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Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 11h:07 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:25

INVESTIGAÇÃO

Polícia flagra irregularidades em contratos firmados pela Funasa

   A Polícia Federal flagrou conversas telefônicas entre Francisco Salvador de Matos, o Chico, responsável pela CHC Táxi Aéreo, Denilson Pereira Melo, o Dedo, e Marco Antônio Stangherlin, coordenador regional da Funasa. As irregularidades em um convênio firmado entre a Fundação e a empresa foram reveladas durante a Operação Hygeia, desencadeada pela PF no último dia 7. Conforme dados contidos no relatório da Justiça Federal, a CHC Táxi Aéreo era responsável pelo transporte dos índios, especialmente em Canarana, Colíder e Sinop, e estaria superfaturando as horas de voo com o aval de servidores da Funasa, em troca de propinas. As provas produzidas durante a investigação revelam fraudes em licitações e desvio de recursos nos contratos com a empresa.

   “Dessa forma, a empresa CHC Táxi Aéreo, responsável pela elaboração dos boletins diários de vôos inidôneos e apresentados à contratante como documentação suporte ao processo de pagamento, recebeu indevidamente a integralidade do valor das notas fiscais sem ter prestado efetivamente os serviços”, diz trecho do relatório.

   De acordo com as gravações feitas pela PF, Chico e Dedo pressionaram Marco Antônio para receber dinheiro. Na primeira conversa, Chico diz ao coordenador regional da Funasa que não tem mais crédito na companhia de petróleo e que não teria mais condições de abastecer os aviões “fiado”. “Nós estamos totalmente sem crédito. A gente está comprando só com dinheiro. E estamos sem dinheiro pra comprar. Estamos sem combustível. Não é pressão, nem sacanagem, nem nada não. É a falta da... Que nem diz o índio, o mekapri”, diz Chico. Marco Antônio garante então que vai “correr para acelerar” o pagamento à empresa de táxi aéreo.

   Já num segundo telefonema, dessa vez feito por Dedo a pedido de Chico, a pressão aumenta. As duas ligações aconteceram no mesmo dia, com intervalo de 7 horas entre uma e outra. “O Chico me pediu pra dar uma ligadinha pra você para ver se tem alguma posição daquele de agosto”. Marco Antônio explica que pediu para Ídio Nemésio, também preso durante a Operação Hygeia, mas já solto por determinação do juiz federal Julier Sebastião da Silva, para que ele organizasse os pagamentos. “Ah não, tranqüilo. Ele (Chico) ligou. Está agoniado lá”, justifica Dedo.

   Na última ligação, feita por Chico um dia depois, em 15 de setembro do ano passado, a Marco Antônio, o tom já não é tão “amistoso” e o clima fica tenso entre os dois. “E aí meu. Libera o dinheiro pra nós pelo amor de Deus cara. Nós estamos dependurados pelos cabelos aqui”, diz Chico. O coordenador tenta acalmá-lo e diz que vai conseguir o dinheiro. Pede ainda para que o representante da empresa consiga obter novamente crédito junto à companhia de petróleo. “Você tem que conseguir o crédito de novo com esse povo aí Chico agora para o final do ano”, pede Marco, que avisa ainda que há uma viagem programada para Colíder. O representante do táxi aéreo garante que vai tentar conseguir crédito, mas avisa que precisa do dinheiro de um vôo realizado sem contrato. “Dá um jeito de pagar aquele que voamos sem contrato”, diz.

   A polícia cumpriu 75 mandados de busca e apreensão e está para concluir 35 mandados de prisão temporária, sendo que a maioria foi expedido para ser cumprido em Mato Grosso. O relatório da CGU que enumera os recursos desviados aponta em um rombo de cerca de R$ 50 milhões, que pode alcançar R$ 200 milhões.

  Somente em Mato Grosso foram cumpridos 26 mandados de prisão temporária e 59 de busca e apreensão em Tangará da Serra, Cáceres, Pontes e Lacerda, Sinop, Canarana, Santo Antônio do Leverger e Cuiabá. A operação da PF foi realizada em parceria com a secretaria federal de Controle Interno da Controladoria Geral da União (CGU). Segundo apurou a PF, três núcleos criminosos distintos e independentes eram utilizados para o desvio e apropriação de recursos públicos federais. Eles se comunicam através de um núcleo empresarial comum, beneficiado direta e indiretamente dos recursos financeiros produzidos com a prática dos delitos.

   Os envolvidos são acusados de formação de quadrilha, estelionato, fraude em licitações, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva, prevaricação praticados em detrimento de órgãos públicos federais e municípios do interior. Durante a investigação a PF identificou a participação de pelo menos 17 servidores públicos.

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Eis, abaixo, a íntegra das gravações envolvendo representantes do táxi aéreo e coordenador da Funasa

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Comentários (9)

  • Julio Cesar Agostine | Sábado, 27 de Maio de 2017, 09h11
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    Impressionante como tem pessoas de má fé. Conheço os envolvidos citados acima. Tudo que está no texto acima é verdadeiro, só faltam os detalhes que a empresa citada estava voando a mais de 6 meses sem receber, todos os custos de funcionário, combustível e manutenção das aeronaves estavam sendo custeadas por empréstimos (conforme o texto cita). O resultado dessa operação foi a falência total dos acusados que amargam até hoje. Cristina que escreveu abaixo uma besteira gigantesca. O acusado está buscando formas para pagar as contas e está sem renda alguma, com bens bloqueados e impossibilitado de tudo, patrimonio está bloqueado, dependendo de emprestimos e devendo uma vela para cada santo. Simplesmente lamentável sua colocação.

  • Cristina | Terça-Feira, 23 de Julho de 2013, 22h18
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    Depois de tudo que a policia federal e Ministério Público fez nada adiantou, Francisco Salvador de Matos continua acrescendo seu patrimonio livremente, agora no Novo Progresso-PA

  • Miguel Zaim | Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2011, 12h31
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    No meu entendimento a questao e que um processo administrativo tem que ser justo. A imparcialidade e fundamental. Nao e porque é uma empresa séria que eu so penso coisas boas... assim como nao e porque é uma empresa de ma fama que penso coisa errada. A questao e clara... PROVAS... existem? Se nao, a acusação merece ser revidada a altura... se sim... pezames... tem-se que pagar!

  • jader | Sexta-Feira, 23 de Abril de 2010, 17h38
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    nunca vi tanta baboseira , uma empresa séria como a chc, isso só pode ser coisa de quem não tem nad pra fazer

  • joão | Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 15h41
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    joão, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Beto Vilela | Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 14h29
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    Beto Vilela, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Beto Vilela | Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 14h28
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    0

    Beto Vilela, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • carol | Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 13h23
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    0

    li esta matéria e nao vi nenhum ato ilicito, se a empresa fez o serviço e está demorando para efetuar o pagamento tem que cobrar mesmo. acho que tudo isto nao passa de dor de cotovelo de grupo politico.

  • Petício Magistradius | Segunda-Feira, 12 de Abril de 2010, 12h57
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    O que tem na conversa é o pedido de um fornecedor para receber ao que tem direito...não ví nada de mais na conversa...A cada conversa exposta, fica mais claro o carater "político" dessa operação!

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