Apagão já

carlos avalone

Carlos Avalone Júnior

Quando o assunto é energia, tenho sido convidado a escrever sobre o tema por trabalhar no setor e por ser diretor do Sindenergia. Entre os anos 1999 e 2002 tive a oportunidade de atuar como secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Estado de Mato Grosso, e, em 2001, convivi com a realidade do apagão e todos os seus efeitos negativos sobre a nossa sociedade. Entretanto, importa relembrar que naquele momento o nosso Estado, depois das reformas estruturantes implementadas pelo Governo Dante, encontrava-se na condição de exportador de energia. Mas o caráter de âmbito nacional do apagão acabou nos obrigando, ainda que autossuficientes, a adotar como medida o racionamento. Os preços aumentaram para inibir o consumo e as indústrias, comércio e produtores foram obrigados a conviver com as cotas mensais.

 

Uma das consequências disso foi que contratos não puderam ser cumpridos, o que resultou em grandes prejuízos e, em muitos casos, os empresários tiveram que adotar férias coletivas ocorrendo, assim, a inevitável e prejudicial paralisação das produções.

Hoje estamos assistindo o início de um novo período de incertezas. Afirmo isso respaldado na minha experiência e avalizado pela opinião dos especialistas, segundo os quais o risco de apagão é de 18%. Não precisamos de um olhar mais atento para confirmar isso, já que temos convivido com falta de energia, falta esta que ocorre e ocorreu por várias vezes em diferentes Estados nos últimos tempos. E qual é a explicação do governo para cada interrupção de energia? Culpam as tempestades, os raios, quando na verdade a falta de planejamento do setor elétrico e as medidas populistas, adotados pelo governo petista, é que são os grandes vilões dessa história.

Não tenho dúvidas de que a sociedade brasileira precisa participar dessa discussão, e faço aqui algumas ponderações. Nos últimos anos temos assistido uma verdadeira guerra contra a geração de energia elétrica através das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), e confesso que não consigo entender o verdadeiro motivo destas ações, e explico o porquê dessa minha incompreensão, vejamos.

A energia elétrica é indispensável para a nossa existência, para o funcionamento de hospitais, de suas UTIs, das escolas, residências, apartamentos, ou seja, vários aspectos da rotina de nossas vidas estão intimamente ligados à utilização, ao consumo da eletricidade. E para atender a essa demanda precisamos gerar energia e as alternativas para tanto são conhecidas, cabe à sociedade definir onde os governos e os empresários deverão investir; a decisão é nossa. As PCHs geram energia limpa, não poluem, possuem baixo impacto ambiental, baixo custo de produção, além de serem reconhecidas pelo Protocolo de Kyoto. Não utilizar a geração hídrica significa optar por alternativas.

Quanto a estas, vale lembrar que o Brasil optou nos últimos anos por investir em térmicas as quais ficam aguardando serem despachadas, ou seja, são utilizadas quando falta energia a qual tem faltado. Sem contar que as térmicas são majoritariamente movidas a diesel, combustível fóssil altamente poluente e muito mais caro. Só no ano passado gastamos R$ 11 bilhões e este ano a previsão é de R$ 19 bilhões somente para que entrem em funcionamento.

Não discuto que temos outras opções como gás natural e as usinas eólicas, mas estas não são suficientes para atender a atual demanda. No que se refere à opção da utilização da energia nuclear, sobre esta me recuso a discutir após o tsunami do Japão e as consequências decorrentes do acidente. Sendo assim, sugiro que o caminho que deve ser adotado pela sociedade, governos, empresários, universidades, cientistas e pela classe política é o da união pela viabilização e utilização do maior potencial hidroelétrico do mundo, o qual se encontra justamente no Brasil, isso sem deixar de respeitar a legislação ambiental e a regulamentação do setor elétrico nacional que, indiscutivelmente, são bastante rígidas.

Carlos Avalone Júnior é deputado estadual pelo PSDB, diretor do Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia) e presidente do Instituto Ação Verde

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