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Sexta-Feira, 07 de Agosto de 2009, 11h:29 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

INVESTIGAÇÃO

2 quadrilhas assaltaram Câmara ao mesmo tempo, diz polícia


Delegada Alana Cardoso conclui inquérito e aponta a ação de 2 quadrilhas no assalto à Câmara de Cuiabá
Foto: Patrícia Sanches

   Um funcionário comissionado da Câmara de Cuiabá facilitou o assalto no Legislativo para que outra “quadrilha” agisse e, em seguida, desse um “chá de sumiço” em três caixas de documentos do gabinete do ex-presidente da Câmara, Lutero Ponce (PMDB), acusado de causar um rombo superior a R$ 7,5 milhões entre os anos de 2007 e 2008, época em que foi presidente. Essa é a principal hipótese levantada pelas investigações feitas pela delegada que presdiu o inquérito Alana Cardoso, do Cisc Verdão. Em entrevista ao RDNews nesta sexta (7), ela explicou que desde o início a linha das investigações, a polícia trabalhava com a hipótese de que os bandidos que assaltaram a Câmara em 11 de junho não seriam os mesmos que, concomitantemente, invadiram e reviraram os gabinetes de Lutero, de Domingos Sávio (PMDB) e de Chico 2000 (PR).

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Delegada Alana, prestes a concluir o
inquérito, afirma que, enquanto um
bando "estourava" o caixa do BB,
outro invadia 3 gabinetes e outras
salas; há indícios de crime político
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   Segundo as informações iniciais, os bandidos invadiram a Câmara, renderam e trancaram numa sala os dois vigilantes plantonistas, arrebentaram o caixa eletrônica e todo o sistema de vigilância monitorada. O assalto foi divulgado com exclusividade pelo RDNews -  confira a aqui. Agora, descobre-se que houve também crime politico. “O modus operandi era incompatível. Havia depoimentos contraditórios e, por isso, de imediato suspeitamos de que havia ocorrido dois crimes. Devido ao teor das suspeitas, avisamos a Delegacia Fazendária sobre os novos rumos das investigações”, explica Alana. Talvez por isso os delegados fazendários responsáveis pelo inquérito que levantou rombo milionário no Legislativo requisitaram que o Estado disponibilizasse segurança com vistas a garantir a integridade física do presidente da Câmara, Deucimar Silva. Ele está sob escolta de três policiais à paisana.

      Alana Cardoso confirma que o funcionário do Legislativo, tido como informante dos ladrões do caixa eletrônico, já foi identificado. Apesar disso, não revela o nome, sob argumento de que poderia prejudicar a conclusão do inquérito que deve ocorrer neste mês. “Não vamos revelar o nome, mas falta apenas descobrir a função que ele (servidor da Câmara) exerce”. A suspeita é de que esse funcionário DAS, que facilitou a entrada dos assaltantes que arrombaram o caixa eletrônico do BB dentro da Câmara, tenha agido em conluio com uma segunda quadrilha. O servidor teria aguardado a ação desastrosa dos ladrões que levaram R$ 45 mil dos R$ 200 mil que estavam acondicionados nos compartimentos, para acionar os outros bandidos que, por sua vez, reviraram os gabinetes e subtraíram documentos sem levantar suspeitas. “Segundo depoimentos dos bandidos, eles nunca entraram em nenhum gabinete e nem sabiam onde ficavam essas salas. Queriam apenas o dinheiro”, enfatiza a delegada.

  As investigações apontaram a participação de 10 pessoas no assalto à Câmara. Até agora, cinco foram identificados, sendo eles Dalmo da Conceição, Denis Araújo Nobre, Rafael Ferreira Nobre, o Macaco, Rondineli Batista e Robson Santana Junior. Os dois últimos estão presos. Dalmo e Rafael são conhecidos no meio policial por efetuar assaltos, principalmente em residências. Dalmo é especialista em abrir cofres. “Segundo depoimento, Dalmo só foi chamado porque eles tiveram problemas para abrir o caixa eletrônico”, conta a delegada. Após muita confusão, os bandidos “trapalhões” levaram R$ 45 mil. “Apesar do caixa eletrônico ter sido abastecido na véspera, eles não conseguiram levar tudo”, apontou o inquérito, que já registra uma confissão que desvendou o mistério em torno das duas ações paralelas na Câmara na madrugada de 11 de junho.

   Dupla ação

Caixa eletrônico do BB que foi alvo de bandidos   O assalto começou por volta da meia-noite e terminou às 4h. Ainda segundo Alana, os bandidos que roubaram o caixa eletrônico não tiveram acesso ao sistema de segurança e, por isso, não são responsáveis pelo “sumiço” das imagens do circuito interno. Um detalhe curioso é que as câmeras estavam posicionadas justamente na frente dos gabinetes e o sistema foi implantado, inclusive, na gestão Lutero Ponce. “As pessoas que levaram os documentos são as mesmas que sumiram com o CPU em que estavam as imagens de segurança”.

    Enquanto os bandidos "explodiam" o caixa do BB, outros percorriam salas e departamentos. Apesar de revirar três gabinetes, sumiram com papéis apenas da sala de Lutero, conforme depoimento do funcionário comissionado, Marcelo Augusto Moreira da Silva, lotado com o peemedebista. “Ele confirmou que três caixas de arquivo morto foram levadas, mas não soube especificar o que tinha dentro”, observa Alana. Ainda não se sabe que tipo de documentos existiriam dentro das caixas, mas especula-se que possam ser notas frias não utilizadas pela quadrilha chefiada pelo peemedebista, responsável por um rombo superior a R$ 7,5 milhões, segundo inquérito da Delegacia Fazendária. “A nossa parte já fizemos. Agora, tudo será encaminhado à Delegacia Fazendária para que investiguem quem invadiu os gabinetes e com qual objetivo”, explica Alana. (Patrícia Sanches)

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Comentários (7)

  • julia rodrigues | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa pega ladrão

  • Lara | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    essa repórter acerta tudo em cheio

  • juca | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Quantas coincidencias... Guarantã do Norte tem um Lutero, foi político e tambem do PMDB.
    Quanta lama nesse time!

  • DEMOSTENES | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Essa delegada é linda!!!!!

  • Jacyara | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Só falta aparecer entre os mortos no abate de Chapada dos Guimarães, alguns dos ladroes procurados pelo assalto a camara.

    Seria fantástico.

  • Aladir Leite Albuquerque | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará

    Estamos passando por um processo de vergonha no parlamento Brasileiro, através do Senado, Câmara Federal, Assembléias Legislativas, e Câmaras Municipais, que na verdade tem tido mais audiência do que os programas em horário nobre.

    Estamos assistindo constantes embates e debates que ao invés de trazerem benefícios para o nosso povo, tem trazido sim desgaste, desonra desonestidade, desqualificação, desinteresse, e falta de compromisso com a sociedade.

    Em nosso parlamento, recentemente tivemos um parlamentar que chamou seus próprios companheiros de caititu, e isso serviu de estimulo até para primeira se achar no direito de os criticarem, ora essas baixarias já assistimos em época de eleições, agora passar o mandato inteiro vendo isso ninguém merece.

    Tenho dito que o nosso poder constituído esta em baixa, a questão da tal verba indenizatória prestigia somente alguns graúdos da sociedade.

    É sabido que no TJ/MT também existe “Atos Secretos” que mantém a conta de muitos daquela corte, “OBESA”.

    A nossa câmara Municipal perante os outros poderes é uma simples quad juvante no processo vergonhoso que estamos presenciando.

    A verdade é uma fonte de água viva em que os nossos representantes não reconhecem como diz as Escrituras “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”

    Faço um alerta a esses abutres da democracia que procurem reconhecer seus atos ilícitos perante a sociedade.

    O povo não agüenta, mas ver tanta sujeira.

  • laura | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    tomara que essa delegada não seje tirada desse caso pois, ela que investigava uma certa autarquia extinta pelo governo e foi tirada do caso sem explicação devido ao investigatorio de uma certa familia que trabalhava nessa autarquia...

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