão sra. Tânia e o final com a triste conclusão para os pedestres. É o resultado de prefeito e vereadores sem compromisso com a fiscalização das calçadas.

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