PARREIRAIS NO CERRADO

Terça-Feira, 22 de Maio de 2018, 08h:22 | Atualizado: 22/05/2018, 09h:18

Para voltar a ser Capital da Uva, Primavera testa variedade sem semente e mais doce


Enviado especial a Primavera do Leste

Embrapa

Uva BRS Vit�ria

Cachos de uva BRS Vitória, variedade de mesa sem semente desenvolvida e testada por pesquisadores da Embrapa

Primavera do Leste tem potencial para retomar o título de Capital da Uva, mas os viticultores dizem não acreditar que a cidade volte a produzir uva como há 20 anos. Isso porque a falta de mão de obra especializada ainda é escassa.

Em relação às variedades de uva cultiváveis na região, o problema já foi superado. Além da Niágara Rosada, cultivada nos quatro parreirais que sobraram na região, duas novas variedades - a BRS Vitória e a BRS Isis - estão sendo testadas em Primavera e deverão ganhar mais espaço de cultivo já no próximo ano.

Com coloração preta, a BRS Vitória é uma variedade de uva de mesa sem semente que foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), em conjunto com o campo experimental da Embrapa de Jales (SP), de onde vieram as mudas que já estão sendo testadas em Primavera do Leste.

De acordo com o engenheiro agrônomo João Dimas Garcia Maia, que coordenou o desenvolvimento das pesquisas que resultaram nas uvas BRS Vitória e BRS Isis, as duas qualidades de uva que estão sendo testadas em Mato Grosso possuem diversas vantagens em relação às uvas da família Itália e em relação à Niágara.

Nas duas variedades, a produtividade média pode chegar a 25 toneladas por hectare, o dobro da alcançada com a Niágara atualmente, e a cultivar foi adaptada para regiões tropicais. De acordo com o pesquisador, as duas variedades adaptadas para clima seco possuem maior resistência ao míldio, que é a principal doença que atinge as videiras. O míldio causa um fungo em baixo das folhas e a queda dos cachos.

Com a tolerância à doença, as variedades de BRS chegam a ter um custo de produção até 50% menor com fungicidas, se comparadas com a Niágara Rosada ou com as uvas da família Itália. Fator positivo em comum nessas 3 variedades é a vantagem em relação à mão de obra. Parreirais com uvas BRS ou Niágara precisam de apenas um trabalhador por hectare, enquanto que a uva Itália precisa de quatro trabalhadores nessa mesma área de produção.

Uva mais doce

Maia explica que outra vantagem que a RBS Vitória possui é elevado teor de Brix – açúcar/ doçura – que se situa em 22º, em uma escala que varia entre zero e 32º. O teor desenvolvido na BRS Vitória é o maior entre as 25 variedades de mesa e para suco mais cultivadas no Brasil. Nas demais variedades, esse indicador de açúcar se situa em 17º.

Mário Okamura

Itacir Gatti

Para o viticultor Itacir Gatti, 61, a uva sem semente deverá marcar uma nova fase para sua produção em Primavera

Para o viticultor Itacir Gatti, 61, a uva sem semente deverá marcar uma nova fase para sua produção. Nos próximos dois anos, o parreiral será ampliado em 1,6 hectares, com a cultivar BRS Vitória.

O engenheiro da Embrapa explica que, para se começar uma produção de uva, o investimento necessário varia entre R$ 80 e R$ 100 mil por hectare. Isso porque é necessário fazer a correção do solo, abertura de sulcos, estruturação das parreiras, aquisição das mudas e implantação do sistema de irrigação.

Alguns detalhes são importantes para se iniciar a produção, como por exemplo, comprar as mudas de viveiros credenciados e licenciados pela Embrapa, cujo valor por muda é de R$ 6. Maia ressalta que os riscos de se comprar mudas de locais não credenciados, é que as mudas podem vir com viroses que causam danos ao parreiral, como a perda do vigor da planta, má formação dos cachos, queda na produtividade e queda na qualidade dos frutos.

Cumprir os passos corretos de implantação de um parreiral é fundamental para se obter as vantagens de preço ao consumidor das uvas BRS Vitória e Isis. A primeira pode ser até 70% mais cara, no preço de venda, em comparação com a Niágara Rosada, enquanto que a BRS Isis pode ser até 30% mais cara nessa mesma comparação.

Sistema de Produção

Itacir também implantará na nova área produtiva o sistema “Y”, no qual as videiras crescem no arame esticado sobre uma estrutura de madeira em formato de “Y”. De acordo com o viticultor, essa forma de produção é 50% mais econômica que no sistema latada, no qual os arames onde se espalham as ramas da videira ficam no formato de varal.

Entre as desvantagens do sistema Y está a queda na produtividade, que chega a ser de 20% menor se comparada ao rendimento no sistema latada. “Mas a vantagem é que na hora da colheita, os cachos ficam na altura ideal, dando menos trabalho”, explica Itacir.

Assessoria

Jo�o Dimas Garcia Maia

Engenheiro agrônomo João Dimas Garcia Maia coordenou desenvolvimento das pesquisas que resultaram nas uvas BRS Vitória e BRS Isis, testadas em MT

 Produtividade

De acordo com Itacir, a produtividade da uva depende muito de como a videira é tratada. O tempo de vida útil da planta é de 25 anos. Um hectare pode começar produzindo em torno de 10 toneladas de uva e chegar a 25 toneladas, em função do tratamento que se dá à planta.

Entre os cuidados que as videiras exigem está a poda correta, a adubação adequada e o cuidado para não estressar a planta, com manuseio que force a videira a produzir mais do que sua capacidade. Querer que um parreiral, em um hectare, por exemplo, produza 25 toneladas de uva com apenas dois anos de idade, é considerado algo que pode causar estresse nas plantas.

Outra forma de estresse na videira é quando a irrigação acontece de forma incorreta. No parreiral de Itacir, o sistema de irrigação é totalmente calculado. Cada conjunto com quatro fileiras de videira recebe a irrigação adequada e, em tempos separados, de acordo com a fase pós-poda.

Para isso, Itacir conta com a água que extrai de um poço artesiano e que enche uma caixa de 20 mil litros. Para o próximo ano, quando começará a expandir o parreiral por mais 1,6 hectare, Itacir contará com a água de uma nascente que possui na propriedade, já que o poço artesiano não conseguirá abastecer toda a demanda da fazenda. Além de uva, Itacir produz mamão, figo e laranja, entre outros tipos de frutas.

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