CHAPADA - DESAFIOS

Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 00h:20 | Atualizado: 31/01/2014, 01h:14

Destruíram tudo e não me deram nada, afirma ex-dono do restaurante

Mário Teles alimenta esperança de voltar ao complexo turístico quando da reabertura ao público


Enviada Especial a Chapada dos Guimarães

Iara Rezende

placa do restaurante da salgadeira

Placa onde está escrito "Restaurante Salgadeira" é o que restou do estabelecimento, destruído pelo tempo e pelo matagal

Quem visita o complexo turístico da Salgadeira quando este ainda estava aberto ao público encontrava lotado o Restaurante Salgadeira, de Mário Teles de Amorim. Em finais de semana e feriados chegava a ter 17 funcionários trabalhando. Mas em 2010 o local foi interditado a pedido do Ministério Público em ação civil pública. Com isso, o comerciante foi retirado do lugar com uma ordem de oficiais de Justiça e ficou sem nada do dia para a noite, muito menos indenização e com uma pena prevista de R$ 100 mil se reabrisse o estabelecimento sem autorização. A sua casa, local de trabalho e o sustento foram tomados e até hoje ele luta para se reerguer. “Destruíram tudo e não me deram nada”, conta Mário, em entrevista ao Rdnews.

O ex-comerciante atualmente vive num sítio em Cachoeira Rica (a 20 km do perímetro urbano de Chapada dos Guimarães) e, segundo ele, leva uma vida precária. “Cheguei em 1971. Fiquei mais de 40 anos na Salgadeira. Construí minha casa e todos os meus bens ali. Criei os meus filhos. De repente tiraram tudo de mim. Hoje sou um homem de 80 anos, com uma esposa doente e passando muitas dificuldades”, conta Mário Teles. Ele ainda tem esperanças de voltar ao seu restaurante. Na época do despejo, o ex-comerciante contratou um advogado para tentar resolver ou amenizar a sua situação. “Mas eu desconfio dele. Nunca fez nada, nunca realizou nada por mim”, pontua.

Segundo Mário Teles, não havia motivos realmente válidos para a interdição da Salgadeira. “Havia até mesmo um boato que isso aconteceu porque o local tinha sido vendido para alguma empresa estrangeira”, comenta. Um dos pontos apresentados ao ex-comerciante na época foi que a água dos rios e das cachoeiras estava contaminada e perigosa. Ele e outras pessoas que trabalhavam na Salgadeira contrataram laboratórios particulares para fazer análises e nenhuma irregularidade foi encontrada por eles. “Nunca entendi o que realmente aconteceu”.

O ex-dono do Restaurante Salgadeira acredita que o seu maior erro foi ter montado o seu negócio apenas com acordos informais, o chamado boca-a-boca. Ele se estabeleceu ali em 1971, quando ainda não havia turistas e com a cachoeira pouco visitada. Vendia em barracas e mesinhas. Na época do governo Júlio Campos (1983-1986) construíram uma sede e cederam a ele, mas, mais uma vez, não aconteceu assinatura de contratos. “Por isso me retiraram com tanta facilidade. Teoricamente, eu não era dono de nada”, afirma. 

Para Mário Teles, se existe alguma justiça no mundo, vai conseguir receber indenização ou voltar para o restaurante na Salgadeira quando esta for reaberta. As obras de revitalização das trilhas e de todo o complexo turístico da Salgadeira começaram na segunda quinzena de janeiro. O secretário de Estado de Desenvolvimento ao Turismo Jairo Pradela tem a expectativa de que seja reinaugurado até junho, mês que marca o início dos jogos da Copa do Mundo.

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Comentários (6)

  • Silvano Cesar | Sábado, 01 de Fevereiro de 2014, 07h23
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    Explorou o espaço público como se fosse seu.Os preços eram um verdadeiro assalto!Aliás,se você construiu todos os seus bens e criou os seus filhos aproveitando do espaço público era você quem deveria ressarcir os cofres municipais.Seu explorador.

  • Lucia | Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 13h25
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    kkk ri demais.... tinha mesmo que tira-lo dali, agia como se fosse dono de um patrimônio público , só faltava cobrar pra respirar lá dentro da Salgadeira !!!! É o fim mesmo, querer se apropriar de um bem publico , de interesse comum ! E não de interesse particular !

  • julio | Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 13h15
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    esse MJUario é dono de um mercado no PEBA e acho que ainda tem um bar na chapada e ainda tinha na salgadeira ,ele só quer pra ele,deixa uma chance para outros

  • elias | Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 12h45
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    elias, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Johnson | Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 12h14
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    ACHEI FOI POUCO...QUANDO COMEÇARAM A COBRAR ESTACIONAMENTO O POVO CUIABANO AMALDICIOU A SALGADEIRA , DEU NO QUE DEU...KKKKKKK QUEM QUER MUITO...PODE TAMBEM PERDER TUDO....KKKKKKK

  • Paulo Cesar | Sexta-Feira, 31 de Janeiro de 2014, 10h39
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    Brasil, um país de todos!!! aafff

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